“(...)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...”
Fernando Pessoa
Crise de valores? Crise económica? Organizacional? De liderança? Nada disso... O Português é optimista. Tudo se resolve!
Poderá parecer estranho afirmar isto quando, habitualmente, nos caracterizamos como melancólicos, cinzentos, pessimistas e quando parece que a banda-sonora das nossas vidas é o Fado.
Mas foi divulgado, no dia 26 de Fevereiro, um estudo estatístico sem precedentes na União Europeia que vem abalar ideias pré-concebidas.
O estudo, efectuado pelo EUROSTAT, que conta com 26755 inquéritos realizados na Europa dos 25, começa agora a divulgar resultados curiosos.
Antes de referir números, gostava que cada leitor pensasse qual é, na sua opinião, o país europeu que deveria, ou poderia, servir de modelo para Portugal.
Mais do que modelo, qual é o país europeu que, devido às suas opções, faz com que os seus habitantes se sintam confiantes no futuro?
Alguns responderão nenhum. Outros a Inglaterra, ou França, ou algum país do Norte da Europa, género Suécia ou Dinamarca.
A 26755 europeus foi feita uma pergunta que reflecte o optimismo que têm no futuro. Uma pergunta que indica os resultados das “boas práticas internacionais” pela Europa fora.
Ora, foi questionado se:
“As crianças de hoje vão ter a vida mais fácil do que teve a minha geração?”
57% dos portugueses acham que sim.
Curiosamente apenas 8% dos franceses, 8% dos suecos e 3% dos alemães têm a mesma opinião.
Quando respondeu à pergunta que lhe fiz, incluiu algum destes países?
Não? Se não, procure aqui:
Reino Unido – 16%;
Itália – 15%;
Malta – 10%;
Grécia – 13%;
Eslovénia – 14%;
Áustria – 16%;
República Checa – 15%;
Holanda – 14%;
Bélgica – 13%;
Luxemburgo – 14%.
Curioso, não acham?
Então e o “pelotão” da frente? Bem... Acima dos 50% só nós e a Lituânia(51%).
É verdade! Em optimismo somos os maiores da Europa.
Bem... Com isto, proponho que, agora, acabe o martírio. Que acabe a auto-flagelação. Que se acabem com as propostas jacobinas, somente porque lá fora se faz o mesmo.
José Sócrates, em entrevista ao semanário Expresso no dia 17 de Fevereiro, perante a pergunta: “Quando fala das boas práticas internacionais está a pensar em que países?” , respondeu o seguinte: “França, Alemanha e Itália. (...)”.
Pena é os franceses, alemães e italianos não partilharem da mesma opinião.
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