O Dia Mundial da Rádio celebra-se a 13 de fevereiro, homenageando este meio de comunicação que tem marcado gerações e aproximado pessoas em todo o mundo. Instituído pela UNESCO, esta data sublinha a importância da rádio como veículo de informação, educação e entretenimento, promovendo o diálogo e a compreensão entre culturas.
A rádio continua a ser uma ferramenta essencial, especialmente em comunidades onde outros meios de comunicação não chegam. No Dia Mundial da Rádio, valoriza-se o papel dos profissionais e das diversas emissoras que mantêm viva esta tradição, adaptando-se às novas tecnologias sem perder a sua essência.
As Rádios Piratas em Portugal
Durante as décadas de 1970 e 1980, Portugal assistiu ao surgimento das chamadas rádios piratas, pequenas emissoras que transmitiam sem licença oficial. Estas rádios desempenharam um papel fundamental na democratização da comunicação, dando voz a comunidades e grupos marginalizados, e oferecendo conteúdos alternativos aos meios convencionais. Apesar de enfrentarem perseguições legais e técnicas, foram pioneiras na inovação radiofónica, introduzindo novos géneros musicais, debates políticos e formatos interativos.
O movimento das rádios piratas contribuiu para a formação de uma geração de profissionais do setor, muitos dos quais vieram mais tarde a integrar rádios legalizadas. O fenómeno marcou a cultura popular portuguesa e influenciou a legislação dos media, culminando na legalização de várias rádios locais nos anos 90, que trouxeram maior pluralismo e diversidade à paisagem radiofónica nacional.
Também no concelho de Loures, a que o território do concelho de Odivelas então pertencia, as rádios piratas deixaram a sua marca durante os anos 80, refletindo o dinamismo e a vontade de expressão local.
Neste território nasceram a Rádio Imprevisto, uma das pioneiras no país e a primeira em Odivelas, a Rádio Saturno, a Rádio Nova Antena, a Rádio Osíris, o Radio Clube de Odivelas, entre outras.
A Rádio Imprevisto
Entre as rádios piratas que se destacaram na região, merece referência a Rádio Imprevisto, que se tornou conhecida pela sua programação inovadora e pelo forte envolvimento com a comunidade. Esta emissora foi palco de experiências criativas, promovendo debates, lançando artistas locais e explorando géneros musicais menos representados nos meios tradicionais. A Rádio Imprevisto deixou uma marca indelével ao incentivar a participação ativa dos ouvintes e ao ser uma plataforma de expressão livre num período de grande efervescência cultural e social.
A Rádio Imprevisto foi uma rádio pirata histórica em Portugal que marcou o início do movimento de rádios livres no país.
Surgiu em 1979, emitindo principalmente para a área da Grande Lisboa a partir de equipamentos construídos de forma artesanal.
Foi criada por José João Reis Farinha (e sua companheira Hermínia Silva), e tornou-se uma das rádios piratas mais conhecidas e influentes na época. Aos fundadores juntaram-se Gabriela Farinha, Henrique Ribeiro, José Vieira Cabral, Pedro Roma, Jorge Carvalho, Fernanda Martins, entre muito outros, aos quais a minha memória jã não chega
A rádio transmitia uma mistura de música diversificada e programas originais, muitos centrados em temas e géneros que não eram frequentes nas rádios oficiais da época.
Alguns programas e locutores que passaram por lá seguiram carreiras em estações legais depois, incluindo espaços de jazz e programas de rock.
A Imprevisto tornou-se símbolo do desejo de comunicação livre e alternativa, prefigurando outras rádios livres que proliferariam posteriormente.
A rádio esteve no ar regularmente ao longo dos anos 80, mas fechou em 1989 quando as leis sobre radiodifusão foram reforçadas e multas/apreensões tornaram mais difícil continuar a transmitir sem licença.
Em resumo, Rádio Imprevisto não é uma estação de rádio atual, mas sim um marco histórico na evolução da rádio em Portugal, representando a cultura das rádios piratas e livres que desempenharam um papel importante antes da regulação formal do meio.
A Rádio Imprevisto foi uma rádio pirata histórica em Portugal que marcou o início do movimento de rádios livres no país.
O concurso de atribuição de frequências, atribuía alvarás para três rádios no concelho de Loures. Como a rádio Imprevisto ficou em quarto lugar, teve de fechar, ficando com alvará a Rádio Nova Antena, de Odivelas, a Rádio Orbital e a Rádio Horizonte Tejo, de Loures.
Desabafos
Permitam, caros leitores, ao autor desta peça, dois desabafos. Pela realidade das rádios concorrentes o resultado foi injusto, considerando o trabalho desenvolvido pela Imprevisto, em comparação com outras vencedoras. Hoje percebe-se a lógica, que acontece muito nas atribuições de prémios em Câmara e Juntas de Freguesia: “Tu votas na minha e voto na tua”. A Imprevisto era desalinhada partidariamente e assim…
Outro desabafo. Nenhuma das três rádios cumpre com os projetos apresentados a concurso. Duas delas já nem são propriedade de quem concorreu servindo apenas para serem vendidas e gerar grandes lucros. Espírito de Rádio, de Missão, de Serviço Público. Pois… pois!
Do baú do José João Farinha alguns tesourinhos:













