Diário de Bordo | Ilhas Faroé – dia 5

Hoje não tivemos a “sorte meteorológica” que nos tem acompanhado nesta viagem. O dia estava reservado para explorar a nossa ilha, Vagar, que é minúscula, mas a chuva mantinha-se persistente.

Enquanto tomávamos o pequeno-almoço, o tempo aliviou, o que nos deu algumas esperanças, pelo que saímos a toda a velocidade para as falésias, em busca dos Puffins, os lindos papagaios-do-mar.

Aproveitámos para parar no lago Sørvágsvatn, e admirar a estátua do NIX, em forma de cavalo. O NIX é uma criatura mítica, capaz de se transformar em diversas formas. Alguns aviões na sua aproximação à pista, vinham num voo quase rasante ao lago.

Estando perto do aeroporto, paragem também para comprar a bandeira, que terá o seu lugar na minha mochila de equipamento fotográfico e que me acompanha em grande parte das viagens.

A luz manteve-se excelente, mas com nuvens ameaçadoras no horizonte. Os Puffins até que colaboraram, e vimos bastantes. Sem teleobjetiva, não foi fácil captar um, numa foto decente. São pássaros muito irrequietos. Visita também a uma pequena aldeia instalada muito perto das falésias.

A chuva, entretanto, voltou a cair, e com intensidade. Regresso rápido ao carro, e fizemos a boa ação do dia, ao dar boleia a um casal de jovens italianos, que fizeram uma caminhada, deixando o carro do outro lado do túnel. Vieram pelo exterior da montanha e iriam fazer o túnel. Teriam 1 quilómetro de chuva intensa e 1,3 quilómetros de um túnel sem iluminação, tipo buraco de toupeira.

Regresso antecipado ao Hostel para almoço, porque a chuva não dava tréguas.

Curiosidades sobre as Ilhas Faroé:

– Não se vê nenhum lixo nas ruas.

– Existem um pouco por todo o lado WCs públicos que estão completamente equipados e muito limpos.

– Nota-se que existe um espírito comunitário grande, entre os locais. Por exemplo, vê-se em todo o lado caixas de plástico perto de estradas. Abri uma, e tinha sal e uma pazinha. Quando é necessário, quem estiver a utilizar a estrada deve espalhar.

– O sistema remuneratório é mais elevado para quem tem mais anos de trabalho. Aqui chama-se experiência, em Portugal, país de “inteligentes”, chama-se “vícios” e descartam-se pessoas extremamente válidas.

– O helicóptero é transporte público. As ilhas mais remotas e sem ligação por túnel, têm serviço de heli transporte, disponível 24h para emergências. Muitas vezes as compras são feitas online e entregues de helicóptero.

– As ilhas são totalmente verdes. O prado impera por aqui. E é um prado bonito e fofinho, que nesta altura do ano todos apanham para armazenar para o inverno.

– Nas igrejas luteranas existem placares com números. Em todas elas os números são diferentes. Finalmente alguém nos explicou: são os salmos que se cantam na missa de domingo e que vão variando de igreja para igreja e de domingo para domingo.

– Os supermercados vendem muita lã, das muitas ovelhas locais.

– Nos túneis com um sentido e sem semáforos, existe um sistema de prioridades interessante, e que todos respeitam.

– Não existe GPL.

– Não há cabos de eletricidade aéreos, tirando os transportadores. Todos os cabos de ligação para casas são subterrâneos, para não estragar a paisagem.

– As lojas, nas pequenas localidades, vendem de tudo, desde roupa a adubo.

– Algumas pequenas aldeias, têm à entrada uma caixa metálica com produtos locais, como compotas, legumes, biscoitos. Todos os produtos estão etiquetados com preço, quem tiver interesse retira e coloca o valor, normalmente numa velha cafeteira.

– Cada cercado de salmão, contém cerca de 100.000 peixes. O navio que está sempre junto aos cercados, é o distribuidor de ração.

– A atribuição de matrículas a veículos profissionais é muito simples e prática. Os táxis são por exemplo TAXI 20, e os autocarros BUSS 19. Os particulares, duas letras e três números: MM 345.

Da parte da tarde, a chuva deu uma trégua, o que permitiu mais uma saída. Fomos ver Trøllkonufingur, que significa dedo da mulher. Um monólito de 313 metros de altura, que sai do mar. Como em muitas outras situações, tem uma lenda associada. Dizem que é o dedo de uma bruxa, que veio aqui para entregar as ilhas à Islândia. Só que quando o sol nasceu, a bruxa transformou-se em pedra, caindo no oceano. A caminhada é tranquila com cerca de um quilómetro e meio. Durante o percurso, vamo-nos deparando com casas isoladas, muito simples, mas com vistas deslumbrantes.

Tempo ainda para visitar a vila de Sandavágur. A localidade tem uma história muito antiga. Foi descoberta no início do século XX uma pedra com uma inscrição escrita por um viking, que afirmava ser o primeiro colono daquela área. A pedra está na Igreja, que também merece a visita. Sobressai na paisagem, com o seu telhado vermelho. Tem uma praia, mas não sei quem a utilizará. Nós estamos de gorro e casaco de penas, em agosto!

Esta praia é também conhecida por uma tradição das ilhas, que remonta aos vikings, que é a caça à baleia, num tema que gera muita controvérsia. Os locais chamam esta época de Grind. Neste período, são caçadas baleias-piloto e golfinhos de lateral branca. Quando um grupo de baleias é avistado, os habitantes cercam os animais com pequenos barcos, conduzindo-os para baias rasas, sendo que esta é uma delas. Os animais são abatidos na praia e a carne e a gordura são distribuídas entre os locais. Uma tradição que um dia terminará, uma vez que uma parte importante da população já não concorda com esta prática, e as quotas de captura têm estado a ser reduzidas.

Mais um intervalo para São Pedro “regar” e deslocação até uma vila próxima, onde se iniciava um jogo de futebol. Da equipa da casa, apenas um adepto se fazia ouvir. Tocava com veemência um tambor e gritava algo, para nós impercetível. Ainda vimos um pedaço do jogo, mas a chuva estava teimosa. Hora de ir jantar. Adivinhem onde? Fizemos a felicidade dos tailandeses, com uma despedida de  Fish & Chips. Para amanhã a previsão é de vento sem chuva e para quarta, dia de saída, rajadas de 80km. Espero que consigamos sair.

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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