18.000 peças reproduzem "Retábulo de Santa Colomba"

Para ver na BMDD até amanhã

A Biblioteca Municipal D. Dinis apresenta até 08 de Dezembro um puzzle gigante, composto por 18 mil peças, montado por um Odivelense de 41 como terapia para os nervos.

É motorista de pesados na Câmara Municipal de Loures e nasceu em Viana do Alentejo em 1966, vindo ainda criança para Odivelas, onde reside e «Cidade que muito adoro». Copfessa que é muito nervoso e por isso começou, há pouco tempo, a montar puzzels com terapia, que diz ter resultado. «É necessário ter muita paciência, ser persistente e metódico para construir puzzles de grandes dimensões».

O puzzle que pode ver na Biblioteca D. Dinis tem 18 mil peças e reproduz o Retábulo de Santa Colomba, de Rogier Van der Weyden, um dos mais notáveis pintores góticos flamengos do século XV. «Este puzzle tem um significado bem explícito que é o nascimento de Jesus Cristo. É interessante a perspectiva realista do pintor» considera Luís Marcelino.

 

Na inauguração estiveram Fernanda  Franchi, Vereadora da Cultura; Mário Máximo, Presidente da Municipália; Domingos Tomé, da Assembleia Municipal e muitos convidados representando instituições do concelho.

A Historiadora Maria Máxima Vaz fez apresentação do quadro e seu enquadramento histórico e artístico.

Sexta-feira, 07 de Dezembro de 2007 - 07h00

Imagens: Diário de Odivelas/Eduardo Sousa - Photovideo

O Retábulo de Santa Colomba

Maria Máxima Vaz - Historiadora

A Adoração dos Reis Magos
Pintura sobre madeira
1455/1460
Autor: Rogier Van Der Weyden
Composição do retábulo – É um tríptico assim organizado:

  • Painel central – a adoração dos Reis Magos - 1,40 x 1,50
  • Painel esquerdo – A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora - 1,40 x 0,70
  • Painel direito – A Apresentação de Jesus no templo.

Esta pintura de Van Der Weyden foi encomendada, por um rico mercador de Colónia e encontrada na igreja de Santa Colomba na cidade de Colónia, no ano de 1801 e encontra-se hoje depositado na Pinacoteca de Munique.

Está pintado sobre um painel de madeira de carvalho, no qual foi aplicada primeiro uma camada de gesso. Sobre essa camada é que foi depois executada a pintura, repetindo várias camadas de tinta a óleo.

O que torna única esta obra é a multiplicidade e o brilho das cores; a força das cores unifica o quadro, que perderia unidade se assim não fosse, dada a multiplicidade de figuras; as expressões dos rostos; o elemento mais notável da pintura de Van Der Weyden é precisamente o tratamento cuidadoso que é dado à cabeça das personagens; uma certa contenção e gravidade das figuras.

O autor trouxe para o quadro aspectos da realidade – as roupagens, a natureza, o ambiente diário, por oposição ao sagrado, que condicionava os mestres anteriormente sobretudo os do sul da Europa – Itália, Espanha, França…  A Senhora que recebe a visita do Anjo é uma grave Senhora burguesa.

O autor

O autor foi um dos principais artistas flamengos. Nasceu por volta de 1399, em Tournai, cidade flamenga, hoje belga e viveu a maior parte da sua vida em Bruxelas, porque foi nomeado pintor oficial da cidade. Aqui faleceu a 18 de Junho de 1464 e está sepultado na catedral desta cidade.

Viajou pouco, mas sabemos que esteve em Itália e que a pintura italiana exerceu nele alguma influência; recebeu encomendas da nobreza italiana e houve pintores italianos que vieram aprender na sua oficina, porque além da técnica da composição, queriam também aprender a técnica da pintura a óleo, que era praticamente desconhecida deles.

A utilização dos óleos permitia um maior realismo, transparência e brilho.

Van Der Weyden foi um pintor muito produtivo. Estão identificadas como sendo de sua autoria, cerca de 40 obras, mas é possível que existam mais, pois não eram assinadas. Saliento que as suas obras eram, a maior parte delas, de grandes dimensões, geralmente polípticos, para serem expostos em grandes espaços, como se fazia com as tapeçarias.

Trabalhava por encomenda e enriqueceu com o seu ofício, pois os seus clientes eram nobres, ricos burgueses e até poderosas associações de comerciantes, entre as quais as conhecidas Guildas do norte da Europa.

Pintou também retratos, género em que era particularmente apreciada a sua mestria.

Um dos seus clientes foi Filipe o Bom, Duque da Borgonha, de quem ele fez um retrato, assim como de sua esposa, Isabel de Portugal, filha do nosso Rei D. João I, e Duquesa de Borgonha pelo casamento. A corte de Borgonha era uma das mais ricas e requintadas cortes da Europa daquele tempo.

Há, portanto, o retrato de uma portuguesa feito por Van Der Weyden.

Os artistas flamengos tinham sido grandes mestres na iluminura e foi na Flandres que se executou a árvore genealógica da família real portuguesa, encomendada por    Damião de Góis (1502-1574).

Os Painéis de S. Vicente têm algumas afinidades técnicas com a pintura flamenga.

Portugal teve, desde muito cedo, relações comerciais com a Flandres.

Em Bruges havia uma colónia de mercadores portugueses que gozava de privilégios concedidos primeiramente em 1411 por João-sem-Medo, o Duque da Flandres, pai de Filipe o Bom, e renovados por este, em 1438.

No entanto, as relações comerciais entre a Flandres e Portugal são muito anteriores, pois há referências aos nossos mercadores já em 1267. E as relações comercias possibilitavam as ligações à arte.

Os Artistas e a arte flamenga são conhecidos em Portugal por via das relações comerciais.

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