Espaço da responsabilidade da Comissão Política  Concelhia de Odivelas do CDS/ Partido Popular

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Hi-de vê-los, hi-de vêlos [os passeios]!

Francisco Vieira

Domingo, 27 de Agosto de 2006

Com o período e férias ainda a decorrer, resolvi apresentar dois casos exemplares da forma como os cidadãos que circulam calmamente nos passeios do nosso concelho são tratados por outros cidadãos e pelas autoridades administrativas e policiais de Odivelas.

 

Esquina da Av Augusto Abreu Lopes com a Rua Egas Moniz

 

1.  Na Av. Augusto Abreu Lopes, junto do nº 10 e na esquina com a Rua Egas Moniz, não há muito tempo, tropeçou, numa saliência no passeio (fotos em cima), uma senhora com mais de 80 anos, que em desiquilíbrio, foi projectada para a frente, caindo de joelhos no passeio, ficando apoiada numa das mãos. Em virtude dos hematomas e das dores é claro que teve de fazer exames médicos e tomar medicamentos, o que parece normal numa pessoa que deu uma queda, na via pública, com esta intensidade. Pouco faltou para ser chamada a ambulância do INEM. Entendeu não apresentar queixa porque não serve para nada.

Encontrava-me, por isso, a fotografar o local, para abordar a questão num artigo para esta Coluna, dando visibilidade ao caso, alertando os incautos munícipes para estas armadilhas na via pública.

Ora, nem de propósito, encontro junto da passadeira, estacionado, em cima do passeio, um automóvel, que obrigava a que qualquer pessoa tivesse que o contornar para poder pasar (próximo do local do foto em baixo à direita). É claro que não desperdicei a oportunidade para fotografar a cena (que, resolvi não publicar para protecção pública da identidade do autor da transgressão, apresentando, em alternativa, dois outros bons exemplos).

Qual não é o meu espanto, quando vejo dirigir-se a mim, alguém que se afirma como o seu proprietário, perguntando-me porque é que estava a tirar fografias ao carro, perguntando-me ainda se era coleccionador de fotografias. Com a maior das calmas expliquei-lhe que era para apresentar à Câmara Municipal de Odivelas, como um bom exemplo das muitas situações de veículos, que ocupam os passeios impedindo os peões de circular livremente.

O homem não se calava, pelo que lhe perguntei se não queria apresentar queixa na PSP ou se queria dar um soco. Respondeu-me que era pacífico, e, quanto à polícia era uma ... (...coisa que não reproduzirei), enfim, que se o carro estava mal estacionado a Câmara ou a Polícia que trouxessem um reboque. Em resumo, o homem é que estava incomodado,   não ter o veículo em transgressão e a incomodar os peões, mas, por ter sido chamado "à atenção". Resolvi não "fechar os olhos" nem esquecer a situação que presenciei.

 

Cuzamento entre a Av Abreu Lopes e Rua Egas Moniz (esq) e Major Caldas Xavier (dir)

 

2.  Para dizer a verdade, estas duas situações são tão frequentes nas ruas e passeios de Odivelas, que já não deve haver um munícipe que se preocupe em apresentar queixa às autoridades administrativas e policiais, como seria normal.

As situações apresentadas caracterizam-se pelas seguintes fases:

Fase (1) da Atenção ou Civilizada: Esta fase caracteriza-se pela situação em que os automóveis passaram a ficar estacionados em cima dos passeios, ainda de forma civilizada, fazendo os possíveis para "não incomodar muito", quer o trânsito quer os peões.

Fase (2) da Ocupação ou Selvagem: Caracteriza-se não só porque estão em cima do passeio como passam a incomodar, obrigando as pessoas a fazerem autênticos slalom para se desviarem dos veículos. Nem é bom falar quando se deslocam com carrinhos de bebé, que, por vezes são obrigados a virem para a rua. O que caracteriza realmente esta fase não é o veícuo em cima do passeio (deixando haver a preocupação em não incomodar), mas o "à-vontade" com que o fazem, passando a ser "um direito" ocupar o passeio.

Fase (3) da Impunidade ou Criminosa: O que caracteriza esta fase é a completa impnidade do transgressor. Todos sabem que os veículos não devem ocupar os passeios, mas, fazem-no porque se julgam com esse direito e porque sabem que as autoridades não ligam nenhuma e que ninguém se indigna ou apresenta queixa.

3.  A situação da ocupação dos passeios pelos veículos, juntamente com a situação de degradação dos passeios, são uma autêntica praga e um espelho da forma como as autoridades administrativas municipais cuidam do património municipal e que está à vista de todos os munícipes que democraticamente as elegeram.

Quando os munícipes deixam de poder circular nos passeios e são expulsos para as ruas pelos automóveis, não é, concerteza, porque nos querem proteger do estado execrável em que se encontram os passeios - sujos, esburacados, armadilhados, etc - mas, para que eles ficarem com mais espaços para estacionamento.

Voltarei, em breve, a estes assuntos, e, em especial, à questão da autoridade e ao seu exercício.


O Autor pode ser contactado pelo email favieira@gmail.com

Comentários:

Francisco Vieira

 Agradeço ao Sr. António Rodrigues a amabilidade de comentar o meu artigo. Razões diversas não me permitiram mais cedo responder.

Faz uma referência à forma desenfreada como se efectuou o crescimento urbano no nosso concelho, em particular, nas zonas urbanas, e incide o seu comentário para o PDM do nosso concelho e a minha eventual participação nas iniciativas camarárias.

No entanto, ao escrever o artigo tive apenas em mente, como referi,«apresentar dois casos exemplares da forma como os cidadãos que caminham calmamente nos passeios do nosso concelho são tratados por outros cidadãos e pelas autoridades administrativas e policiais de Odivelas». Tão só.

Como terá reparado, escrevo neste espaço da "Coluna às Direitas", há vários meses, permitindo-me abordar vários assuntos de um ponto de vista estrictamente político e, mesmo, partidário. Resolvi, desta vez escrever sobre um assunto muito diferente, porque os factos relatados, eles próprios exigiam uma maior visibilidade política. Do meu ponto de vista, seria inadmissível que dispondo de um espaço político, não escrevesse sobre algo que incomoda uma grande quantidade de cidadãos do nosso concelho e, que, num deles, não só presenciei como fui testemunha.

Reconheço que a discussão pública do PDM de Odivelas é uma questão política de primordial importância. Dele não estou alheado por qualquer forma, mas o Sr. António Rodrigues dar-me-á a bondade de reconhecer que os dois factos relatados, só de uma forma muito particular é que se podem relacionar com directa e fundamental importância.

É que, permita-me que diga, não vejo em que é que o PDM tem que ver com a falta de civismo de parte dos cidadãos do nosso concelho, quanto à forma como abordam os outros cidadãos sobre o estacionamento automóvel. A falta deste não deve permitir ou desculpar a forma incorrecta, malidecente e agressiva como, por vezes, se exprimem. Foi isto que quiz dizer.

A questão que pretendi abordar foi sobretudo, como terá compreendido, o "fechar os olhos" das autoridades administrativas (Câmara e Juntas) e policiais (PSP), a situações que são, certamente, das suas competências e que não devem depender de apresentação de reclamações ou queixas, porque estão à vista de todos, pelo menos, quando se percorrem a pé os passeios do concelho de Odivelas.

Permita-me, a descrição de uma situação acontecida em Odivelas: Em 15/8/2005, dirigi-me a uma máquina do Mutibanco, junto do Montepio Geral (na Rua dos Bombeiros Voluntários. Quando me ia embora, dei uma "canelada" num pilarete que se encontrava no local (um igual a outros que por lá estão, mas, este não tinha a "cabeça" redonda como os outros), resultado: um hematoma. A sangrar e a coxear, desloquei-me à esquadra da PSP para apresentar queixa conta a Junta Freguesia. Um dos agentes de serviço não aceitou a queixa sem ter um relatório do Hospital. Não pude receber os primeiros socorros porque o posto  (Catus) estava fechado. A PSP nem a casa me levou nem ao Hospital. A coxear fui para casa. Na 2ª fª seguinte apresentei a situação na Junta. A funcionária avisou-me logo de que não pagavam nada. Cerca de 15 depois recebo uma carta/ofício do Presidente da Junta de Freguesia, Vítor Peixoto, a dizer que só pagavam com ordem do Tribunal. Elucidativo não é? Então queixarmo-nos para quê? Entretanto fui informado que poderia ter recorrido ao Provedor de Justiça e ao IGAT. Fica para a próxima.

Moral d(est)a história: A culpa de tocar com a "canela" no pilarete é sempre da responsabilidade do incauto munícipe e da Junta apenas se e só se algum Tribunal assim o entender. Palavras para quê Sr. António Rodrigues?

Por outro lado, não vejo em que é que o PDM de Odivelas (ou a falta dele, como é a situação actual), tenha a ver com a situação actual de grande parte dos passeios do concelho de Odivelas que se encontram:

1. sujos, por falta de limpeza frequente;

2. desnivelados, em grande parte, por obras efectuadas, que, quando acabadas deixaram as suas "marcas" nos passeios com "altos" e "baixos";

3. esburacados, (também por ocupação indevida dos automóveis), e, que, não recebem a manutenção frequente que seria sempre devida, ainda que não houvesse automóveis a ocupá-los, porque, há casos em que os automóveis nunca o fizeram ou já não os ocupam, devido a pilaretes, entretanto colocados, mas os "buracos" ainda lá estão à vista de todos.

4. ocupados por "armadilhas", (saídas de água. esgotos, etc) para qualquer idoso, criança ou deficiente, que em vez de olhar em frente quando caminha tem de o fazer com os olhos no chão.

Sr. António Rodrigues, fico-me por aqui, permitindo-me, abordar no futuro a questão importante para o concelho, como ambos reconhecemos, que é o PDM.

Por último, encontro-me dispónível para trocar impressões consigo e a envolver-me na minha qualidade de munícipe, nas formas que forem possíveis, para mudar e melhorar  o nosso concelho.

Apresento os meus melhores cumprimentos.

António Rodrigues

De facto as nossas cidades sofrem consequências graves do seu crescimento desenfreado. Os arruamentos e passeios não estão dimensionados para acolherem os automóveis e os peões, as infra estruturas não estão devidamente colocadas (...), tantas outras situações se podem apontar.

Tal situação deveria em minha opinião fazer-nos reflectir sobre o que queremos para a nossa urbe, e daí encontrar soluções e sugeri-las a quem de direito, intervirmos como cidadãos para que tenhamos melhor cidade (...).

Caro concidadão Francisco Vieira, deixe-me fazer-lhe algumas perguntas.

Visitou a exposição sobre o PDM do nosso Concelho? 

Participou nalgumas iniciativas públicas de discussão sobre o PDM ou sobre a mobilidade urbana?.

Conhece o departamento da Câmara Municipal que tem competências na área?

Caso deseje trocar algumas impressões e até envolver-se como munícipe numa perspectiva de cidadania participada, para termos melhor cidade, eu estou disponível para colaborar consigo.

Concordo inteiramente com o seu espírito de cidadão, todos somos responsáveis pelo sítio onde vivemos.

Cordialmente 

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