Diário de Bordo – Ilhas Faroé | Crónica 1

Mais um novo território. Desta vez as Ilhas Faroé, onde em agosto se anda de cachecol e gorro! Mas de uma beleza fantástica e um paraíso para amantes de natureza crua e bruta e fotografia. António, economista e Ana, professora, aproveitam todas as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.

Ilhas Faroé – Dia 1

Viagem a começar com noite de direta, uma vez que o voo sai de Lisboa às 05H00. Primeira perna para Amsterdão, segunda para Edimburgo e terceira para o nosso destino final. Esta última com um atraso de uma hora na saída, pois a lista de passageiros não batia certa.

A aterragem na ilha tem algo da aterragem em Paro, no Butão, para quem já a conseguiu fazer. O voo é rasante a um lago, com montanhas de cada lado, até se chegar à pista. Um verdadeiro espetáculo para quem gosta deste tipo de emoção. Ainda mais impressionante ficou, com as manchas de nevoeiro que haviam espaçadas, o que fez subir muito mais a adrenalina. Como curiosidade, esta pista foi feita pelos britânicos, quando estiveram nas ilhas, no período da Segunda Guerra Mundial.

As instalações aeroportuárias são modestas. Ficamos na rua, na fila, a aguardar a necessária revisão do passaporte, com uns fabulosos 9 graus, vento e alguma chuva miudinha à mistura. Tempo de ir buscar o “parceiro” de aventura que nos vai acompanhar estes dias. Um carro branco cheio de bolinhas autocolantes pretas, e que indicam todas as amolgadelas e riscos.

A seguir, hora de fazer o check in no Hostel onde vamos pernoitar os próximos dias, na Ilha de Vagar. No caminho, paragem no supermercado BONUS, para umas compras de última hora. Para minha surpresa aqui vende-se Toffee Cryspi, provavelmente a melhor barra de chocolate que já se fez no mundo! Infelizmente retirada do mercado em Portugal, ainda gostava de saber porquê!

A natureza bruta aqui é o normal. Só os 3 kms que fizemos do aeroporto até ao supermercado, já nos deixam super entusiasmados para o que se vai seguir. O tempo aqui parece ser algo que passa muito devagar, e não se nota pressa nem pressão nos locais. É tudo muito supertranquilo, e todos respeitam os limites de velocidade, que vão variando entre 50 e 80 quilómetros por hora, sendo esta última velocidade, a máxima permitida no país.

Dizem que nas Ilhas Faroé as pessoas não fecham a porta. E talvez seja mesmo assim. O check in no hostel, foi a coisa mais simples do mundo. À entrada, um quadro com o nome de quem chegaria, e o número do respetivo quarto. Por baixo, a mensagem do dono: “fui dar treino de futebol. Vão entrando que eu talvez ainda apareça hoje”.

Assim que chegámos ao quarto, ouvimos um miado, e entra por ali adentro o Garfield cá do sítio. Já ficámos grandes amigos.

Hora de fazer o “chop chop”, que aqui qualquer restaurante é para deixar um rim. A cozinha tem uma vista fabulosa para o fiorde. Se já tenho prazer em cozinhar, com uma vista destas, o prazer é redobrado. Ambiente super giro de hostel, e o jantar e parte da noite foi passado em amena cavaqueira com uns espanhóis e com um esloveno. Hoje, com o nevoeiro que está, não haverá por do sol às 22h30.

Mas o que são as Ilhas Faroé? Um arquipélago de 18 ilhas com uma área de 1 396 km², situado no coração do Atlântico Norte, entre a Islândia e a Noruega. Nenhum ponto das ilhas está a mais de 5 km do mar. O relevo é montanhoso e de origem vulcânica. O clima é temperado marítimo frio, influenciado pela Corrente do Golfo, o que faz temperaturas bastante moderadas para a latitude. De inverno neva, e o tempo varia bastante ao longo do dia. Ventos fortes são muito frequentes. A temperatura média no verão é de apenas 12°C.

Estas ilhas não são totalmente independentes, mas têm uma autonomia política muito ampla. São um território autónomo da Dinamarca, e não fazem parte da União Europeia. Têm governo e parlamento. A Dinamarca ainda exerce a sua responsabilidade em questões de defesa, moeda e política externa.  A moeda é a coroa faroesa, emitida em paridade com a coroa dinamarquesa.

Apenas com uma população de 54 000 habitantes, o nível de vida é elevado, numa sociedade com altos padrões de educação, assistência médica e segurança. O salário médio é seguramente superior a 50 000 € por ano, sendo que no caso dos pescadores, pode ultrapassar 150 000 € anuais. Os impostos rondam 36% do rendimento e a taxa de IVA é de 25%.

A indústria ligada à pesca é a maior fonte de rendimento das Ilhas. Peixe e produtos derivados, representam praticamente a totalidade dos produtos exportados. O turismo é a segunda indústria, seguido de produtos à base de lã. Há mais ovelhas nas ilhas do que habitantes. Já se vê com frequência no nosso país, bacalhau com origem nestas ilhas. Também em 2016 e 2017, estas ilhas muito pouco conhecidas de nós, ganharam alguma curiosidade, quando ficaram no mesmo grupo de qualificação para o Mundial de 2018, com a seleção portuguesa.

Nas ilhas, os habitantes têm acesso gratuito a todos os graus de ensino bem como assistência médica e medicamentosa. Os transportes públicos são muito baratos, havendo até helicópteros como transporte publico, que ligam ilhas mais pequenas. A taxa de desemprego é apenas de 1%.

O custo de vida é alto para nós. Uma refeição num fast food ronda os 20€; uma refeição num restaurante mais tradicional pode custar 100 €; um café custa 5 €.

  • Diário de Odivelas - Redação

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