Dia de fazer check out no nosso Hostel, que apesar do aspeto exterior, era bem catita e com um ambiente muito bom. Por aqui, até um velho autocarro pode ser alojamento. Neste caso era um complemento do Hostel e muito utilizado. A manhã foi muito prometedora no que dizia respeito ao clima. Um sol bom, mas que rapidamente se desvaneceu. Nuvens, frio e muito vento, passaram a ser o normal do dia, tal como a previsão indicava no dia anterior. Os meteorologistas acertaram, com pena nossa.
Este dia, também reservado para a nossa pequena ilha, seria de caminhadas e antes da chuva regressar ainda conseguimos fazer duas, em paisagens de cortar a respiração.

Regressámos a Sandavagur, para uma caminhada ao longo do fiorde, e fizemos um percurso alternativo, perto do dedo da mulher. Nota importante para quem vier visitar o país: tragam botas de montanha, porque são bem necessárias, mesmo no verão. De preferência das altas, para protegerem os tornozelos, porque há caminhos muito escorregadios e rugosos. Tempo ainda para descobrir um pequeno construtor naval, que só respondia a perguntas entre as 14h e as 16h. Ficámos algum tempo a vê-lo trabalhar, em silencia, numa embarcação típica local.

Depois fomos até Bøur uma pequena vila muito acolhedora. O carro tem de ser estacionado à entrada da localidade, como em grande parte das pequenas vilas, para gerar pouca confusão e manter a tranquilidade dos espaços. Placares indicam aos visitantes, que não devem espreitar para o interior das habitações, respeitando a privacidade das pessoas. As casas mais recentes têm grandes janelas, de forma a deixar entrar bastante luz, que deve ser muito pouca nos meses de inverno. Nas aldeias, as casas continuam a surpreender pela sua beleza e pelo cuidado na sua manutenção. Esta vila tem uma praia de areia preta, e é excelente para passear à beira-mar. Um lindo cenário para desfrutarmos de mais um Toffee Crysp.

Voltámos de novo a Gasadalur, onde ontem a chuva nos forçou a ir prematuramente para o carro. Vila com 12 habitantes, e até 2006, data em que o túnel abriu, o único aceso era uma longa caminhada, contornando a montanha. O carteiro vinha aqui 3 vezes por semana, fazendo esse percurso…
A temperatura teima em manter-se nos 7 graus, que com o forte vento, dá uma sensação térmica nada interessante. Aproveitámos para dar uma lavadela ao carro, numa mangueira que surgiu num pequeno desvio, no meio do nada, e onde, pelos vistos, os locais lavam os carros. Até tinha escova e tudo.

Passagem pelo supermercado para nos livrarmos das moedas. Como estávamos com tempo, deu para “apreçar” alguns artigos, como dizia a minha avó, numa das suas atividades preferidas. Uma garrafa de 1,25 L de água local custa 3,5 euros. A sorte, é que aqui pode-se beber água em qualquer lado. Até nas cascatas! As azeitonas, normalíssimas, por kilo, custam 30 euros! Produtores portugueses de azeitonas: o que esperam para exportar para aqui?
Check-in no alojamento de hoje, em Sorvagur, o último da viagem. Nunca tínhamos alugado uma caravana. Foi hoje. Pelo que nos apercebemos, é um negócio em crescimento por aqui. Nem imaginam a quantidade de caravanas que existem nos quintais dos moradores. Quando não as utilizam, alugam-nas.
Entrega da viatura, 1037 quilómetros depois, num método também virgem para nós. O balcão só abre quando há voos. Esta tarde não havia chegadas. Nesse caso, deixam-se as chaves num cofre e já está. Daqui a uns dias alguém dirá alguma coisa. Não há verificação de possíveis danos, e essa responsabilidade cabe em grande parte ao utilizador, que deverá assinalar e fotografar algo que tenha acontecido. Da caução que deixámos, via cartão de crédito, vão descontar o valor a pagar pela utilização dos túneis. Estranho, mas na realidade prático.

Como entregámos o carro, e só partimos amanhã, tivemos de caminhar até à caravana, que está a 20 minutos do aeroporto. Amanhã de manhã, lá pelas 05H00, nova caminhada no sentido inverso e, 3 voos depois, chegaremos ao calor.
Visita ao supermercado BONUS local, para compra do jantar, cozinhado na caravana. O vento cada vez soprava mais forte, abanando fortemente o nosso alojamento, o que até nos embalou para adormecer mais rápido, mas deixando a dúvida se haveria voos ou não, por eventuais ventos fora dos limites.
Às 04H45, e com duas mochilas, uma atrás e outra à frente, caminhada até ao aeroporto, num percurso de 2 quilómetros. O vento soprava forte, mas ouvimos um avião a aterrar. Se aterrou, também descolará.
Faroé-Copenhaga-Amsterdão-Lisboa era o percurso de regresso.
Apesar da tempestade que se estava a abater, não houve problemas com o vento, que reparei, estar enfiado com a pista. Estes pilotaços daqui, devem estar habituados a voar com porrada valente, porque o clima não é fácil. Até reparei num pormenor com as assistentes de bordo, que foi o uso de sapatos rasos, que deve ajudar ao equilíbrio em voos complicados.
Resumindo esta viagem, mais uma vez percebemos, que a verdadeira viagem não está apenas em visitar lugares, mas sim absorver a forma como eles nos transformam. Aqui aprendemos a desacelerar, a relaxar, a saber contemplar o silêncio, uma constante nesta viagem. Levamos as botas enlameadas, mas o coração cheio, de uma natureza que fará parte de algo maior, e muito mais bonito do que apenas algumas fotografias possam sugerir.
Para finalizar, mais algumas fotos.
Para a semana, novo destino, novas crónicas, numa viagem bem recente, realizada no final de 2025 e princípio de 2026. Um destino muito procurado pelos portugueses no verão. Nós optámos por descobrir a sua beleza, durante o Inverno. Ilhas gregas de inverno, será o tema das próximas crónicas.



























