O dia amanheceu bastante “farrusco”, uma situação normal por estas latitudes.
Pequena almoço no Hostel e zarpar que o dia vai ser longo e totalmente dedicado à ilha Streymoy.

Dois túneis depois, estradas muito cénicas, com paisagens lindíssimas, mas desfavorecidas pela neblina que teimava em ficar, chegámos à capital, Tórshavn. A cidade estava praticamente deserta, e perdermo-nos um pouco por ela, sem grande destino.
Passámos pelo bairro histórico, Tinganes, atualmente a sede do governo, com casas de madeira, vermelhas e telhados com relva. Imperdível! Passear naquelas vielas estreitas, faz-nos recuar bastante no tempo. Deu-nos também a visão da frugalidade das instalações do governo, sem grandes luxos, ou mesmo nenhuns, ao contrário do que costumamos ver. Comparem o nível de vida e vejam as diferenças.

O Porto de Vagsbotnur é também visita obrigatória, com as suas casas coloridas, que se quase se debruçam no mar. Repleto de bares e restaurantes. Por curiosidade fomos ver a lista de alguns restaurantes. São preços de outra galáxia. O maia barato tinha um menu sem bebidas a 83€ e outro um menu de 5 pratos típicos e vinho a 185€. Preços por pessoa…

Perto, o Forte de Skansin, construído em 1580, para proteger a cidade de ataques piratas. Foi também usado pelas tropas britânicas como base militar no período da Segunda Guerra Mundial. Tem uma vista magnífica para o porto, para o bairro histórico e para o mar, com a ilha de Nólsoy no horizonte. Painéis informativos contam a história do local.

Visitámos também a Catedral de Tórshavn, uma linda igreja luterana, toda branca e com o telhado azul, construída no século XVIII, Fica no centro da cidade, sendo um dos seus símbolos. Sendo domingo havia missa, e nós também fomos. Pela primeira vez numa missa num templo luterano. Muita música, todos os presentes a cantar, mas não entendíamos patavina. Hora de ir embora, mas… a igreja estava fechada por dentro. Boa forma de manter os fiéis. Depois de um puxador desmanchado, na fútil tentativa de escapar, eis que um fiel atrasado, abre a porta por fora e cá vamos a toda a brida para continuar a descobrir esta bela ilha.

O resto da manhã foi descobrir pequenos recantos, até ao almoço, num nível de estrela Michellin, onde se destacou o salame dinamarquês com pimenta e a vista maravilhosa do spot, para uma outra ilha, onde soubemos viverem apenas 15 pessoas. Tem somente uma pequena estrada, que vai da aldeia ao farol, mas, acreditem ou não, tem uma piscina pública e escola! Até nos sentimos em Portugal!

A tarde iniciou-se com baleias piloto, as tais que nos tinham dado a dica no Hostel, que nadavam despreocupadamente num fiorde. Depois…depois foi um frenesim de locais de perder a respiração. Montanha, fiordes e praias de areia preta simplesmente maravilhosas.
Algumas caminhadas são pagas, num negócio dos donos dos terrenos, num sistema muito evoluído. Os terrenos são todos vedados, e à entrada do trilho, uma cancela elétrica, e um sistema de pagamento com cartão. Quem pagar, entra!
Chuva pelo meio também aconteceu, mas sem aborrecer muito.
Outros locais visitados:

Kirkjubø, uma das vilas mais antigas das ilhas e uma das mais históricas. Foi, em tempos recuados, o centro religioso do país. Ainda se podem ver as ruínas da antiga Catedral de São Magnusur, e a casa Roykstovan, uma das casas mais antigas da Europa e ainda habitada. Foi construída em 1100, e é ocupada pela mesma família há 17 gerações!

Kaldbak, uma pequena povoação, ao longo do fiorde Kaldbaksfjørður. A igreja é deliciosa, numa construção tradicional e com relva no telhado. Com apenas 250 habitantes, tem creche, jardim de infância e escola primária. Quase a entrar na vila, a cascata Týggjará dá-nos as boas-vindas.
Saksun, lindíssima e imperdível. Pequena vila remota, com uma localização única. Fica acima de uma lagoa, de areias pretas, rodeada de montanhas, com várias cascatas. Tem-se uma sensação de serenidade e tranquilidade incríveis! Apenas com 11 moradores.
Tjørnuvík, praia de surf, com ondas de qualidade, pelo que nos disseram. Quando a visitámos, dois surfistas tentavam apanhar ondas de meio metro, sem muito sucesso, num mar praticamente flat.

Kvívík, povoado com raízes históricas que remontam aos vikings. Pode-se visitar escavações que vão decorrendo.
Vestmanna, mais uma vila colorida, e muito interessante de se visitar.
Hora de regressar ao nosso Hostel, e hoje trocámos a food truck por uma nova descoberta a preços aceitáveis. Um pequeno “tasco” de tailandeses, onde nos deliciámos com um fish & chips, porque o peixe, na realidade, aqui vale a pena. Também havia pizzas, mas isso há em todo em lado.









