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A defesa da floresta é tarefa de todos

Abílio Santos

Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

Parque Natural da Peneda/Gerês - Agosto de 2006 
Foto de Henrique Ribeiro

Em 1995 Portugal contava com cerca de 3,2 milhões de hectares de floresta, mas em apenas dez anos perdeu cerca de 20% do seu povoamento florestal, registando-se em 2005, apenas 2,5 milhões de hectares.

Esta conclusão, apresentada no livro "Portugal: o vermelho e o negro", publicado pela Dom Quixote, é do engenheiro biofísico Pedro Almeida Vieira, afirmando que a principal causa para esta diminuição são os incêndios dos últimos anos. Afirma, ainda, que os incêndios florestais são uma consequência de "erros crónicos, misturados com mentiras dolosas, deturpações intencionais, evidentes fraudes e insuportáveis irresponsabilidades".

Nesta obra, aprofunda os dramas relacionados com os incêndios dizendo que estes "têm constituído o principal flagelo social, económico e ambiental''. Adverte que "Jamais na longa História de Portugal, de guerras intermináveis e batalhas sanguinárias, um outro inimigo conseguiu o prodígio de tão rápida, fácil e dilacerante destruição".

Tece, ainda, outras considerações com as quais não concordamos, mas este é um cenário que temos o dever de inverter, em nome da preservação do ambiente e, consequentemente, da qualidade de vida de todos nós. Por isso, a defesa da floresta é tarefa de todos.

No ano em curso, com uma nova organização, com novas orientações, com a dedicação do Governo e dos responsáveis pelo combate a este flagelo, foi possível começar a inverter este panorama de calamidade nacional que resulta da fúria destruidora da nossa floresta.

Entre 2000 e 2005 foram devastados seiscentos mil hectares de floresta, dos quais 310 mil hectares de pinhais e 220 mil hectares de eucaliptos. Os restantes de sobro, azinho e outras espécies florestais. Não se contam aqui matos e zonas abandonadas que arderam. Esta catástrofe atinge, de uma forma geral, todas as regiões do país, sendo que em algumas delas é preocupante a taxa de regressão florestal.

O Governo, por intermédio do Ministro da Administração Interna, Dr. António Costa, tem vindo a fazer, com as entidades responsáveis pelo combate aos incêndios florestais, a análise do que foi o ano em curso em matéria de eficácia nesse combate e as conclusões demonstram uma redução relativamente a anos anteriores. Ao mesmo tempo o Sr. Ministro não se limita a fazer o balanço, adianta novas ideias e novas decisões, para assegurar um combate aos fogos florestais ainda mais eficaz.

O dispositivo integrado contra os incêndios, que o Governo implementou, funcionou. Também aqui o actual Governo tem governado bem. Mas para irradicar este flagelo é necessário, para além de um plano de combate, investir e desenvolver o aproveitamento florestal, na área da Biomassa, ter uma floresta ordenada e uma nova gestão florestal.

E esse trabalho também o Governo está a desenvolver. Na Conferência Estratégica Nacional para a Energia, realizada em Julho, na Casa da Música, no Porto, o Primeiro-Ministro Eng. José Sócrates considerou o sector energético como motor "para o crescimento e inovação" do país nos próximos três anos. Nessa Conferência foram divulgados investimentos em diversas áreas, entre as quais na área da biomassa florestal. Este projecto inclui a construção de sete centrais nos distritos do Algarve, Santarém, Viseu, Braga, Castelo Branco e outra entre Coimbra e Leiria. Será um investimento global no montante de cerca de 250 milhões de euros, a concluir até 2010.

Na ocasião foi afirmado que este projecto permitirá diminuir o risco de incêndios, "criando condições para a limpeza de mais de 600 mil hectares de floresta". A floresta apresenta-se, assim, como fonte de energia renovável. Com a implementação deste projecto conseguir-se-á, paralelamente, a limpeza da nossa floresta e o aproveitamento dos resíduos florestais, que irão alimentar as centrais de biomassa, na produção de energia e, em consequência, reduz-se o risco de incêndio florestal.

O ordenamento da floresta, com faixas de interrupção e redução de combustível florestal, círculos de protecção e zonas de segurança das povoações, renovação dos matos com fogo controlado, no inverno e com o apoio do Estado, desbaste de árvores e reflorestando com espécies diversas, contribui decisivamente para a defesa da floresta nacional.

Também neste âmbito o Governo tem vindo a legislar, criando Planos Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), nos termos da Lei de Bases da Política Florestal, que estabelece os princípios orientadores da política florestal, nomeadamente os relativos à organização dos espaços florestais.

Esses princípios determinam que o ordenamento e gestão florestal se fazem através de Planos Regionais de Ordenamento Florestal, cabendo a estes a explicitação das práticas de gestão a aplicar aos espaços florestais, manifestando um carácter operativo face às orientações fornecidas por outros níveis de planeamento e decisão política.

Uma outra área importante, onde o Governo também já legislou, é a área da organização e gestão florestal, criando, através do Dec.-Lei n.º 127/2005, de 5 de Agosto, as Zonas de Intervenção Florestal (ZIF).

As ZIF constituem-se por iniciativa dos proprietários ou produtores florestais, nas condições definidas na lei, em que a área territorial das ZIF compreende um mínimo de 1000 ha e inclui no mínimo 50 proprietários ou produtores florestais e 100 prédios rústicos.

Os proprietários ou produtores florestais têm nestas ZIF uma ferramenta indispensável, porque fundamental, para apreenderem, de forma estruturada e organizada, que é possível criar riqueza através da silvicultura. Com as ZIF, que têm o apoio do Estado, garante-se a segurança das pessoas e das suas propriedades, uma vez que toda a sua implementação visa uma nova forma de gestão da floresta, que permite, paralelamente, a criação de riqueza e a prevenção dos fogos florestais.

Deixo um apelo aos munícipes do nosso concelho, proprietários e produtores florestais, para que contribuam para a defesa da floresta ordenando e mantendo limpas as suas propriedades. É que esta tarefa, que é de todos, começa em cada um de nós. Para salvaguardar o futuro e o bem comum. Para fazermos parte da mudança e não sermos arrastados por ela.

Finalmente, uma saudação para o Município de Odivelas que este ano, no âmbito das suas competências, procedeu ao desbaste de cerca de 2 Km de caminhos florestais, compreendidos entre a Cruz Alta e a Fábrica dos Azulejos, na Freguesia de Caneças. Com esta acção, o Município de Odivelas deu também o seu contributo para este grande objectivo nacional de defesa da floresta.

Comentários:

Zorro*

"UF"...um artigo e peras, caro Sr.Dr.Abílio Santos, depois do rapa-pé ao Sr. Ministro da "coisa" e ao Sr. Primeiro Ministro pelos planos para o futuro, V. Exa. Sr. Dr., deve estar enganado no Concelho, ou é o mesmo papel que mandou lá para o jornal da sua terra? Veja lá, porque se começa a falar de pescas, ainda pede aos Odivelenses um contributo para zelarmos pela nossa frota pesqueira.

Boas Festas do Zorro.

* Leitor indentificado

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