As pessoas hoje conhecem o preço de tudo e o valor de nada
Oscar Wilde
Poderá definir-se Cultura Ocidental como o conjunto de todas as manifestações culturais desenvolvidas ao longo da história da civilização ocidental.
Neste sentido, o Ocidente não é visto apenas como uma mera regionalização mundial obtida do ponto de vista geográfico, mas sim num contexto mais amplo, relacionado com a ideia de sociedade que foi construída pelos povos ocidentais.
A cultura ocidental sempre sofreu ameaças. E posso afirmar que recentemente, na escala temporal da Humanidade, têm sido levados a cabo atentados vários contra a civilização ocidental.
Essas ameaças ou atentados surgem tanto de dentro da sociedade ocidental, tanto de fora.
Em estados europeus, estados livres, democráticos e laicos, tem se vindo a cometer um erro enorme: o de dar liberdade, proibindo.
Digo que é um erro porque a minha definição de liberdade não inclui censuras. Inclui sim, direitos e deveres. Inclui bom-senso, tolerância e acima de tudo, inclui responsabilidade.
E considero que a semente desse enorme erro nasce de um pressuposto e de uma opção, ambos errados.
O pressuposto que considero errado é o de se julgar que num estado laico, a sociedade também o é...
A opção errada é a de se julgar a melhor opção, perante uma Europa globalizada, relegar para um plano secundário vários aspectos da nossa cultura. Em prejuízo das liberdades dos cidadãos europeus e correndo o risco de com esta atitude se segregar as minorias existentes no espaço europeu.
Mas porquê esta introdução? Porque mais uma vez a nossa cultura foi ameaçada. Desta vez pela hipocrisia.
Estou-me a referir aos casos de controvérsia e de polémica que surgiram em torno da celebração do Natal.
Alguns exemplos:
1. - Em Mijas, Málaga, Espanha, a directora de uma escola pública colocou no lixo um presépio feito por alunos da disciplina de Religião, da mesma escola. Argumentando que, numa escola pública não são permitidos símbolos religiosos. Em reacção, o Fórum Andaluz da Família decidiu atribuir à directora da escola o Prémio Heródes 2006.
Todas estas manifestações, como exemplo de muitas mais, são demonstrações que considero serem motivadas pelo medo. Medo talvez não... Terror parece-me mais apropriado.
Vejamos: presépios no lixo, cânticos e festejos natalícios proibidos, etc..
De repente, surgiu um pouco por todo o mundo ocidental, um zelo que se pretende religiosamente correcto rejeitando os símbolos próprios da época invocando a liberdade, a laicidade e a necessidade de não ofender os não-cristãos...
Mas, curiosamente, esqueceram-se de ouvir os não-cristãos...
E os que já falaram estão atónitos perante tais actos. E estão também preocupados. Se hoje se ocultam os símbolos ou as histórias relacionadas com o nascimento de Jesus, também amanhã se poderão proibir sob o pretexto da laicidade, as suas próprias celebrações religiosas.
Não exactamente proibir, mas ocultar, excluir, tornar clandestinas.
Resumindo: com medo de não ofender não-crentes e crentes de outras religiões, o Natal está em vias de se transformar, de vez, numa festa laica, dedicada ao consumismo.
Põe em causa a liberdade de todos, cristãos e não-cristãos, crentes e não-crentes e ameaçam novamente os pilares da nossa sociedade.
Tudo isto, considero eu, reflexo do terrorismo.
E, como já disse num artigo anterior, o terrorismo, como a palavra indica, vem de terror e do semear do mesmo. Estas manifestações são vitórias para os terroristas... Acima de tudo, o que eles querem é que não nos sintamos seguros, que rejeitemos aos nossos costumes, às nossas crenças, tudo em nome do medo. Medo deles.
A razão pela qual nós, ocidentais, não devemos, nem podemos ter medo reflecte-se na razão pela qual a nossa coragem e nossa liberdade nunca poderá ser abalada: a crença e orgulho nos valores morais, na herança cristã, no testemunho e história secular, no sagrado reflexo da cultura ocidental na nossa civilização, na nossa sociedade.
Termino citando Nuno Pacheco ( in PÚBLICO, 22 Dez. 2006):
«Porque no lugar de fomentar o diálogo entre religiões e culturas prefere reduzi-lo ao silêncio, ignorando que é na assunção e aceitação pública das diferenças ( culturais, religiosas, sexuais) que se devem construir as sociedades de hoje e do futuro. O recalcamento, a ocultação, o medo, a culpa, são resquícios medievais que na Europa ainda sobrevivem à custa de uma ignorância arvorada em conhecimento, de atraso cultural mascarado de civilização. O presépio mesmo na mais laica das escolas, deveria servir para aproximar as crianças através do conhecimento das histórias e das crenças que invoca, das observações de tradições que nele se revêem e não revêem, do respeito pelas diferenças. Deitá-lo para o lixo é semear, nas trevas da ignorância, o ódio. É preferível ver um cristão ou muçulmano ostentando claramente os seus símbolos, mas respeitando-os mutuamente, do que seres que gerem tais crenças na penumbra e, por elas, sejam capazes de humilhar ou de matar. A Europa precisa de cidadãos livres: nos seus hábitos, nas suas tradições, nas suas crenças. Não precisa de autómatos falsamente iguais, prontos a passar sem mácula nos códigos de barras de uma civilização que se pretende impoluta mas é ferozmente hipócrita. Crentes e laicos devem, pois, defender a liberdade das suas opiniões e símbolos, sem medo ou vergonha de os fazerem públicos – porque só no respeito das suas diferenças se refrearão os piores antagonismos».
Pode deixar o seu comentário a esta notícia. Tenha em atenção que só publicaremos comentários que contenham o seu nome e apelido e sejam provenientes de endereços de e-mail válidos.
De acordo com a orientação de isenção e pluralidade dos Portais Coisas.info, este espaço é cedido gratuitamente e o seu conteúdo da inteira responsabilidade da Comissão Política Concelhia de Odivelas da Juventude Popular.
Igual espaço será cedido a todas os partidos e organizações políticas ou cívicas que pretendam uma intervenção regular neste Portal.