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Aposte em si!

Luís Miguel Costa

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2006

Aquele que se empenha a resolver as dificuldades, resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos, triunfa antes que as suas ameaças se concretizem

Sun Tzu

 

Há algum tempo para cá que é visto na televisão, em revistas, em outdoors, etc. uma campanha publicitária que é, ao mesmo tempo, assustadora e brilhante.

Mas, acima de tudo, é um sinal de alerta.

E foi esse mesmo o efeito que teve em mim, quando, um dia ao folhear uma revista, vi, numa página inteira, uma foto de uma criança e uma frase, supostamente dita por essa mesma criança, que me tocou bastante. Ainda mais estando eu a trabalhar e a estudar para um dia exercer essa profissão... A criança disse: "Eu vou ser o último oceanografo português ".

Mas não é da campanha, nem do movimento que está por trás da mesma que quero falar.

Adianto, no entanto, os seguintes factos:

  • De 1991 a 2001, o número de licenciados quadruplicou. Passando de 5.6 para 20.6%.

  • De 1991 para 2001, triplicou os casos de jovens empregados com o ensino superior.

  • 35% dos jovens saem do sistema de ensino sem ter completado os nove anos da escolaridade obrigatória.

  • O tempo médio de desemprego de um licenciado é quase metade de um não licenciado.

Assustador por um lado, motivador por outro. Contraditório, não tenhamos dúvidas.

Outro facto: os jovens de hoje saem de casa dos pais cada vez mais tarde e, como tal, cada vez mais tardiamente obtém a sua independência.

Perante esta afirmação põe-se a dúvida: Porque?

E será que a resposta indica que há falta de segurança, ou existe um sentimento de insegurança? Isto é, o perigo é real? É seguro um jovem ingressar no mercado de trabalho sem formação que o diferencie de milhares? É seguro confiar na sua, por vezes fraca formação, e casar, comprar casa e carro? É seguro ter filhos quando não se tem segurança financeira? E a que idade se vai ter? E até lá? A que idade nos dias de hoje, tem um jovem a vida orientada?

Vejamos as diferenças de há 20 anos para cá:

Há vinte anos atrás, na maioria dos casos, os jovens de 23 anos estavam empregados. Se calhar, com sorte, mantiveram esse emprego até aos dias de hoje. Isto é, mobilidade profissional zero, segurança profissional, toda. Há vinte anos atrás, quantos jovens de 23 anos estavam casados? E com filhos? E em casa própria?

É legitimo perguntar o que mudou...

Os jovens de hoje, por outro lado, têm três grandes opções. 

1.Completar a escolaridade obrigatória, isto é, 9º ano;

2.Estudar até ao 12º ano, completando o ensino secundário;

3.Obter formação superior.

Dada a importância do assunto, a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto encomendou ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa o estudo A Condição Juvenil na viragem do Milénio.

Como sempre, curiosos foram os resultados:

O estudo indicou que, quem acaba a sua formação no 9º ano, ingressa no mercado de trabalho e permanece em situação estável.

Contudo, são normalmente situações de sub-emprego ou trabalho mal remunerado.

Nestes casos, a estabilidade existe pelos piores motivos. Este são os jovens sem expectativas de mobilidade social e quando encontram um emprego, ficam lá quietos, por não o podem perder.

Os estudo indica ainda que o desemprego atingiu 47% dos jovens. Mas, talvez surpreendentemente para alguns, em particular, os que saíram com o 12º ano geral.

Assim, é aos que optaram por terminar a sua formação no secundário, que mais custa obter estabilidade.

A uma pessoa com o 12º é frequente, em entrevistas de trabalho ouvir:

"Tem o 12º ano? Mas sabe fazer o quê em concreto?"

Estes, são, segundo o estudo, os jovens que mais alimentaram expectativas de prosseguir estudos, porque estão nos cursos de acesso ao Ensino Superior, mas que, por algum motivo não chegaram lá.

São, como tal, os que sofrem maior frustração. Têm baixa remuneração e estão, em geral, numa situação difícil no mercado de trabalho.

Há ainda dois dados extremamente curiosos avançados pelo estudo:

  • 2,8 - Esta é a média de empregos de um jovem, em apenas 5 anos. Variando de 1 a 8 postos de trabalho.

  • 67% - Esta é a percentagem de jovens que diz ter a motivação necessária para voltar a estudar. Apenas 22%, sobretudo com o 9º ano completo, diz não ter qualquer interesse em fazer novos investimentos na sua formação.

A este ponto, vale a pena fazer um balanço:

  • 9º ano de escolaridade - situação estável, emprego precário e mal remunerado.

  • 12º ano de escolaridade - situação instável, insatisfeito com emprego, gostaria de melhorar a sua condição, normalmente, mal remunerado.

A esta altura, acho que já está tudo dito.

Aposte em si!

Comentários

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Tiago Afonso

Infelizmente está assim o nosso mercado de trabalho, e parece que para lá vai o resto da europa... será uma crise passageira ? Ou vem para ficar durante muitos anos este problema no fundo, encomico e social

10-12-06 - 09h00

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2

29-11-06

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David Ramos Martins

1

21-11-06

Uma geracção que não viveu o 25 de Abril

André Carreira

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