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Eu ouvi falar das consequências desastrosas do aborto na primeira pessoa

No passado mês esteve em Portugal numa conferência aberta ao público a mulher que fez com que o aborto se tornasse legal nos EUA, Norma McCorvey. Eu fui ouvi-la. A ela e a um grupo de mulheres que assumem que praticaram o aborto há uns anos.

As histórias destas mulheres impressionaram-me. O que as terá levado a fazer tal coisa? E se o fizeram porque atravessaram o Atlântico para nos vir falar de uma coisa tão íntima como é esta nas suas vidas?

Tudo o que deixaram transparecer é que fizeram o que fizeram, porque nunca ninguém lhes dita dito os diversos tipos de riscos a que ficariam sujeitas no futuro. Passo a enumerar o que desconheciam:

- que o bebé que tinham dentro de si a desenvolver não era apenas uma massa de tecido;

- que no futuro poderiam vir a ter, tal como tiveram, complicações em futuras gravidezes (estamos a falar de abortos legais);

- que as suas vidas desde então passaram a ser um inferno devidos aos sentimentos de culpa e vergonha, e que para superar isso se entregaram ao álcool e ás drogas; as que já  tinham experimentado regressaram, levando-as inclusivamente a estados de depressão e em muitos casos a cumprir penas judiciais. Muitas destas relataram que  na origem deste facto esteve a prática do aborto. Muitas ainda tentam suicidar-se;

- de que nem sempre a ideia de que o que ‘é legal é seguro’ faz parte da verdade;

- de que após um aborto passariam a  rejeitar os seus próprios filhos;

- de que nem sempre a escolha entre o namorado/marido (que muitas vezes é quem incentiva o aborto), em desfavor do bebé, é a decisão perfeita/certa, pois hoje sabe-se que estas relações terminam passado pouco tempo na maioria dos casos;

- de que os médicos que fazem abortos têm pouca consideração pelas mulheres que os praticam; Norma apercebeu-se disso pois trabalhou numa clínica de abortos
- que com a legalização, o nº de abortos aumentaria exponencialmente, pois a partir do momento em que é legal, as pessoas estão mais livres para o fazer;

- que o nº de mulheres a abortar mais de uma vez aumentaria também, e nestes casos o aborto não se fazia só por ter havido violação, incestos ou preservação da vida da mãe;

- que o nº de crianças maltratadas não diminuiu;

- de que isso levaria a que se viesse a praticar mais tarde o ‘aborto do nascimento parcial’;


- de que desde então e até hoje nos EUA haveriam 43 milhões de pessoas a quem não foi dado o direito de nascer e Norma responsabiliza-se hoje por este facto.

Mas havia outra coisa que não sabiam: que a história de Norma McCorvey  foi isso mesmo, uma história; que foi uma trama inventada por ela e defendida pelas suas advogadas e que fez com que o caso dela chegasse ao Supremo Tribunal fazendo com que o aborto se tornasse legal nos EUA. Resumindo, o aborto nos EUA é legal baseado numa mentira!

O que nós hoje sabemos é que já passaram 33 anos desde então e de que estes testemunhos verdadeiros e reais não se podem ignorar! Nós não podemos viver e fazer de conta que isto não é verdade. Foram histórias dramáticas contadas na primeira pessoa! Depois destes testemunhos percebemos que já alguém aprendeu com os erros por nós e o nosso país se negligenciar isto mostra que está ou distraído ou anestesiado. Além disso, ao dizer sim ao aborto está-se a dizer que o aborto é uma coisa moralmente aceitável!

Cristina Grosso
Publicado em 01-02-07

Comentários

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Jorge manuel Nunes Martins

Pensei vária vezes se havia de comentar esta noticia(mais artigo de opinião) e decidi-me a fazê-lo porque quero crer que a articulista a fez de boa-fé. Cá vai o comentário.

Diz a Cristina que foi ouvir uma conferência em que a cabeça de cartaz era Norma MCCorvey e que não sabia o que teria feito aquela senhora e mais algumas outras, atravessar o Atlântico para contar partes intimas das suas vidas. Eu informo, caso não saiba mesmo. Vieram a convites de duas associações, Missão Vida e Juntos pela Vida, associações que votam pelo Não no referendo do dia 11.

Diz que fizeram o que fizeram porque não sabiam que estavam a gerar um filho? Sabim de certeza e algo nas suas vidas fez com que decidissem abortar. Não sabiam os riscos que no futuro poderiam ter. Mas a Cristina acredita que as mulheres que se sujeitam a abortar o fazem de animo leve? E se tiverem complicações futuras essas complicações não serão agravadas se ao invés de o fazerem num hospital com todas as condições o fizerem nas mãos de curiosas.

Que as suas vidas passaram a ser um misto de vergonha com todas as consequências negativas incluindo o suicidio. E as que fazem clandestinamente? Andam felizes da vida a apregoar aos quatro ventos que ficaram muito contentes por terem feito um aborto?

Nem tudo o que é legal é seguro diz a Cristina. Pois não, mas ainda assim é melhor viver/fazer na legalidade. Não acha?

Que após o aborto passariam a rejeitar os próprios filhos. Não vejo a correlação ciéntifica para tal afirmação já que muitos pais tem os seus filhos normalmente, nunca houve abortos na familia e esses mesmos pais rejeitam os seus filhos ao ponto de abusarem deles fisica e sexualmente.

A "escolha" proposta pelo marido/namorado é outra falsa questão.Se a mulher decidir caso o possa fazer, terá, caso decida pelo aborto, terá dizia eu, sempre mais apoio num hospital publico onde inclusive poderá ouvir opinião que a faça mudar de ideia do que numa parteira de vão-de-escada cujo unico interesse é facturar.

Que os médicos tèm pouca consideração pelas mulheres que abortam. Não sei qual a ideia que a Cristina faz dos médicos. Eu acho que só os que fazem abortos (são médicos?)clandestinos não respeitam as mulheres.

Que o numero de abortos aumentaria exponencialmente com a despenalização. Voltamos á ideia de que as mulheres abortam por prazer ou por capricho. O numero não aumentará ou diminuirá. As condições de assistência é que mudam e para melhor. 

Que as crianças continuaram a ser maltratadas. E o que é que uma coisa tem que ver com outra? Com o aborto penalizado as crianças não são maltratadas? Em Portugal as crianças não são maltratadas apesar da penalização? Para quê esta demagogia?

Que morreram 43 milhões de pessoas. E se fosse ilegal quantas teriam morrido? Pode dar-me o número?

No fim, a Cristina diz-me que a senhora em causa mentiu para legalizar o aborto. Quem lhe garante que a senhora em causa é mais honesta agora. Caso não saiba nos EU para ganhar uns cobres até a alma da mãe se vende. &nbsp;<br />&nbsp;<br />Cristina, sinceramente, se eu lhe perguntar, se uma mulher que aborte deva ser condenada, a Cristina possivelmente dirá que não. Então vote a favor da despenalização do aborto.

Cristina, acredita que caso vença o Não os abortos terminam de imediato. Concordará que não, pois não acredito que não veja a realidade. Como não quer penalizar a mulher, deverá votar SIM.

Se acha que os hospitais apesar de todas as carências, prestam um melhor apoio às mulheres que os fazedores de desmanchos clandestinos, vote SIM.

Se acredita que só algumas mulheres o podem fazer porque têm dinheiro para isso em clinicas estrangeiras e não são penalizadas, vote Não.

Não sou a favor do aborto, sou contra a penalização e por isso voto SIM.

12-02-07 - 20h00

Recebido a 01-02-07 e só publicado agora por lapso da nossa redacção. As nosssas desculpas ao autor


Maria Machado

É bonito ter a oportunidade de ler um testemunho verdadeiro em defesa da vida.

12-02-07 - 20h00

Recebido a 01-02-07 e só publicado agora por lapso da nossa redacção. As nosssas desculpas ao autor


Ricardo Saldanha

Muito bem, é assim mesmo.

12-02-07 - 20h00

Recebido a 01-02-07 e só publicado agora por lapso da nossa redacção. As nosssas desculpas ao autor

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