Numa sessão animada com a música de Fausto
Terça-feira, 27 de Novembro, 22 horas. O ponto de encontro foi, mais uma vez, o Centro Cultural da Malaposta. Entre as quatro paredes do Café-Teatro que já respiram “Informalidades”, teve lugar mais um capítulo desta tertúlia informal, protagonizada por António Pedro, Henrique Ribeiro, Hugo Martins, Xara Brasil e uma ilustre audiência que nos acompanha desde o primeiro dia. Pedro Martins não pôde estar presente nesta sessão, que contou com um convidado especial, ou melhor, com uma voz especial que serviu de música ambiente.
Vânia Vieira

Carlos Fausto Bordalo Gomes Dias, mais conhecido por Fausto, nasceu a 26 de Novembro de 1948 no meio do Oceano Atlântico, entre Portugal e Angola, a bordo de um navio. Musicalmente, Fausto considera-se um fiel herdeiro de músicos como Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Edmundo Bettencourt no trabalho de renovação da música tradicional portuguesa. Mas porquê falar de Fausto nesta altura? Foi precisamente há 25 anos, em 1982, que Fausto editou o seu sexto álbum, “Por este rio acima”, considerado pela crítica um dos mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas. Trata-se do primeiro disco da trilogia ainda por acabar “Lusitana Diáspora”, que inclui o álbum “Crónicas da Terra Ardente”, de 1994.
Passemos então ao debate! Henrique Ribeiro deu o mote: Exposição sobre as cheias de 1967, patente na Malaposta até 09 de Dezembro.
A opinião foi unânime quanto à gravidade desta catástrofe natural. Hugo Martins salientou a necessidade de antecipar estes acontecimentos, de ter «Cuidados preventivos». Fintado pela língua portuguesa, o Odivelense disse que «Por vezes acontecem todos os dias situações» (a língua de Camões é tramada…) das quais devemos ter consciência para poder evitá-las, nomeadamente através de uma Protecção Civil mais equipada. Humberto Fraga criticou a falta de planos de intervenção rápida e de cenários de simulação que preparem as pessoas para estas situações, aproveitando espaços, como campos de futebol e balneários e recursos humanos como os Bombeiros ou Escoteiros.
Intervenções do INAG pioraram situação das ribeiras
Também as Juntas de Freguesia foram responsabilizadas por muitas vezes quererem alargar o seu território e renovar as suas populações, sem acautelar estas situações. António Pedro lembrou as migrações para as grandes cidades na década de 60/70, a ocupação descontrolada dos solos e salientou o exemplo das Patameiras como um resultado positivo, em termos de saneamento básico, da intervenção do Poder Local em funções na altura.
As cheias de 1967 levantam outro problema que se prende com o estado actual das ribeiras do concelho. As intervenções que o INAG diz ter levado a cabo, para alguns simplesmente não existiram e para outros vieram piorar ainda mais a situação. Concluiu-se que não tem havido coragem política para fazer intervenções de grande vulto nas ribeiras e que, se houver chuvas como em 1967, a única solução dos Odivelenses face à velocidade das águas é fugir.
Passámos então para o desporto, mais precisamente para o “desporto-rei”. Madaíl e Scolari, duas figuras do futebol português foram elogiadas por conseguirem atingir os objectivos a que se propõem. Foi também sublinhada a crescente fiscalização dos clubes, a começar pelos mais pequenos, como foi o caso do Salgueiros, Feirense e, mais recentemente, o Belenenses.
Humberto Fraga criticou a falta de imaginação da Vogal do Desporto da Junta de Freguesia de Odivelas para lançar iniciativas nessa área. A propósito deste tema foi dito que «O desporto no nosso país está doente» e comentada a promiscuidade existente no futebol e o fenómeno da corrupção que cada vez lhe está mais associado.
Falando em corrupção, fizemos uma análise da Justiça em Portugal, da sua morosidade e dos erros processuais que levam a que processos importantes, como o da Casa Pia, prescrevam.
Bárbara Cunha, residente no concelho de Loures, trouxe uma situação que se passou na Quinta do Infantado, com aprovação da Câmara Municipal de Loures e que revela os “facilitismos” de algumas autarquias. O rés-do-chão de um edifício foi ocupado por juízes que aí colocaram lavandarias, diversos WC, arrasando o tecto dos parqueamentos e tentaram ainda abrir uma porta directamente para o exterior, situação que acabou por não se verificar porque foi denunciada atempadamente.
«O Informalidades virou futurista» com Carlos Moura. O Odivelense espreitou a bola de cristal e viu as novas estações do Metropolitano em Odivelas, a formação da Frente Unida da Cereja de Odivelas (FUCO) com os membros do nosso painel, o “Zé do Telhado” três anos em cena e as novidades na utilização dos transportes públicos. «Bem amigos», diz Carlos Moura para concluir, «Se tudo isto fosse verdade, então Odivelas tinha o bolo com a cereja no topo».
O sistema partidário tem de ser refundado
A entrevista dada por Ilídio Ferreira ao Nova Odivelas foi também motivo de debate: a CDU faria melhor se estivesse na Câmara? Hugo Martins considera, pelo contrário, que as propostas da CDU estão a escassear. «A CDU tem feito oposição de combate, de conhecimento de causa mas não apresenta alternativas». Já António Pedro referiu que o Estado não se pode “divorciar” das responsabilidades com o tecido associativo «Mas em Odivelas tem vindo a desresponsabilizar-se». Neste aspecto, «A CDU faria melhor em termos de trabalho partilhado com o tecido associativo».
Quanto à «Proposta de expulsão» de Luísa Mesquita do PCP, António Pedro diz que «O lugar é do partido não é das pessoas» e critica a «Tendência de fulanização» e o uso do Partido para benefício próprio. Levantou-se, então, outra questão: o sistema partidário tem de ser refundado. «A situação da Luísa Mesquita não é um caso isolado». Esta edição também não foi um “caso isolado”. Voltamos no dia 11 de Dezembro com novas conversas e (assim esperamos) novos participantes
Sábado, 01 de Dezembro de 2007 - 14h00
Serviço Especial Nova Odivelas/Diario de Odivelas. Publicado também na edição 232 do NOva Odivelas.
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