Diz…correndo Na linha | Episódio 59







Queridos Leitores de Infinita Paciência, cá estou de novo.

Neste intervalo de tempo ocorreram muitas ocorrências, mas só me ocorre a expressão: “Ter a vida por um fio”

Esta frase assustadora remete-nos para uma situação delicada, em que um simples detalhe pode ser a diferença entre a vida e a morte.

Um paraquedista, por exemplo: Se os fios do paraquedas se enrolarem, a descida é súbita, talvez fatal.

Os trabalhadores das linhas de Alta Tensão: Se tocarem nelas sem proteção, ficam fritos. E eu já vi acontecer isso a um dos meus amigos.

Os elevadores de tecnologia antiga, presos por cabos, que têm muitos fios: Basta que um dos cabos se solte, ou se parta, para acontecer o acidente, como sucedeu ao malogrado Elevador da Glória, no passado mês de outubro.

Mas há casos em que os fios (ou cabos) é que dão vida ou lhe dão ajuda.

As marionetas, só têm vida quando o manipulador faz mover os fios que as suspendem.

Os aracnídeos, que dependem dos fios da teia para almoçarem.

Os tecelões, que movimentam os fios, para cá e para lá, formando a urdidura que dá forma ao pano.

Os eletricistas, que não darão luz a ninguém, se não houver fios condutores de corrente.

Os fios de água, que se juntam formando regatos, que originam ribeiros, que alimentam os rios, que engordam os mares.

Os idosos, com fios desenhados no rosto, a contarem a sua história de vida.

Os romancistas, cujo fio da narrativa é o que vai prender o leitor.

Os alcoólicos, que bebem litros a fio.

Eu próprio, que ao escrever estas parvoíces, fico no fio da navalha.

Muitas mais situações se poderiam aqui apresentar, mas já sou idoso e não me apetece.

Contudo, para não defraudar (devia ser desfraldar) a vossa expectativa, vos digo que sou um homem……

Com Fio

Intrépido Aventureiro,

Na minha força confio;

Quero sempre ser primeiro,

E assim vivo em arrepio.

Não recuso desafio,

E avanço sem temor;

Na luta, não solto pio,

Nem mesmo fazendo amor.

Quando na gruta m’enfio,

E no aperto me arrasto,

Salva-me o fluir do rio,

Porquanto, pouco me gasto.

E se for tempo de Cio,

No calor da aflição,

Com mais denodo porfio,

Pra resolver a questão.

Faço papel de bombeiro;

Mando jato d’água em fio;

Todos me acham porreiro,

E no fim ‘inda me rio.

O conselho da semana é:” Desconfia dos cães que mordem as mãos que os alimentam”. 

Já as gatas, podem morder.

José Duarte

P.S. – Mil perdões, vos peço, por estes meus neurónios em fase de preguiça. Preciso de um esti   mulo, ou esti   mula, para os escoicear. Ele há por aí voluntários?




 

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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