CAC pondera abandonar, a meio, competições nacionais de Goalball

O Clube Atlético e Cultural, em comunicado enviado ao Diário de Odivelas, manifesta publicamente a sua indignação face às situações de desrespeito e hostilidade dirigidas aos seus dirigentes e atletas no contexto do Goalball nacional e pondera abandonar, a meio da época, as competições nacionais da modalidade.

Refere o comunicado que «Como instituição com mais de 50 anos de história e referência nacional e internacional no desporto adaptado, o CAC recusa climas de tensão e atitudes que prejudicam o trabalho e a estabilidade emocional dos seus atletas e de quem à volta da modalidade trabalha» e por isso resolveu «Tornar público alguns dos últimos acontecimentos na modalidade, garantindo que todas as entidades competentes tenham pleno conhecimento da situação e das dificuldades enfrentadas pelo clube e pelos seus atletas».

O CAC explica que, «Recentemente, a poucas horas da Supertaça, o clube foi surpreendido por uma tentativa de impedir a participação de um atleta devidamente inscrito, situação que evidencia incoerência nos critérios aplicados e falta de respeito institucional, dado que o mesmo episódio foi aceite no ano passado com suposta conivência da ANDDVIS, uma vez que através do seu presidente informou o responsável do ex-clube do atleta da situação».  O CAC reafirma que «Não aceitará qualquer forma de condicionamento ou desrespeito e continuará a defender a integridade dos seus atletas e o fair play na modalidade».

O CAC comunicou formalmente o problema à FPDD, e a FPDD não permitiu o cancelamento da inscrição do atleta pela ANDDVIS, garantindo assim o respeito pelos regulamentos e a defesa dos direitos do clube e dos seus atletas.

Diz também o CAC que «No seguimento dessa tentativa falhada nos bastidores, no campo também se sentiu a pressão e hostilidade, com decisões incompreensíveis que tornam o jogo disfigurativo, afetando atletas, treinadores e a integridade da modalidade».

O clube «Lamenta atitudes desrespeitosas dirigidas aos seus representantes e reforça que atuará junto das entidades legais e competentes para assegurar a resolução da situação, incluindo a exposição dos factos ao CPP (Comité Paralímpico de Portugal), à FPDD (Federação Portuguesa de Desporto para Pessoas com Deficiência) e ao IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude)».

Para além de repudiar as tentativas de impedir a participação dos seus atletas, o CAC repudia também «Que os seus dirigentes tenham sido alvo de insultos, insinuações graves e pressões constantes em contextos institucionais, incluindo assembleias gerais. Esta combinação de atitudes cria um ambiente de hostilidade sistemática, que desrespeita o trabalho, a dedicação e a integridade do clube, e evidencia a urgência de garantir coerência, justiça e respeito pelos regulamentos e pelos atletas».

O comunicado deixa claro que «Caso algum atleta seja impedido de jogar por decisões de bastidores, o CAC não se apresentará em campo, reafirmando o seu compromisso com a ética, transparência, justiça desportiva e os nossos atletas», afirmando que «A gestão da associação é conduzida de forma robotizada e desumana, privilegiando jogos de bastidores para alterar a inscrição de um atleta em vez de garantir a correta e transparente classificação desportiva».

Até hoje, o CAC continua à espera de um esclarecimento, uma vez que, sendo o 3.º classificado da época desportiva, não foi incluído na Taça Ibérica, uma decisão incompreensível e considerada vergonhosa a nível nacional e internacional, refere o clube.

Para o CAC «Estas situações só têm ocorrido porque o clube tem-se posicionado contra as recentes alterações de regulamento, devido ao facto de um dos seus atletas ter renunciado à seleção nacional e pelo sucesso pessoal e profissional dos demais elementos que compõem o clube, evidenciando uma clara relação entre a contestação responsável do CAC e a pressão institucional que tem sido exercida sobre o clube e os seus membros».

Para o clube é «Inaceitável que a associação proíba gravações e vídeos em competições nacionais de Goalball, mesmo de elementos do próprio clube, permitindo apenas a realização desses registos caso o clube pague direitos de imagem, numa postura que demonstra inflexibilidade, falta de apoio e desvalorização do trabalho do clube e não valorização e promoção da modalidade, valorizando as receitas que pode obter».

O clube refere também «O valor exorbitante das inscrições cobradas aos atletas e ao clube, no contexto do desporto adaptado em Portugal, não promove o crescimento da modalidade nem incentiva novos clubes ou atletas, pelo contrário, limita o acesso e dificulta a participação. Isto ocorre para além dos diversos apoios que a associação já recebe, demonstrando um modelo financeiro que não beneficia a base da modalidade» e lamenta que a «Não tenha apoiado o clube na organização da maior prova europeia de clubes de Goalball em 2026, tendo inclusive se oposto à candidatura apresentada pelo CAC, condicionando qualquer apoio e solicitando contrapartidas ao clube», tendo mesmo negociado com o clube «A não apresentação da candidatura, prometendo em troca a atribuição de outra organização, uma situação que demonstra falta de compromisso com o desenvolvimento da modalidade, o que torna a situação grave».

O CAC considera que «Estes últimos acontecimentos demonstram desafios graves enfrentados pelo CAC e pelos seus atletas e estrutura, mas muito mais será explicado em tempo e local oportuno. Parte do que se passou e irá se passar não pode ser divulgado, para proteger aqueles que, todos os dias, dão o corpo e a dedicação pelo clube e pela modalidade», e aguarda «Uma posição clara e definitiva das entidades competentes sobre estes últimos factos, de forma a garantir transparência, justiça e integridade na modalidade».

O clube promete, enquanto referência nacional e internacional, continuar «A trabalhar por um ambiente desportivo saudável, inclusivo e ético, valorizando o mérito e a dedicação de todos os que representam o clube e a modalidade», e afirma que «Atua não em nome de cores ou interesses de clube, mas pela modalidade e por todos aqueles que diariamente a praticam, defendendo a justiça, a integridade e o desenvolvimento do Goalball em Portugal»

Imagem gerada pelo Copilot da Microsoft

 

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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