"A política em Odivelas está doente"

Jorge Mendes, representante do PS na AF de Odivelas

Na Sessão Extraordinária da Assembleia de Freguesia de Odivelas, para falar da situação do cemitério, o eleito Jorge Mendes fez uma história da situação e evolução do cemitério de Odivelas que hoje transcrevemos na integra.

«A política em Odivelas está doente, é com mágoa e constrangimento que me dirijo a esta Assembleia numa circunstância tão triste e insólita tento infelizmente como protagonista um espaço tão sensível para todos e em particular para mim, como é o caso do cemitério, o de Odivelas.

Não posso aceitar as razões de falta de profissionalismo ou mesmo de má gestão, as razões são outras e todos nós sabemos quais, assim como toda a população do concelho de Odivelas.

Todos aqueles que se dedicam ou dedicaram no desempenho das suas funções no cemitério de Odivelas sempre o fizeram com enorme profissionalismo, dedicação e sobretudo na dignificação daquele espaço tão nobre que serve as freguesias de Famões, Ramada e Pontinha, áreas que outrora faziam parte da freguesia de Odivelas.

Este cemitério foi construído á presa num local sem condições ideais para o efeito – em termos de solo – e surge exactamente para dar resposta ás terríveis ceias de 1967. Lembram-se?

Quando em 1994 tomámos posse, fui encontrar um cemitério que só era porque tinha sepulturas, uma vez que este também servia de armazém, depósito de materiais e de entulhos de construção, viaturas, roulotes e máquinas abandonadas entre outras situações que não dignificavam em nada aquele espaço.

Era importante e urgente intervir, e foi o que a Junta de imediato fez de acordo com as minhas instruções.

Limpeza e arranjo de logradores e outros espaços verdes, colocação de bancos, candeeiros, contentores de lixo nos talhões, desratização, pontos de água, construção de plataformas e escadotes para o aceso a ossários, gavetões e a sepulturas aeróbias.

Recuperação de equipamentos vários; dois “dumppers” que se encontravam abandonados à mais de cinco anos, um deles tendo posteriormente ficado ao serviço do referido cemitério, sendo só recentemente substituído por outro novo.

Aquisição de fardas, máscaras, botas, etc. Enfim todo o material indispensável nas inumações e exumações clássicas e nas sepulturas aeróbias.

Foi também construída uma torre de iluminação para evitar os frequentes assaltos nocturnos – todas as semanas havia assaltos.

O isolamento e a pintura de todos os edifícios existentes no interior, recuperação e dignificação da capela, recuperação de passeios e restantes pavimentos, recuperação de muros, de ossários, gavetões e a substituição do portão principal por outro novo.

Alteração do contador de água para o interior do cemitério – anteriormente este encontrava-se no exterior, no jardim fronteiro - , eram autenticas fortunas que a Junta tinha de pagar aquando das roturas no exterior.

Recuperação da casa mortuária e balneários dos trabalhadores. Enfim uma panóplia de pequenos e grandes investimentos nem sempre comparticipados inicialmente pela C.M. Loures e posteriormente pelo Município de Odivelas.

Felizmente em 1995 as nossas reivindicações foram ouvidas pela Câmara Municipal de Loures, na pessoa do Dr. Hernâni Boaventura e então começou finalmente a haver investimento na construção de ossários, com a participação em dois terços do valor global dos mesmos, uma vez que as taxas de alugueres anuais – 80% do valor total das taxas dos ossários auferidas pela Junta – só permitiam pagar o investimento na integra ao fim de 20 anos, quantia insuportável para qualquer freguesia do concelho. Esta situação é entendida pelo vereador Hernâni Boaventura e o exemplo passa a ser regra e seguido no resto do concelho de Loures.

Existem ainda muitas anomalias no cemitério por resolver, de realçar as seguintes:

O sistema de drenagem de águas pluviais – as raízes das árvores inicialmente plantadas destruíram este sistema, hoje nada funciona, provocando com frequência ceias no interior do cemitério.

Um cemitério ainda sem sistema de esgotos – existe uma fossa recentemente construída.

Um talhão inundado, que não permite inumações.

Não e a primeira vez que o cemitério entra em rotura, já em 2001 isso aconteceu tendo então a Junta recorrido a outros cemitérios – Camarate, Caneças, Póvoa e Benfica -.
 
A construção de sepulturas aeróbias não aconteceu para resolver o problema, mas para complementar o equipamento e adiar a solução do cemitério.

- quero explicar e esclarecer alguns “autarcas” que por ai andam a fazer comentários tontos e ignorantes – de que este equipamento há muito que funciona em Espanha, onde um técnico da Câmara Municipal de Loures e um funcionário da Junta de Freguesia de Odivelas se deslocaram para verificarem o seu funcionamento. pode no entanto haver algum problema de ordem técnica na sua construção que retarde a decomposição dos corpos, isso e uma situação que devera ser equacionada na execução dos próximos, mas a situação do problema nunca vai passar por construir mais, mas sim na ampliação urgente do cemitério e a construção de um novo. Esse sim a meu ver municipal. Já no anterior mandato da Câmara Municipal de Odivelas isso foi prometido.

A primeira visita de trabalho do primeiro presidente do Município de Odivelas – eleito – e seus vereadores foi efectuada ao cemitério de Odivelas em virtude da urgência da resolução do problema. Na altura a construção de um novo cemitério na zona da Paiã e a ampliação deste para a zona da freguesia de Odivelas seria a solução.
Tudo ficou na mesma, embora até já haja inclusive projecto para a ampliação deste.

Para finalizar, Sr. Presidente da Assembleia da Freguesia não posso deixar de realçar mais uma vez o profissionalismo, a dedicação e o empenho de todos os trabalhadores do cemitério e dos restantes que na Junta colaboraram comigo na dignificação do cemitério de Odivelas, que ate por vezes gracejavam chamando-o “o cemitério do Jorge Mendes”

Lembram-se do cemitério em 1993?...

E hoje?... As diferenças são abismais.

Este não e um problema de falta de profissionalismo nem de má gestão, mas sim um problema político para o qual eu não me vinculo.

Nesta situação, deixemos então que os tribunais digam da sua justiça para bem de todos nós – população – e das instituições.

Segunda-feira, 03 de Dezembro de 2007 - 04h00

Fonte: JM

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