Foi no passado dia 16 de Março que o Centro de Congressos de Lisboa acolheu perto de um milhar de militantes de todo o país apoiando Paulo Portas à liderança do Partido Popular.
Há a óbvia necessidade de afirmar a presença da direita na vida política do país já que não o é na sua governação. A verdade é que, como já afirmou Portas, existe uma débil oposição ao governo; sendo encabeçada por um partido ‘social-democrata’ que aparentemente não se diz nem de direita nem de esquerda, e com um líder hermético, formal e pouco cativante do eleitorado.
Questões de fundo como a privatização da segurança social dando verdadeira escolha ao contribuinte, aumento visível da segurança urbana e ordem pública, reestruturação dos serviços judiciais, revisão duma constituição economicamente castrante entre outras tantas coisas continuam ainda por fazer.
O efeito D. Sebastião parece estar a fazer efeito no partido mas Paulo Portas, caso seja eleito, tem a tarefa árdua de recuperar a identidade da direita portuguesa, torná-la duradoira nos anos vindouros e para além disso tem que reformar o partido sem causar a excomunhão do seu passado histórico (encapsulado na velha máxima de Adriano Moreira «o CDS sempre foi um partido de pessoas que se odeiam cordialmente»). Até agora ele foi quem mais teve sucesso.
Os media, ingenuamente, sempre afirmaram que o CDS-PP tem sido um partido unipessoal, moldado pelo carisma de pessoas como Manuel Monteiro ou Paulo Portas mas tocando nalguma réstia de verdade, apesar de tudo. O principal problema com que o novo líder terá de se defrontar, é a incapacidade do Partido em querer renovar os seus quadros com alguma continuidade e fazer a transição para o futuro. Paulo Portas tenta uma segunda vez mas mesmo sendo eleito não irá durar sempre. Ribeiro e Castro foi fundador da Juventude Centrista e secretário de estado adjunto no governo da AD, tem bastante experiência política mas seria de pensar que o partido pudesse ultrapassar a geração que resultou da sua génese.
No seu discurso no jantar de apoio Portas frisou o papel que a juventude teve na sua primeira eleição à liderança do partido. Espero também, que o seu herdeiro político provenha daí. A nova direita só pode provir dos jovens. Só a juventude actual é desprovida dos traumas do 25 de Abril e consegue pensar de maneira diferente do poder instituído. É na minha geração que deposito a esperança para o futuro.
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