Diário de Bordo – Ilhas gregas de inverno | Crónica 1







Grécia dia 1

Início da road-trip de Natal, por 3 ilhas gregas: Creta, Santorini e Rhodes. Vamos chamar-lhe “ilhas gregas de inverno”. Voámos na AEGEAN, primeiro para Atenas, com uma escala de 10 horas, antes do voo para a primeira ilha da viagem, Creta. Oferta de pequena refeição a bordo, o que já não é muito usual em companhias europeias. A aviação perdeu todo o seu glamour. Ainda me lembro de um voo há muitos anos para Frankfurt, onde antes do jantar, serviram amendoins com uma bebida que se podia selecionar entre várias, enquanto deixavam a carta para escolha da refeição. E tudo isto em económica! Voltando à nossa escala, noturna, aproveitou-se para limpar o email, e escrever mais algumas receitas para o blog, outra das paixões. Se forem entusiastas, deixo aqui o endereço: https://arrozoumassatemdeserbatatas.blogspot.com/.

Mais uma noite de “direta” em viagem, sendo que este aeroporto é pouco friendly a viajantes dorminhocos. Não há salas com luzes reduzidas, e durante a noite, de repente, a música começa a tocar bem alto. São 4 da manhã e parece o encerramento do Urban Beach!

Finalmente o voo para Creta. Curtinho, mas mesmo assim, oferta de uma bolacha e café. Algumas filas atrás de nós, duas pequenas miúdas foram a infernizar a vida dos “vizinhos”, com gritos durante toda a viagem. Eu por acaso gosto de miúdos irrequietos, mas muitos passageiros já ficavam com um ar enfadado.

O primeiro aluguer de viatura, foi na SIXT, sempre via Discovery Cars. Calhou-nos um Fiat Panda, sem tampa de bagageira. Felizmente havia muitos no parque e o simpático funcionário foi de imediato retirar a outra viatura. Fizemos o seguro 100% Total na Discovery Cars, pelo que nestes casos a companhia bloqueia um valor no cartão de crédito. Se optarem por esta solução, tenham atenção a este detalhe, informado no site, antes da confirmação da reserva.

E começámos a conhecer Creta, a maior ilha da Grécia. Tem 250 km de comprimento, com uma cadeia de montanhas, de encostas suaves a norte e penhascos abruptos a sul. É uma das 227 ilhas habitadas do país.

A primeira visita foi ao Palácio de Knossos, o maior e mais importante local arqueológico da Grécia. Foi o epicentro da sofisticada civilização minoica, da Idade do Bronze. Sendo domingo, poupámos 44 €, uma vez que não se paga entrada neste dia. Este palácio possuía complexos sistemas de armazenamento de água, azeite e cereais, em gigantes potes de barro, áreas administrativas, salas reais e de rituais. Tem uma estrutura labiríntica, que se pensa ter a ver com a lenda do Minotauro, que, caso entrasse na cidade, ficaria preso no labirinto. Possuía frescos belíssimos, com cenas do quotidiano, natureza e religião. É um testemunho da primeira grande civilização europeia, conhecida pela sua talassocracia – domínio marítimo – escrita e adoração do touro. Existiu entre 2200 a.C-1450 a.C, sendo depois desse período assimilada pelos micénicos, vindos do continente. O seu declínio poderá ter a ver com catástrofes naturais ou invasões, não se sabendo explicar efetivamente o seu desaparecimento. Mais tarde, a ilha passou pelas mãos de árabes e bizantinos.

Almoço num restaurante local, com empregados muito simpáticos. Um gyro de porco e um outro de borrego, para abrirmos as hostilidades gastronómicas locais. A escolha do borrego gerou uma “discussão” amigável com o empregado, porque ele não gostava de borrego. Sempre atenciosos, a perguntar se estava tudo bem. Quando tratamos as pessoas com respeito e delicadeza, também somos respeitados e acarinhados.

GYRO

Quando íamos pagar a conta na caixa, tivemos de voltar à mesa, porque um dos empregados trazia um prato com bolos e gelado, “on the house”.

Depois de uma agradável refeição, o objetivo era ir ao museu arqueológico de Heraklion. Contudo, e em vésperas de Natal, numa zona antiga da cidade, onde se concentra o comércio, e após muitas voltas, foi impossível conseguir lugar para o carro. Nem no estacionamento pago, onde estava uma confusão diabólica, com carros a querer entrar e a tapar as saídas dos que queriam sair. Caótico! Mas como vamos regressar a esta cidade, e teremos aí oportunidade de visitar o museu, optámos por seguir caminho, numa rota sem reservas de alojamento, como gostamos, e que nos dá uma liberdade incrível de alterar o programa mais ou menos pré-estabelecido

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O dia está lindo, com uma luz fantástica para fotografar, e a temperatura de 20 graus, permite andar de t-shirt. Percorremos uma estrada panorâmica, mesmo junto ao mar, que estava sereno e com um azul lindo! Até pessoas na praia havia, e na realidade era mesmo isso que apetecia. Sem reservas de alojamento, acabámos por ficar numa outra localidade, que não a prevista, e que nos pareceu bastante simpática. Uma cidade, com ambiente de vila, piscatória, Hersonissos, praticamente deserta, com 95% dos estabelecimentos encerrados, que só abrem na época de turismo, de abril a outubro. Uma maravilha!

Busca de alojamento no Booking, e, ao balcão, ainda conseguimos um preço melhor, que Genius 3. Com pequeno-almoço e upgrade de quarto com vista para o mar, num hotel de 4*, https://www.palmerahotel.gr/, pagámos pouco mais de 60 €.

Esta cidade, com origens que remontam aos dórios, prosperou durante o período romano, sendo que no século IV, um grande terramoto, destruiu-a praticamente toda. Poucos vestígios restam da sua história. Apenas conseguimos ver, na marginal, o telhado de uma fonte romana.

Pela cidade, dezenas de gatos fazem as delícias da Ana. O jantar foi numa pequena pizzaria. Quase que caímos para o lado quando vimos o tamanho da pizza. SuperXL! Deliciosa, daquelas fininhas, bem crocantes.

 




  • Diário de Odivelas - Redação

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