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O declínio e queda do neoconservadorismo

Nuno Bandeira

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2006

«However beautiful the strategy, you should occasionally look at the results»

Winston L.S.Churchill

 

Saiu recentemente o relatório da comissão política bipartidária do congresso americano sobre a análise de situação no Iraque. Tal como esperado não promete uma fórmula milagrosa e aconselha o uso de muita habilidade diplomática com vista a envolver os países vizinhos no processo de reconstrução iraquiano, isto é países como a Síria, Irão e Israel que só têm a perder com a instabilidade no Iraque. A ideologia do neo-conservadorismo assiste ao seu declínio após abrir a caixa de Pandora que é a chamada (re-)construção de nações. Já Colin Powell profetizou que a invasão iraquiana a ser feita seria como partir porcelana numa loja - "you break it, you own it" (se partires pagas). E ao que parece os americanos já pagaram o custo hediondo de 2900 vidas e $2 billiões por semana.

A real politik será a melhor ferramenta que os EUA podem ter para saírem deste impasse. A administração errou, isto já é ponto assente, agora de que maneira se podem minimizar os estragos sem causar mais sofrimento ao povo iraquiano? O relatório analisa as seguintes opções:

1.Retirada imediata - Esta opção é inaceitável porque criaria um vácuo de poder, contribuiria para a desestabilização da região e a um maior sofrimento do povo iraquiano por parte dos rebeldes shiitas, esquadrões da morte e insurgentes sunitas. Caos e anarquia reinariam na região ao ponto da ingovernabilidade ou do ressurgimento de outro ditador.

2.Manter o status quo - Esta opção também é inviável porque se sabe que todos os dias há um persistente aumento na violência e por outro lado gera-se ainda um maior ressentimento entre os iraquianos que se julgam vítimas de ocupação americana.

3.Aumentar o número de militares - Num âmbito de manutenção de paz os efectivos americanos estão a atingir o seu limite de disponibilidade e a capacidade de resposta americana a uma possível crise internacional está severamente limitada. No entanto o governo central iraquiano tem-se mostrado inábil para resolver as crises e o relatório aconselha um aumento efémero de efectivos militares norte-americanos, no âmbito de um roteiro específico, com vista a acelerar o treino das tropas iraquianas de modo a que sejam responsáveis pelo seu próprio futuro.

4.Fraccionamento em três regiões - Esta hipótese embora interessante em tese é inexequível devido à distribuição homogénea das diversas etnias iraquianas pelo território que por si só dificultam o traçado de fronteiras.

Desta análise resulta que, apesar de complexa e delicada, a situação pode ter um término à vista desde que se estabeleçam prazos de retirada e haja um empenhamento diplomático em congregar esforços dos países vizinhos para a reconciliação nacional iraquiana e endereçar diálogos com as partes em conflito com a excepção da Al Aqaeda.

Dentro do partido republicano há agora vozes dissonantes como Pat Buchanan, um conservador clássico (ou paleo-conservador), que ideologicamente sempre advogou uma política externa norte-americana minimal e um regresso ao  ênfase na administração interna; ou naquele que poderá muito bem ser o próximo candidato presidencial republicano, o senador John McCain que se posiciona politicamente no centro-direita e que apesar de concordar com a invasão do Iraque tem criticado a actual administração pelas decisões que tem tomado. Com isto espero que a direita norte-americana mude de rumo no que toca à sua política externa. Para bem dos EUA e da luta contra o terrorismo.

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