Tudo o que vale a pena fazer vale a pena fazer bem feito.
Lord Chesterfield
No passado mês de Março comemorou-se o 50º aniversário do Tratado de Roma.
Um notável marco histórico que mudou para sempre a Europa e o mundo. Criou-se uma nova e reforçada força europeia, uma nova visão da Europa – unidade na diversidade. Ganhou-se novas formas de entender o mercado, novas mobilidades. Novas ideias e novos compromissos, novas políticas e novas liberdades. Uma Europa mais livre, mais segura. Uma Europa em paz.
Arrependo-me de não ter guardado o artigo que li onde mostrava, por A+B, que o mundo hoje está mais livre. A nós portugueses, europeus, parece-nos um lugar comum. Soa a frase feita. Mas no artigo que li, e refiro-me a ele sem o ter presente, é magnifico constatar a quantidade de países que nos últimos anos deram os primeiros passos a caminho da liberdade.
Estarão recordados da polémica que houve em torno da invasão do Iraque? Repararam que, com o passar dos meses, a polémica virou celeuma, e, com o passar dos anos, a celeuma virou ódio.
Todos recordamos como a invasão do Iraque deixou o Ocidente a odiar Bush e Blair. Um pouco por todo o mundo livre foi expressa a opinião contrária à guerra. Em cartazes, artigos, cartoons, manifestações, etc.
Esse ódio, na minha opinião confuso, decorreu de muitos ocidentais terem deixado de se insurgir contra injustiças, especialmente as que acontecem bem longe de casa. “Com o mal dos outros posso eu bem...”.
Os mesmos ocidentais que contra a invasão protestaram, contra os políticos se insurgiram, inclusive quando o terrorismo bateu à porta, são capazes, posteriormente, de sentir ternura no momento em que se enforca um ditador que torturou, diminuiu, ofendeu e reprimiu o seu povo. Valorizam a democracia dentro de casa, esquecem-se dela além fronteiras.
Como é possível serem tão rápidos a condenar violações de direitos, sejam eles quais forem, no nosso país e desvalorizar violações repulsivas quando acontecem longe?
Defender a democracia consiste em rejeitar todas as formas de totalitarismo. E o espírito democrático ocidental implica combater essas atrocidades. Deixar de defender energicamente a democracia ocidental é pôr em causa os valores que tradicionalmente nos caracterizam como portugueses e europeus.
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