Hipertensão arterial: combater o “assassino silencioso” é mais importante do que nunca

O aumento da esperança média de vida, inegavelmente uma das maiores concretizações da sociedade moderna, trouxe o inevitável preço do aumento das doenças neurológicas associadas à idade, onde se inclui o acidente vascular cerebral (AVC), uma doença que, para além de elevada mortalidade, se associa a incapacidade funcional e dependência.

A pressão arterial pode ser definida como a força que o sangue exerce na parede das artérias. A hipertensão arterial (HTA) ocorre quando o fluxo sanguíneo exerce demasiada “força” ou pressão nas artérias. Define-se pelo registo de valores, para a pressão arterial sistólica, superiores ou iguais a 140 mmHg e/ou para a pressão arterial diastólica, superiores ou iguais a 90 mmHg, em mais do que uma avaliação. A longo prazo, pode causar pequenas lesões nas artérias resultando em zonas de maior fragilidade que podem sofrer rotura e resultar numa hemorragia intracerebral, assim como promover a formação de placas de aterosclerose ou mesmo a formação de coágulos sanguíneos. De acordo com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, a HTA afeta cerca de 40% da população adulta. Destes, menos de metade está medicada com medicamentos anti-hipertensores e estima-se que só cerca de 11% tenham a HTA controlada.

O trabalho de divulgação pública dos sintomas de AVC permitiu uma melhoria no seu reconhecimento e chegada aos serviços de urgência. Aliados aos avanços recentes no tratamento do AVC isquémico e ao tratamento efetivo dos fatores de risco vasculares (onde se inclui a HTA), estes fatores provavelmente contribuíram para a redução do número de anos de vida saudável perdidos após um AVC na ordem dos 39%, entre 1990 e 2021, de acordo com o Global Burden of Disease 2021. O AVC continua, entre as doenças neurológicas, a ser o “campeão” mundial de anos de vida saudável perdidos (ou DALYs, de disability-adjusted life years) e, de acordo com a mesma fonte, 84% desta perda poderia ser prevenida se houvesse uma redução da exposição aos fatores de risco.

Entre estes, a HTA é o fator modificável número 1. Contribuem para o aumento do risco a inatividade física, a obesidade, o consumo elevado de álcool e a dieta rica em sal. Por isso, a melhor prevenção consiste em manter uma dieta saudável e reduzir ao mínimo o consumo de sal, manter um peso saudável e praticar exercício físico regular, assim como evitar manter níveis elevados de stress e não fumar.

Lembre-se que a HTA não condiciona sintomas (ou quando o faz podem ser inespecíficos, como por exemplo tonturas) e, por isso, muitas pessoas têm HTA e não sabem. Por este motivo é importante verificar periodicamente a sua pressão arterial. Se lhe for diagnosticada uma HTA, cumpre as recomendações e tome a medicação anti-hipertensora que lhe for prescrita. Lembre-se que só poderá haver uma efetiva redução do risco se mantiver a pressão arterial controlada. Para isso, é muito importante cumprir as recomendações do seu médico/enfermeiro e manter vigilância periódica.

Dr. Denis Gabriel

Neurologista

Membro da Direção da Sociedade Portuguesa do AVC

Imagem de Steve Buissinne por Pixabay

  • Diário de Odivelas - Redação

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