"É certo que os fumadores causam alguns incómodos aos não fumadores, mas tal incómodo é físico, ao passo que o incómodo que os não fumadores causam aos fumadores é espiritual"
Lin Yutang
A expressão «Fumar Mata» é hoje uma verdade adquirida que ninguém contesta. Muitos de nós aprendemos, sozinhos, a rejeitar o fumo – o nosso e o dos outros – ou pelo menos aprendemos a estar sensibilizados para os malefícios do tabaco.
Ao que parece, até há bem pouco tempo, vivíamos aparentemente bem e sem grande sobressalto: os fumadores tinham liberdade para fumar na maior parte dos locais e os não fumadores possuíam naturalmente a liberdade de optar por frequentar ou não frequentar esses mesmos locais onde é permitido fumar. Esta situação seria justa se não existissem, também, locais de frequência obrigatória para os cidadãos (tribunais, hospitais, escolas, etc.). Nestes casos particulares, a velha máxima de que “a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do próximo” deve ser enunciada por estar a ser posta em causa a liberdade de uma das partes – a do não fumador.
Quando um cidadão não fumador acede, por opção, a um estabelecimento no qual sabe previamente que é permitido fumar não se pode queixar de que a sua liberdade esteja a ser violada pois ao entrar naquele estabelecimento está a aceitar um conjunto de regras de convivência que o proprietário do espaço estabeleceu. Já num local de frequência obrigatória, onde o acesso não é voluntário, deve ser garantido o respeito pela liberdade do não fumador.
Um dos papéis mais nobres de um Estado e também uma das suas funções mais importantes é a defesa da liberdade individual. Se é verdade que cabe ao estado o papel de proteger a liberdade quando esta é posta em causa, já não é verdade que lhe caiba o papel de pensar por nós ou escolher o que é melhor para nós quando, enquanto seres dotados de inteligência, o podemos fazer.
O projecto lei do Partido Socialista, que prevê a proibição do fumo em todos os espaços fechados, vem passar um atestado de estupidez aos cidadãos portugueses não fumadores. Este governo socialista não acredita na capacidade individual dos cidadãos não fumadores para escolherem, em liberdade, se preferem frequentar um local com fumo ou sem ele, com as devidas consequências para a sua saúde. Para o PS do (Eng.º) José Sócrates tem de ser o Estado a agir pelos cidadãos, tem de ser o Estado a pensar por eles e a decidir o que é melhor para a sua saúde.
E a que custo se faz isto? O governo impõe a sua visão a custo de liberdades alheias: proibindo os donos de estabelecimentos privados de decidir o que fazem na sua própria propriedade; ou discriminando os fumadores ao retirar-lhes a liberdade de poderem fumar em locais de frequência não obrigatória aos cidadãos, onde só vai quem quer.
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Isidoro Roque
Não sou político! Acho que é bom frisar antes de começar.
Sou apenas um pobre fumador, pelos vistos, para mal dos meus pecados, que neste momento se sente um criminoso e penso que falo pelos 30% (onde será que este número foi obtido) dos portugueses fumadores, ou não, pelo menos falo por mim.
Eu compreendo e aceito com toda a naturalidade que os outros não queiram fumar do meu cigarro, aliás eu também não quero que eles fumem, afinal de contas o cigarro é meu, só não aceito e não compreendo que para isso eu tenha que fumar na rua, faça sol ou chuva, que não possa beber um café e fumar um cigarro, que tenha que deixar de frequentar os locais que frequento há dezenas de anos, que se estiver com um grupo de amigos num café onde todos sejamos fumadores, por estranho que pareça acontece com frequência, tenhamos que interromper a conversa e vir fumar para a rua.
O grave da questão, não é haver locais para não fumadores, o grave é não haver locais para os fumadores poderem passar as suas horas de lazer. O grave é os fumadores serem tratados como um alvo a abater, o inimigo público número um, o foco de todos os males.
Esta “estória” faz-me lembrar o apartaide (penso que está bem escrito, já passaram uns anos as pessoas já esqueceram) na África do Sul e na Rodésia, para quem não saiba ou não se lembre este sistema politico fazia a separação das raças, de um lado os brancos (os bons), do outro as outras (os assim-assim) e lá mesmo no fundo os negros (a ralé) que não podiam frequentar os mesmos locais que os outros, que eram olhados com desdém e tratados abaixo de cão.
Ora eu hoje começo a sentir-me um negro (por acaso, mas só por acaso, sou branco) da África do Sul ou Rodésia daqueles tempos, é que só falta tratarem-me abaixo de cão.
Claro que eu pago os meus impostos e para mal dos meus pecados, para além de fumador sou automobilista, o que quer dizer que sou um dos grandes financiadores do Estado, para quem não sabe o que quero dizer, experimente saber qual a incidência dos impostos directos e indirectos (aqueles que à luz da lei são ilegais mas que continuam a ser aplicados contrariando todas as directivas da CEE) aplicados ao tabaco, aos combustíveis e aos automóveis, logo penso que tenho todo o direito a ser tratado (como qualquer português, mesmo aqueles que não pagam impostos nem descontam para a segurança social) se apanhar o cancro, é que afinal eu estou a pagar antecipadamente para poder ser tratado.
Por falar em automóveis acho estranho alguns, felizmente não são todos, antitabagistas militantes criticarem o meu cigarro e não terem pejo de utilizar o automóvel para irem ao café do fundo da rua, esse pequeno percurso polui mais do que os cigarros que eu fumarei em toda a minha vida, mas… andar a pé é cansativo e além do mais evitam encontrar um fumador que deite o fumo do cigarro para cima deles
Quanto ao sermos nós os causadores de não serem construídas mais Escolas, Hospitais etc. porque podemos ficar doentes e temos que ser tratados, é com certeza para rir, rir e a bom rir. Os causadores do estado em que o País está, não são os fumadores, SÃO OS POLITICOS que nos governam e os que fazem oposição, é que se uns não prestam os outros não são melhores, por exemplo é estranho que num País que está de rastos (segundo os políticos) os nossos políticos tenham ordenados idênticos, quando não superiores, aos dos políticos dos países mais ricos do mundo… Mas, isto é outra conversa e eu não quero ir por ela, por isso, adiante, foi apenas um aparte.
Para terminar, que a conversa já vai longa e ninguém deve ter lido isto até aqui, quero ainda acrescentar que acho no mínimo estranho que nos locais onde é proibido fumar, como por exemplo as pastelarias, não seja proibido vender cigarros, é no mínimo estranho e é ainda mais estranho ainda não ter visto os "defensores" dos não fumadores a protestarem por este facto. Fica a curiosidade.
Peço desculpa por ter sido longo e por ir contra a ideia dominante, mas… sinto-me triste…
31-05-07 - 13h00
David Ramos Martins
Caro Pedro Miguel.
Antes de mais, muito obrigado pelo seu comentário.
Quando um qualquer cidadão assina um contrato de trabalho está a aceitar um conjunto de condições que o desempenho da função requere.
Se aceitou o contrato de trabalho proposto por uma empresa de restauração, que permite o fumo nesse local, não se pode sentir agredido na sua liberdade. Aceitou o contrato de livre e espontânea vontade. Ou sugere que primeiro se aceite o contrato e só depois se reclame?
De facto que "Triste sina a dos trabalhadores deste país". Sina que eles próprios escolheram, tal como o mineiro ou o vendedor de flores que é alérgico ao pólen.
Não é uma questão de civismo mas sim de direitos e liberdades. Os fumadores não devem ser descriminados e têm direito a fumarem em qualquer café privado, desde que o dono do estabelecimento autorize. Os não fumadores possuem naturalmente a liberdade de optar por frequentar ou não frequentar esses mesmos locais.
30-05-07 - 19h00 - Recebido a 16-05-07
Paulo Miguel - Eleito da CDU na Assembleia de Freguesia de Odivelas
Claro que para o Sr. David Ramos Martins todo o trabalhador que exerce a sua actividade, num desses estabelecimentos, não restará mais do que despedir-se, caso pretenda evitar o cancro ou então permanecer empregado, sabendo que, de certo, não vai poder gozar a reforma ou talvez a goze mas com a companhia de uma garrafa de oxigénio 24 h por dia.
Triste sina a dos trabalhadores deste país.
Será que se eu estiver dentro de um café e espirrar para cima do Sr. David, ele irá ficar chateado comigo? Afinal não é proibido espirrar nos cafés e eu também tenho a liberdade para o fazer! Será falta de civismo, mas proibido não é!
O problema desta história toda é que os futuros políticos já pensam assim, ou seja, o Sr. David, pela sua lógica de pensamento, estabelece que não podemos impedir a liberdade dos outros, mesmo que essa liberdade mate mais que os acidentes de automóvel e que represente para o estado, ou seja os nossos bolsos, milhões e milhões de euros em impostos que têm de ser canalizados para o tratamento das doenças causadas pelo tabaco em vez de serem aplicadas em escolas, centros de saúde, jardins de infância, etc…São opções.
Eu acho que os 70% de portugueses que querem a proibição do tabaco estão certos e que todos têm o direito de comer um bolo e beber uma bica sem fumo de tabaco.
16-05-07 - 15h00
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