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Espaço
semanal, com publicação às terças-feiras,
da responsabilidade da Comissão Política Concelhia de
Odivelas do Partido Socialista |
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1 |
Mudança
de paradigma |
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Mário
Máximo
Membro do
Secretariado da Comissão Política do PS de Odivelas |
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Terça-feira, 27
de Junho de 2006 |
Os conceitos da
doutrina política e da acção política
mudaram de forma muito rápida nos últimos dez ou vinte
anos. Sobretudo nos últimos dez anos. Ser de esquerda ou de
direita tornou-se uma discussão mais difícil.
Tradicionalmente as propostas dos partidos da direita ou da esquerda
primavam por apresentarem projectos de fundo claramente diversos.
Tratava-se, sem dúvida, de paradigmas diferentes. Não
podia haver confusão entre governar à esquerda ou
governar à direita. Ou era uma coisa ou era outra.
Mas recuemos um
pouco mais. Em abono da verdade deve referir-se que o papel decisivo
que as sociais-democracias escandinavas apresentaram durante a
época de ouro do crescimento e desenvolvimento da Europa
Ocidental (os vinte e cinco anos que mediaram entre 1960 e 1985)
levou a que se teorizasse acerca da existência de uma terceira
via. E eu devo dizer que essa terceira via foi mesmo encontrada
nesses países.
Na era de Josip
Broz Tito (parece que foi há cem anos, não parece?)
houve diversos teóricos juguslavos e ocidentais que falaram da
mítica terceira via juguslava. Essa terceira via assentava
essencialmente no conceito de autogestão. Enfim, creio que foi
mais a teoria do que a prática. E nunca poderia ser numa
Juguslávia gerida por um regime autoritário que
florescesse a autogestão. Era de um total contra-senso esta teorização.
Tenho, para mim,
que foi na Suécia, na Dinamarca e na Noruega que a verdadeira
social-democracia aconteceu. E digo verdadeira porque aplicada com
êxito à prática. E é a prática o
azimute de todas as doutrinas políticas. Nunca houve, para
mim, regimes mais à esquerda (na Europa Ocidental) do que
esses que acabo de referir. E isto porque, ser de esquerda é,
antes de mais, levar à prática políticas que
tenham como consequência um bem-estar alargado da
população, em todos os seus estratos e que gerem uma
aproximação em termos de rendimentos e em termos de
cidadania de todos os cidadãos. O resto é conversa politóloga.
Regressemos ao
presente: a confusão entre ser de esquerda e de direita
é, hoje, comum a todos os países ocidentais. Os
programas políticos de quase todos os partidos assentam na
mesma estratégia: mais crescimento da economia; mais poder de
compra; mais liberdade, mais políticas sociais e mais
tecnologia. Aparentemente aplicar estas premissas será
implementar uma política de esquerda. O facto é que o
crescimento é curto, o poder de compra decresce e as
políticas sociais são reduzidas ao mínimo e a
liberdade vai-se tornando mais discutível.
Perante tudo isto
só podemos concluir que a globalização obrigou a
uma mudança de paradigma na política internacional. Os
conceitos vivem momentos de ajustamento e de mudança
generalizados. Um conceito, todavia, vai emergindo: o conceito de
cidadania. Nenhuma política séria de esquerda
poderá assentar numa redução do papel dos
cidadãos na vida pública. Por outro lado, diga-se que o
sindicalismo, só por si, leva a um beco sem qualquer
saída. Porque o sindicalismo, hoje, é reactivo.
Já houve tempos em que foi proactivo. Hoje contribui para
ilusões e pouco mais. A não ser que se reconfigure a si próprio.
Os partidos de
esquerda têm de apostar no papel determinante da cidadania. E
é preciso nunca esquecer três valores essenciais:
criação de riqueza, redistribuição de
riqueza e liberdade. Só através da junção
destes três factores teremos uma política sustentada de
esquerda. Isto é: uma política para o aprofundamento da
cidadania. A esquerda vive, sem dúvida, no caldo de um novo paradigma. |