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Espaço da responsabilidade da Comissão Política Concelhia de Odivelas da JP - Juventude Popular

O poder do cidadão

"In this present crisis, government is not the solution to our problem; government is the problem."
Ronald Reagan

O Homem é dotado de razão, consciência e responsabilidade. Partindo desta premissa podemos inferir que, hoje, em pleno século XXI, a intervenção do Estado na vida dos cidadãos apenas é necessária em pontos essenciais que garantam uma sociedade justa e sustentável; ou de outra forma, necessitamos de um modelo de governação onde os cidadãos tenham mais importância do que o Estado.

Um governo que queira realmente garantir a liberdade individual não pode ter uma dimensão que, no limite, impeça o cidadão de exercer as suas liberdades naturais, retirando-lhe liberdade de escolha ou inibindo a sua iniciativa. Em sociedade, todos devem ser livres de fazer tudo o que pretendem fazer, desde que no exercício da sua liberdade não invadam a liberdade de outros. O principal papel do Estado é, precisamente, proteger essa liberdade. Nesta lógica, a esfera de acção do Estado deve ser redefinida, justificando-se apenas que este tenha responsabilidades nos domínios da Defesa e da Justiça; e eventualmente outras funções que possam ser consideradas estratégicas.

Alves explica-nos que (1) «Com a institucionalização do Estado-Providência, no pós-II Guerra, generalizou-se a ideia de que cabia ao Estado zelar pelo bem-estar de todos. Hoje em dia, após a queda do Muro, e a derrocada do mundo soviético, só mesmo uma franja muito diminuta da população pensa que a planificação económica é o caminho para a generalizada felicidade terrena. Mas é do credo geral que cabe ao Estado garantir a todos uma vida decente. O que significa que as pessoas querem ter liberdade de escolher. Querem a liberdade que o sistema capitalista proporciona. Mas não querem o fardo que acompanha a liberdade. A responsabilidade. Assusta-as terem de se responsabilizar por escolhas erradas. E daí, esperam do Estado a garantia de que, independentemente das suas escolhas e do sucesso ou insucesso delas, nada têm a temer».

Quer os cidadãos queiram ter a responsabilidade de planear a sua vida ou não, pelo menos temos a certeza de uma coisa, é justo que essa escolha seja deles próprios e não do Estado.

Deste modo, recapitulando, cabe ao cidadão escolher uma de duas soluções:

  • Ou confessa a sua incompetência para conduzir a sua própria vida e entrega essa tarefa ao Estado;
  • Ou acredita ser capaz de se governar a si próprio e assume a responsabilidade de planear a sua própria vida;

Ora, se ninguém tiver capacidade para se governar a si próprio, então quem tem capacidade para nos governar a todos?

O indivíduo deve estar no centro da sociedade. É este, e não o Estado, que deve decidir quanto consome ou quanto poupa para a sua velhice, que deve escolher os seus próprios serviços médicos, a sua escola ou a dos seus filhos.

A desigualdade é uma consequência da falta de liberdade que o Estado impõe, ao retirar aos cidadãos uma percentagem considerável do seu vencimento, sob a forma de impostos, para se financiar. Por exemplo, aos jovens que começam a trabalhar é atribuída a obrigatoriedade de descontar para a Segurança Social, desde o início de sua carreira. Não lhes deveria caber a eles a responsabilidade de decidir se poupam ou não para a sua aposentadoria futura?

O Estado tem de parar de cobrar impostos progressivos a quem mais trabalha sob pena de promover a fraca produtividade. São os nossos altos impostos que engordam o "monstro", aumentam o despesismo, agudizam o défice orçamental e comprometem o futuro dos jovens só para fazer o que é conveniente no presente, quando se deveria actuar no presente de modo a preservar o futuro. O resultado final da política actual, que sempre privilegiou o Estado como motor do desenvolvimento, só podia ser aquele que tão bem conhecemos e sofremos. Segundo Pires de Lima, (2) o caminho a seguir «É reduzir os impostos sobre as empresas que geram riqueza e sobre as famílias, nomeadamente as da classe média, que hoje vêem o Estado - entre segurança social e fisco - cobrarem-lhes facilmente um terço do que ganham. Com empresas e famílias mais ricas, o governo libertará a sociedade do espartilho que nos tem subjugado. É na acumulação de riqueza e poupança nas empresas e famílias - que logo se traduzirá em investimento racional e produtivo - que reside a verdadeira dinâmica do nosso desenvolvimento».

Nós, como indivíduos, podemos, através de empréstimos, viver acima dos nossos meios, mas apenas por um período de tempo limitado. Então, porque razão o Estado não coloca a si mesmo essa limitação? É justo que sejam os cidadãos a pagar a factura das decisões que os governantes tomaram por eles?

O Estado não tem poder além daquele que lhe é atribuído pelos cidadãos. Eu acredito no poder dos cidadãos.


Este artigo está igualmente publicado no Blogue da Juventude Popular de Odivelas onde poderá eventualmente ser alvo de algum desenvolvimento. Ainda no interesse deste tema, é interessante ler as propostas do Compromisso Portugal.

(1) Bruno Alves (2004) - O Fardo da Liberdade
(2) António Pires de Lima (2003) - A Reforma Essencial

David Ramos Martins
Publicado em 26-12-06

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