Espaço semanal, com publicação às terças-feiras, da responsabilidade da Comissão Política Concelhia de Odivelas do Partido Socialista

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O défice do nosso descontentamento

Abilio Santos

Terça-feira, 11 de Julho de 2006

Na apresentação do Programa do Governo, o Sr. Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates, afirmou "os portugueses têm direito a conhecer a verdadeira situação das contas públicas e o Governo precisa dessa informação para estruturar em bases sólidas a sua política e também para que possa ser julgado a benefício de inventário". Com esta afirmação o Governo reconhecia, por um lado, que era importante o conhecimento real da gravidade da situação orçamental e, por outro, que é indispensável estruturar em bases sólidas  as políticas de desenvolvimento do país. Estes têm sido, para bem do país, os pressupostos do seu trabalho e da sua governação. É esse o seu dever e tem-no cumprido bem.

O défice orçamental que o governo encontrou, para 2005, foi de 6,83%. Este défice em nada nos contenta e colocou as contas públicas numa situação mais grave do que se pensava.

Entretanto o Orçamento que o Governo encontrou previa, de uma forma no mínimo irresponsável, apenas um défice de 2,9%. Para alcançar este défice o Orçamento precisaria de 5,5 mil milhões de euros. Esta diferença, verdadeiramente inesperada, converteu o défice num valor muitíssimo superior.

Esta é uma situação extremamente grave e que demonstra como é importante aprender com os erros do passado, pois,  se é verdade que o défice se deve a problemas estruturais das finanças públicas, também é verdade que um défice real de 6,83%, representa uma prova incontestável do fracasso político dos três anos anteriores a 2005.

Face ao panorama de extrema gravidade em que o Governo Socialista encontrou as contas públicas, foi necessário implementar um novo rumo para a sua consolidação.

Assim, o Governo assentou a sua estratégia em quatro linhas de orientação essenciais:

  • Verdade e transparência, fazendo reflectir nas contas públicas a verdadeira situação orçamental do País;

  • Confiança e crescimento, acreditando nas capacidades dos portugueses e das empresas para vencerem as dificuldades do País, implementando programas que contribuam para o aumento da competitividade, para o crescimento económico e para o emprego;

  • Consolidação sustentada das contas públicas, reduzindo progressivamente o défice, para não sacrificar ainda mais a economia;

  • Justiça e equidade, olhando para o Estado Social e reconhecer que há injustiças e regalias inaceitáveis, que é necessário acabar, para que seja possível manter a sustentabilidade do nosso modelo social, garantir o futuro dos serviços públicos e das políticas sociais, realizando as necessárias mudanças estruturais, que garantam um futuro melhor e intergeracional.

Temos um Governo que continua determinado a agir e que, estou certo, não cederá a facilidades e cumprirá o seu dever.

O défice nas contas públicas representa, paralelamente, um outro défice não menos importante; o défice estrutural do País. E este défice também em nada nos contenta, pois, representa e retrata o atraso do País.

Encontrámos o País com problemas estruturais e com o défice agravado. Porém, o Governo já demonstrou que sabe identificar os problemas do País e que acima de tudo está concentrado na sua resolução.

O Governo entende, e bem, que a maior prioridade para o País é o crescimento económico porque, só este, permite a redução do desemprego, a melhoria das condições e qualidade de vida das pessoas e o combate às desigualdades sociais. Sem trabalho e sem investimento não há produção e sem esta não há riqueza que se possa redistribuir e confluir para o equilíbrio social.

Temos um Governo que olhou para o País, verificou o seu estado de desequilíbrio estrutural, identificou os problemas e está, com firmeza, determinação, convicção e confiança, a propor as soluções mais adequadas para a resolução dos graves problemas que Portugal enfrenta.

Tal como o Governo encontrou o Pais em estado deplorável, também o actual executivo municipal se deparou com problemas semelhantes no nosso município. E a esses problemas, ao que se sabe, de acordo com o que tem sido divulgado, continuam a juntar-se outros que a cada momento se vão revelando e identificando. Para os combater e resolver, os munícipes do Concelho de Odivelas, podem contar com a sua Presidente de Câmara, para encontrar as melhores soluções que resolvam os problemas do Município. Contamos todos, também, com a sua firmeza, determinação, convicção e confiança, que são, entre outras, qualidades que a colocam num nível de excelência notável e que nos dão, também a nós, um elevado grau de confiança no seu trabalho.

Também aqui, no Município de Odivelas, o défice encontrado em nada nos contenta, mas sobre ele e a sua natureza trataremos mais adiante, em próximo trabalho.

Os tempos futuros exigem que sejamos verdadeiros para com os munícipes e transparentes nas contas públicas. É isso que a Presidente da Câmara Municipal continuará a fazer e esperamos que todos os eleitos locais se solidarizem com as medidas indispensáveis à resolução da situação orçamental do município, tão necessária para estruturar em bases sólidas as políticas de desenvolvimento do nosso concelho.

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Concelhia da JS de Odivelas "fora de portas"

Nuno Gaudêncio

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Mudança de paradigma

Mário Máximo

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