O antigo pároco da Ramada Arsénio Isidoro foi condenado a cinco anos de prisão efetiva pelo crime de abuso de confiança qualificado que consistiu no desvio de fundos de várias IPSS, entre as quais o Centro Comunitário e Paroquial da Ramada e a Casa do Gaiato de Loures.
Segundo o acórdão o padre Arsénio e a sua namorada Ana Cristina Gabriel montaram, em 2014, um esquema criminoso que lhes permitiu levar uma vida de luxo que incluía carros topo de gama, uma casa com piscina, um barco, motas de água, roupas e refeições caras. Ana Cristina Gabriel foi condenada a quatro anos e seis meses de prisão efetiva. Os dois condenados terão, além disso, de pagar um conjunto de indemnizações que totalizam mais de 2,5 milhões de euros.
A investigação a Arsénio Isidoro e Cristina Gabriel, desenvolvida pela Polícia Judiciária, começou em 2014. Os investigadores analisaram várias IPSS por onde o padre tinha passado, nomeadamente em Loures, Odivelas, devido às suspeitas levantadas pelo estilo de vida do antigo pároco da Ramada que não correspondia aos seus rendimentos. A investigação descobriu um esquema criminoso montado por Arsénio Isidoro e Ana Cristina Gabriel para sistematicamente desviar fundos de uma série de IPSS onde os dois tinham trabalhado: ele como presidente, ela como responsável pela tesouraria e contabilidade. Os dois cruzaram-se inicialmente na paróquia da Ramada, cujo centro paroquial foi um dos pontos centrais do esquema que montaram. Arsénio Isidoro e Cristina Gabriel mantinham uma relação em segredo, apesar da sua condição de padre e de ela ser casada.
A propósito desta condenação, a Paróquia da Ramada publicou no seu Facebook um comunicado, que transcrevemos na íntegra, assinado pelo Padre Rui Jorge de Sousa Silva.
«A Paróquia da Ramada tomou conhecimento do acórdão fixado no âmbito do processo-crime que envolve o Sr. Padre Arsénio Isidoro, que exerceu funções de pároco na paróquia da Ramada e de presidente da direção deste Centro Comunitário, bem como da Sra. Ana Cristina Marques de Sousa Gabriel, que exerceu funções no Conselho para os Assuntos Económicos da paróquia e como tesoureira do Centro Comunitário Paroquial.
A decisão agora conhecida suscita em todos nós um sentimento de profunda tristeza pelo recuperar de memória de notícias e testemunhos pretéritos. Urge uma palavra de solidariedade e respeito em lamentar os danos pessoais, institucionais e comunitários que resultaram dos factos apreciados no processo, manifestando a nossa solidariedade para com todas as pessoas e entidades afetadas.
Importa sublinhar que os factos em causa dizem respeito a responsabilidades de natureza individual e a um período passado, não colocando em causa o trabalho, a missão e a integridade das instituições atualmente em funcionamento. A Paróquia da Ramada e o Centro Comunitário Paroquial da Ramada têm vindo, ao longo dos últimos anos, a reforçar práticas de transparência, rigor e estabilidade, merecendo o reconhecimento e a confiança da comunidade.
Unidos a todos os que acompanharam os demais acontecimentos, a Paróquia e o Centro Comunitário encontram-se disponíveis para apoiar pastoralmente os quantos sintam inquietação ou necessidade de esclarecimento, bem como reafirmam o seu compromisso com a verdade, a justiça, a responsabilidade e o serviço à comunidade».







