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David Ramos Martins

Quarta-feira, 29 de Novembro de 2006

"Não se revolta um povo inteiro
senão quando a opressão é geral."

 John Locke

Vivemos actualmente numa sociedade em que as oportunidades oferecidas aos jovens são muito inferiores às que foram colhidas pelos seus antecessores. A geração dos baby-boomers tem hoje a maioria dos empregos tomados e seguros graças aos sucessivos governos dos grandes partidos, desde o 25 de Abril. O discurso dos direitos adquiridos protege o posto de trabalho de quem está empregado na mesma função há anos e deixa o jovem que está a tentar construir a vida à deriva entre o emprego precário e o desemprego.

Nos finais dos anos sessenta, os jovens saíam da Universidade e sabiam que tinham logo emprego, adquiriam carro e tinham o seu plano de vida orientado. Hoje, apesar de os jovens serem muito mais qualificados, os quadros de topo das empresas, os cargos políticos e os grandes empresários continuam a ser os mesmos de há vinte anos. O nível de vida dos jovens baixou. Mas, sobretudo, o que baixou em absoluto foi a ambição, Portugal não autoriza os seus jovens a sonhar.

Ramalho Eanes foi eleito Presidente da República aos quarenta e um anos. Hoje, nenhum jovem se vê nessa posição quando tiver a mesma idade. Pior, é que os jovens têm consciência deste problema e estão angustiados com a falta de dinheiro e perspectivas de futuro. Desta forma, não é de estranhar que, em Portugal, os ídolos dos mais novos sejam os actores das novelas e os jogadores de futebol.

Herdamos uma Constituição onde não nos revemos. Fomos, à nascença, limitados na nossa liberdade com um documento que, paradoxalmente, sacraliza o socialismo quando vivemos numa democracia pluralista. Como pode, o documento maior da Nação, preconizar um sistema de segurança social que nos hipoteca o futuro? Esta Constituição, na realidade, é um documento egoísta, esqueceu-se dos jovens. É necessária uma Constituição fundada na abertura a todos os modelos sociais existentes, aceite por todos e para todos. Uma Constituição moderna, mais livre, mais justa e flexível de forma a responder aos desafios do Sec. XXI.

O papel da Juventude Popular não pode ser outro senão o de defender um futuro mais próspero para os jovens, fazê-los voltar a ter ambições, projectos e sonhos numa democracia verdadeiramente pluralista. Portugal tem de reconciliar os seus jovens com a política e fazê-los voltar a acreditar que é possível vencer.


Artigo também disponível em Direita por Linhas Tortas

Comentários

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Tiago Afonso

 Infelizmente é assim a actual situação que se vive no nosso país!

Resta-nos lutar e sonhar com um Portugal melhor, com um Portugal mais "livre", com um Portugal mais justo, com um Portugal melhor economicamente, com um Portugal melhor para todos e em especial para os jovens...

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21-11-06

Uma geracção que não viveu o 25 de Abril

André Carreira

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