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187 - O povo é quem mais ordena.

 Inicialmente, ideia libertária é feita de vontade busca de mudança, ninguém nega estar hoje esta ideia associada a um sofisma. Democraticamente tal premissa como princípio era bonito e motivador, no entanto outros há que tirando proveito disso, só se dizem do povo quando lhes interessa, altruísta ou de visão distorcida dos factos, com perspicácia mais apurada e abrangente, chegam a defini-la como um pau de dois bicos manipulam tudo e todos, identitários de objectivos preconcebido, bem colocados e encima da mesa de quando em vez, ou em banho de Maria de modo disponível e á mão, conforme as circunstância e a temperatura do momento, com o intuito de Zé confundir e enganar se possível, á primeira cajadada.

- Uma alarvidade dos tempos e dos homens, por inerência daqueles que orientando as suas democracias e não as dos outros, se tentam encaixar em pontos chave, ou fugir dos eventos a sete pés quando vêem o caso mal parado, com algum custo nos tentam ensinar e com grande lábia nos encaminham o que devemos fazer e o que é melhor para nós, nunca nos dizendo o que é melhor para eles, nem qual o seu quinhão.

- Estranho que se fale e defenda os interesses de terceiros, sem se saber a verdade dos assuntos escondidos e tabú criados, tendo de imediato na ponta da língua a democracia e aquilo que a raia miúda se deve contentar, deixando aos graúdos a bondade dos pareceres que entenderem para enriquecer as soluções.

- Se a expressão “ o povo é quem mais ordena” for aceite e, não estiver colocada em causa por iluminados políticos e seus assessores, onde a sorte arriscam, coitados digo eu, valendo-se do problemático geral dos portugueses onde o descrédito facilmente se esquece ainda que á boca das urnas, assim como os ridículos da envergonha e da contradição, passando estas despercebidas por vezes, ainda que assim não aconteça, já não fazem mossa, dada a habituação democrática, com vergonha ou a falta dela, se dá o nome de política.

- A diminuição da liberdade estará em curso, muitos por ela têm lutado, outros tantos viraram casaca, outros há que, não se aperceberam dos seus efeitos, continuando com exigências em demasia e, abusando á força toda até que puderam e agora parece-lhe mal, como que de um regabofe se tratasse despejaram-se cofres á pazada, e, para que a paranóia se distribua equitativamente por todos, direi que ao contrário dos “ismos” tão em moda e que cobriram as paredes de lés-a-lés, hoje mais de metade dos vivos, nada de concreto sabe dizer sobre palavras irritantes ou descabidas, tais como – salazarismo, absentismo, nazismo, golpismo ou até mesmo, novo-riquismo.

- A conversa mole que sustenta os decisores de hoje, embala-nos até nos deixarmos adormecermos, após o ressonar, verificamos que afinal que a tal conversa tem duplo valor e sentido, que não será bem assim, podendo ainda dar-se um arranjo ainda que publicada, onde os cargos e sub cargos, assessorados, coincidências e cálculos, primam pelas suas ausências, desculpando ou enfeitando o ramalhete, onde os dominantes cifrões, também mudaram mas que, ao contribuinte comum nada resolveram, muito pelo contrário.

- A habitual lamúria que se imputa aos outros, é toque a rebate, quando não se gosta de ouvir ideias diferentes, são o preço atribuído por quem vê a realidade vista e vivida na base, tem a verticalidade dos sábios e sérios, incapazes de enganar seja quem for. Quando ao bufa bufa vendido diariamente, acerca do ambiente e a necessidade de poupar energia e não só, com que concordo amplamente mas de pé atrás, deparo-me diariamente com a iluminação pública acesa, do bairro onde moro durante o dia, para lá dos tempos expectáveis de reparação e seus imponderáveis, a iluminação pública acesa para lá das 14 horas, concebe-se por avaria ou por desleixo de alguém e certamente esse alguém, não monitoriza os prejuízos nem os assume.
 
- Avaria não será, apurar os factos e pedir a responsabilização não valerá de nada, nestas coisas ditas sérias, os prejuízos alguém os pagará, as costas quentes submergem no interior fechado das organizações funcionando ao sabor ou em cartel, com desculpas mil e de caris estanque, o melhor mesmo é cada qual estar quietinho, antes que nos calhe a fava.

- Com crédito ou descrédito, puxem ou empurrem a minha visão tem vindo a alterar-se, esta coisa não passa da cepa torta e começo mesmo a pensar que a vida é constituída por ciclos, uns maus outros diferentes, não tendo motivos bastantes para aderir a uma qualquer fumaça, ainda jovem como sou, vejo os mais idosos a não embarcar nem fazer travessias em desespero, pois sabem que desde muito novos – ninguém dá nada a ninguém… é só promessas, nem foi a trabalhar que viram os vizinhos crescer. Os mais novos, os adolescentes, sim esses memos que se vêem em papos de aranha para almejar um trabalho que, não seja á hora, ou onde as Agencias de Emprego, não tenham guarida.

- Na mocidade a imaginação e o sonho são férteis, na tentativa do encaixe e modo de vida junto dos adultos, testam os seus limites por vezes sem qualquer benefício, sendo possuidores de conhecimentos e comportamentos dignos, depressa compreendem que os sonhos anteriores não passam de desilusões, tornam-se em tormentos, ao tentarem com simplicidade e ingenuidade, continuar a ser fã de determinados ídolos que enfeitam os televisores e entopem a rádio, reconhecem que não basta saber dançar, manter a postura através do aperfeiçoamento da coordenação motora, mantendo a forma através dos desportos, é necessária a estrelinha.

- Na verdade estarei eu a delirar com o tópico anterior mas, essa coisa de que -“O povo é quem mais ordena”  brada aos Céus e na terra de alguns figurões de alto calibre.

Publicado em 03-12-07

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