
O dia amanheceu bonito, com uma luz fantástica! Deu mais espetacularidade à estrada junto à costa, que fizemos durante uns quilómetros, antes de nos dirigirmos novamente para as montanhas.

Pela primeira vez vimos uma praia com ondas, a de Voulisma. Linda! Também conhecida como Golden Beach, pela cor da sua areia. Uma das mais bonitas que vimos até agora. As várias tonalidades de azul da água, dão-lhe uma beleza fenomenal! E estava completamente deserta. Até dava para um banho, porque a temperatura do ar estava bem agradável, com 22 graus e a água deveria rondar a mesma temperatura.

Voltando para a montanha, quase toda ela está forrada a oliveiras, e fortemente povoada de cabras e ovelhas. Hoje é dia de safra, e cruzamo-nos com muito pessoal a trabalhar nos olivais, com varejadores mecânicos. Como cá, trabalho para estrangeiros.

Visita ao mosteiro Moní Faneromenis, onde um padre, muito simpático, nos contou a história do mesmo. A igreja ocupa uma antiga caverna, com uma longa história. Um ícone da Virgem Maria foi descoberto nesta caverna há muitas centenas de anos, por um pastor que procurava uma ovelha. Levou o ícone para sua casa e o ícone voltou sozinho para a caverna. Isto aconteceu por 3 vezes. Passou então a ser considerado um lugar sagrado, e com a divulgação do acontecimento, monges começaram a viver aqui, ocupando várias grutas que existem nestas encostas, chegando a ser quase 100. Daí nasceu o mosteiro, no século XIII. É um local de grandes peregrinações a 15 de agosto. No interior da igreja existe uma fonte, considerada sagrada e associada a curas milagrosas por muitos fiéis. Por duas vezes o mosteiro foi incendiado, no período da ocupação otomana, mas sempre recuperado e melhorado. Dada a sua localização, num sopé de um desfiladeiro escarpado, e com uma vista tremenda para a Baía de Mirabello, foi também usado como forte.
Regresso à costa, por uma estrada cénica e sinuosa, a fazer slalom entre as muitas dezenas de cabras que por ali andavam. Ainda nos cruzámos com o pastor, que orientava o rebanho de carro, serra acima, serra abaixo, transportando toda a família. No banco traseiro, uma criança que teria 5 ou 6 anos, seguia muito contente, agarrada a um pequeno cabrito preto, certamente nascido há muito pouco tempo.

De novo na costa norte, para apanhar a estrada que segue para a costa sul. Muito perto do cruzamento, tempo ainda de visitar a igreja Agia Fotini, com uma vista linda para o mar. E seguimos diretos para Lerapetra, na parte sul da ilha de Creta. Passagem pelo LIDL, aqui muito comum, para comprar almoço e snacks para os gatos, com quem nos vamos cruzando. Têm sido muitos e praticamente todos simpáticos e afáveis. Para nós, continuámos nos rolos folhados de frango, que são absolutamente divinais e tangerinas, que têm sido uma surpresa, pelo doce que são. A praia foi a nossa esplanada, mesmo junto a um bunker que ali repousa, desde os tempos da Segunda Guerra Mundial, hoje transformado em peça de arte urbana.

O próximo ponto seria Myrtos, uma aldeia que nos surpreendeu bastante pela positiva. Antiga aldeia de pescadores, hoje totalmente dedicada ao turismo, continua a manter muito do seu charme pitoresco e tradicional. Tem uma extensa praia, de areia e seixos. Alguns estrangeiros faziam-nos inveja, apanhando sol em espreguiçadeiras, numa tarde bastante soalheira. A água parecia estar maravilhosa. Uma visita a não perder. Na marginal da aldeia, os gatos são uma constante, e os snacks fizeram um sucesso tremendo, apesar de aqui, todos os habitantes tratarem muito bem os gatos de rua, fornecendo sempre comida e água. Mas um petisco é um petisco e não se recusa.

A estrada abandona o recorte da costa e segue um pouco mais para o interior, e a paisagem deixa de ser dominada pelo verde e pelo azul-turquesa, para um manto branco, que se estende por muitos e muitos hectares. Estufas! Milhares delas! Chamado também de “mar de plástico”. São usadas essencialmente para o cultivo de tomates, pimentos, pepinos, melões e abacates.
Continuámos para as montanhas, e paragem em Viannos. Começamos logo com uma infração nas barbas de um polícia, a estacionar o carro num lugar proibidíssimo! Nem o tinha visto. Até nas aldeias pequenas, lugar para o carro é um desafio. Mas por sorte, o polícia foi simpático e disse para deixar.

Esta aldeia é tristemente conhecida, por ser o local onde os nazis massacraram 500 civis, em 1943, em resposta à forte resistência da população à sua invasão. Destruíram várias aldeias nos arredores. Um memorial, lembra todos os que pereceram, para que a memória não se apague. Tem um museu alusivo a esta triste história, que não conseguimos visitar. Neste período de festas, tem de se agendar previamente a visita. Percebemos isso noutras aldeias mais adiante, onde também tentámos visitar alguns museus.

Continuamos pelas montanhas até voltar a descer para a costa, na direção do destino do dia, Matala. Entretanto, na viagem, busca-se alojamento, e o booking tem poucas opções. Quase tudo encerrado. Vaga num alojamento local, caro para o que era, mas não havia muitas mais opções.
Matala é uma aldeia costeira, no sul de Creta, famosa pela sua praia de areia dourada e falésias de arenito, onde grutas foram escavadas. Inicialmente foram utilizadas como túmulos na Idade do Bronze, passando também com essa utilização para o período romano. Matala saiu do anonimato para o turismo, com a contracultura hippie na década de 60. As grutas passaram a ser habitação de centenas de hippies que para aqui se deslocaram. Cat Stevens, Bob Dylan, Joni Mitchell, foram nomes que por aqui passaram. Esta última faz menção à localidade, na sua canção Carey, com a frase “sob a lua de Matala”. Anos mais tarde, os hippies foram gradualmente sendo expulsos, mas Matala manteve sempre essa atmosfera, continuando a ser um local de turismo alternativo.

Quanto à nossa estadia, Matala nesta época do ano, é praticamente uma cidade-fantasma. Apenas um café aberto, pessoas na rua não há. Somente os gatos se vão aproximando com a nossa presença, e em poucos minutos já nos faziam companhia algumas dezenas. No verão, será certamente uma loucura, com as centenas de espaços comerciais, entre bares, lojas, restaurantes, que se concentram numa pequena zona da cidade, em ruas todas elas pintadas com o chão pintado com desenhos variados, relembrando a influência da cultura hippie que ainda perdura.

O jantar foi numa localidade perto, num menu completamente grego: moussaka e salada grega. Mais uma vez, a sobremesa foi oferta.
Amanhã é o regresso à costa norte.









