
|
Espaço
semanal, com publicação aos Sábados, da
responsabilidade da Concelhia de Odivelas do CDS/
Partido Popular |
|
28 |
Cultura
de qualidade |
|
Luis
Miguel Costa |
|
Sábado, 12
de Agosto de 2006 |
"O
homem comum é exigente com os outros; o homem superior
é exigente consigo mesmo"
Marco
Aurélio
Enganado pelo
título foi o leitor se, de alguma forma julgou que eu, pelo
menos desta vez iria falar de cultura. Pelo menos no sentido que o
Ministério da Cultura habitualmente entende ser cultura, isto
é, praticamente limitando-se à arte em geral, à
arte como reflexo de cultura, quando para mim, a palavra cultura
compreende bem mais do que isso.
Já passou
algum tempo, mas ainda estou bem recordado das conclusões a
que cheguei quando o ano passado vi na RTP 1 um «Prós e
Contras» que, não me recordando do título exacto
do debate, posso, com certeza afirmar que pretendeu debater a imagem
que Portugal tem no estrangeiro.
Nesse debate, e
também já não me recordo quem eram os oradores
falou-se da imagem que a Alemanha, Itália, Espanha, etc.
têm, debatendo e comparando com a de Portugal.
Mas quando me
refiro à imagem portuguesa não me refiro à que
reflecte a Constituição da República Portuguesa,
nem da cor ou tendência política da Assembleia da
República ou do Governo, mas sim de Portugal enquanto marca.
Isto é,
como é que Portugal e os portugueses são vistos
lá fora, como são vistos os nossos produtos, a nossa
maneira de viver e de trabalhar, como é que uma marca
portuguesa pode e deve ousar ser empreendedora o suficiente para com
sucesso poder saltar fronteiras.
Nesse
«Prós e Contras» deram-se exemplos de sucesso.
Sucesso pela inovação, sucesso pela
tradição, mas sempre sob a batuta da qualidade.
Se
por um lado se associa, por exemplo, os automóveis
alemães a segurança, os italianos a design, os produtos
franceses a glamour,
classe e requinte, os britânicos a cortesia, elegância,
pontualidade e até se caracteriza o seu humor, nós
Portugal o que temos?
Fazia
ideia que a Via Verde, exemplo de inovação brindado
com enorme sucesso é criação portuguesa? Sabia
que, tal como a Via Verde o software
utilizado
nas nossas caixas multibanco, para além de ser português
é exportado por ser tão bom? Sabia que a Família
Real Inglesa ocasionalmente utiliza serviços Vista Alegre?
Exemplos
de Portugal genial.
Talvez
durante o mês de Junho vi um programa na SIC Notícias,
salvo erro SUCESSO.PT onde pretendendo falar de empreendorismo
e de oportunidades
foi dito que, umas principais
dificuldades
que uma marca portuguesa encontra para crescer em Portugal é
precisamente o facto de ser portuguesa.
Conhece
a marca de roupa de homem Wesley?
Sabia que uma marca de roupa que transmite um inconfundível
estilo britânico, que rivaliza com marcas americanas como a Gant
e Arrow
é de facto, portuguesa?
Sabia
que a marca de calçado Pablo
Fuster
foi criada por uma família do norte do país?
Pense
agora porque será que os nomes não são
portugueses. Será
que para os portugueses em geral o que é nacional já
não é tão bom?
No dia 27 de
Julho de 2006, no Diário de Notícias, mais
concretamente na revista LIFE, suplemento que fazia parte integrante
do jornal, vinha publicada uma entrevista com um senhor, um homem que
respeito e admiro imenso. Um empresário de sucesso, seu nome
José Roquette.
O
dr. José Roquette disse e cito:
o percurso que a economia nacional deve seguir, para além de
todos os planos tecnológicos, é criar uma nova cultura.
É instaurar uma cultura de qualidade. (...) Esta cultura tem
de envolver os consumidores. Os portugueses têm de ser
exigentes em termos de qualidade. Hoje, os consumidores nacionais
optam basicamente pelo preço quando compram qualquer coisa. A
relação preço-qualidade fica ausente dos nossos
hábitos (...). É preciso um banho de cultura de
qualidade e é preciso que esta cultura, quando surge, seja
amparada e ajudada, porque por enquanto é uma planta muito frágil.
O
que retiro daqui imediatamente? Nós como consumidores ao
não sermos exigentes corremos o risco de um dia os produtores
também já não o serem. Se nós,
portugueses na generalidade não optamos pela
relação qualidade-preço, o que nos garante que
no futuro os produtores não sigam o nosso exemplo?
Talvez,
e espero que sim, se chegue através destes exemplos à
conclusão que, de facto, a marca-País
é um conceito cada vez mais relevante no contexto mundial actual.
Na
revista Marketeer de Julho de 2006, por Maria João V. Pinto
foi dito o seguinte:
(...) não parece haver qualquer dúvida quanto ao facto
de a globalização estar a ajudar à
concorrência entre os países no sentido de estes
conquistarem a atenção, respeito e confiança dos
investidores, turistas, consumidores, doadores, imigrantes, meios de
comunicação e governos de outros países. Uma marca-País
poderosa e positiva oferece, assim, uma vantagem competitiva
fundamental. É essencial que os países compreendam como
são percebidos pelos públicos à escala mundial,
de que forma os seus sucessos e fracassos, activos e
responsabilidades, pessoas e produtos são reflectidos na sua
imagem de marca.
Contundente,
não acham?
As
minhas intenções ao escrever este artigo não
foram apenas informar e pretender que o leitor pense um pouco acerca
deste assunto, foi também de alertar que um assunto de
interesse nacional, como este, também pode ser sentido localmente.
A
nível local, daqui por três semanas ocupar-me-ei disso.
Até lá, bons banhos.
O
autor poderá ser contactado em: miguellopescosta@gmail.com
Artigo
escrito especialmente para Diário de Odivelas
http://www.diariodeodivelas.com
Também
publicado em:O Adamastor-
http://www.luismiguelcosta.blogspot.com/
Blog
de reflexão do CDS/PP de Odivelas
http://cdsodivelas.blogspot.com/
O
tema terá futuros desenvolvimentos em: O Adamastor
http://www.luismiguelcosta.blogspot.com/ |