Segunda crónica sobre um dos nossos destinos de eleição, Istanbul. Três viagens em 4 anos, realizadas por António Cruz e Ana Fialho, dois apaixonados por conhecer o Mundo e os seus recantos ainda pouco visitados. António, economista e Ana, professora, aproveitam todos as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.

Hoje falaremos de bairros e locais a visitar. Mas, o dia começa com o pequeno-almoço. Habitualmente marcamos alojamentos sem pequeno-almoço, para termos liberdade de escolha, e na Turquia sê turco. Em Istanbul costumamos comer Burek e beber chá turco (çay). Burek é uma massa folhada recheada, enrolada como um caracol, que pode ter vários recheios: queijo, carne, espinafres ou batata. Feito no forno, é uma refeição deliciosa, e muito apreciada localmente. O custo é bastante acessível, sendo que para duas pessoas fica a 200 TL.
Outra opção, imperdível em Istanbul, é o chamado pequeno-almoço turco, mais brunch que pequeno-almoço, dada a variedade e quantidade de comida que nos é servida. O festim inclui vários tipos de queijos, azeitonas de diversas qualidades, tomate e pepino fresco, pão turco ou pão sírio, ovos, salsicha de carne de vaca, mel, manteiga, compotas, pasta de tahine, sempre acompanhado pelo chá turco. É tudo servido em pratinhos pequenos, ao estilo meze, para poder ser partilhado por todos os que estão na mesa. Nós fomos ao Van Kahvalti Evi, que serve até às 11H00. Está sempre cheio e dizem que é o mais autêntico da cidade. Fica perto da Praça Taksim.
Este café do pequeno-almoço fica no bairro Cihangir, que é um dos bairros mais charmosos, culturais e boémios da cidade. Merece a pena passear um pouco pelas suas ruelas e becos, sem medo do que nos rodeia, porque apesar do aspeto mais pesado das ruas, é tudo muito tranquilo. Cihangir é o bairro de eleição de escritores, intelectuais e da comunidade LGBTQIA+. Será, de certeza, o bairro mais progressista e inclusivo da cidade, com um estilo de vida relaxado e multicultural. Visita obrigatória para quem procura um lado mais autêntico e alternativo da cidade. Uma parte do bairro tem vistas fantásticas para o Bósforo e para a zona asiática de Istanbul.

A Praça Taksim será a mais central e emblemática da cidade e onde tem início a principal rua de Istanbul, a Rua Istiklal. Todos os festejos, protestos, festas nacionais e encontros públicos acontecem nesta praça. Aqui pode-se visitar o Monumento da República, que celebra a fundação da mesma, e a Mesquita Taksim. A Praça acaba por ser também a divisão entre a parte histórica e a parte moderna.Parte superior do formulário.

A Rua Istiklal é das mais famosas e movimentadas. Tem 1,5 km de comprimento, é pedonal, circulando apenas o histórico elétrico vermelho. Tem várias lojas de marcas internacionais, boutiques locais e muita oferta de restaurantes, cafés históricos e confeitarias tradicionais. Nas estreitas ruas laterais, bares de diversos estilos, têm uma oferta diversificada, assim como pequenos alfarrabistas e pequenas galerias de arte. Como curiosidade, esta rua, durante o Império Otomano, tinha o nome de Grande Rue de Péra, alterando o nome após a constituição da República, para Istiklal, que significa Independência. É aqui que também se pode visitar a Igreja de Santo António de Pádua, a maior igreja católica romana da cidade. Tendo já sido palco de atentados, a rua é fortemente patrulhada por forças policiais.

O elétrico vermelho que percorre a rua em toda a sua extensão, custa 27 TL por viagem, e é apenas para matar saudades da nostalgia deste transporte. Normalmente anda sempre apinhado de turistas, pelo que se torna mais interessante fazer a rua a pé. Aliás, esta é seguramente a melhor forma de conhecer a cidade. Sempre que a visitamos, a nossa média diária fica sempre entre os 15 e os 18 km.

Ora já estivemos no bairro Cihangir, Praça Taksim, Rua Istiklal e percorrendo esta rua, vamos ter à rua Galip Dede Caddesi, uma das melhores ruas para souvenirs, de dia ou de noite. É muito charmosa e é onde existem muitas lojas de instrumentos musicais, pequenas boutiques e bancas de sumos naturais, sendo que o de romã é maravilhoso. A par disso, muitas lojas de souvenirs, com destaque para toalhas de praia a preços excelentes e olhos turcos estilizados.
Depois da aventura de “compras”, a Torre Gálata, um dos grandes símbolos de Istanbul. Foi construída pelos genoveses em 1348, e do seu topo tem-se uma vista panorâmica de 360º da cidade. Tem elevador para a subida e o interior contém exposições históricas. O preço de visitas a monumentos aumentou de uma forma brutal. Em 2022 pagámos nesta torre 10 € por pessoa, sendo que em 2025 está nos 30 €. A melhor rua para fotografar a torre é a Büyük Hendek. Bem pertinho, para quem aprecia coisas doces, experimentem o cheesecake San Sebastian, na pastelaria Viyana Kahvesi Galata. Não é barato, pelo que provem só se gostarem muito de cheesecake. É preço para turista.
Para quem gosta de livrarias, imperdível a visita à Minoa Pera, na rua Meşrutiyet. A livraria combina, para além dos livros, café, restaurante e centro cultural, num lindo edifício que data de 1896. Tem à disposição mais de 50.000 títulos, muitos deles exclusivos. Fotograficamente é um spot a não perder.
Para terminar esta zona, não deixem de visitar o Pera Palace Hotel, em funcionamento desde 1895. Com “jeitinho” conseguem entrar. Este hotel tem uma ligação direta com a escritora Agatha Christie, que aqui se hospedou variadas vezes. Uma parte do seu célebre romance “Crime no Expresso do Oriente” foi aqui escrito. Este hotel era o ponto final para os passageiros que viajavam no mítico Orient Express, que ligava Paris a Istambul, serviço que iniciou em 1883 e que infelizmente já não existe. Para os amantes da escritora, se ficarem neste hotel, peçam o quarto 411, que era onde a escritora se hospedava sempre. Este hotel foi o primeiro edifício da Turquia a ter eletricidade e elevador.
E depois destes regressos ao passado, aproveitar o funicular Tünel, que termina a sua curta viagem em Karaköy. O funicular tem um percurso de 573 metros, e está em funcionamento desde 1875. É o segundo funicular subterrâneo em operação no mundo, só ultrapassado por um londrino, que opera desde 1863. A viagem dura 90 segundos e custa 17 TL.

E chegamos a Karaköy, junto ao Bósforo. Para quem está de frente para a Ponte Gálata, para o lado direito, várias zonas ajardinadas, são ponto de encontro de famílias e amigos ao final da tarde e princípio da noite, para convívio e piqueniques, sendo que o termo com chá é um acessório que nunca falta. É também aqui o mercado do peixe, onde restaurantes confecionam peixe acabado de comprar nas bancas. Para o lado oposto, zona mais recente, com vários restaurantes e cafés, e o Museu de Arte Moderna, reaberto em 2023, num edifico projetado pelo arquiteto Renzo Piano. Preço de entrada de 750 TL. No regresso à Ponte Gálata, paragem obrigatória no Karaköy Güllüoğlu, para provar baklava, talvez o doce mais tradicional da Turquia.

Hora de passar para a outra margem do Corno de Ouro, pela icónica Ponte Gálata, que liga Karaköy e Eminönü. Esta ponte metálica, tem quase 500 metros de comprimento, com passagem de veículos, elétricos e pedestres. Um dos pontos de pesca mais disputados pelos locais, com a ponte sempre repleta de pescadores. No piso inferior, e em toda a sua extensão, dezenas de restaurantes oferecem pratos típicos essencialmente de peixe. Noivos elegeram a ponte como um dos locais para fotos. A ponte é um dos melhores spots para ver e fotografar o pôr do sol.
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