
No dia 08 de março, a Câmara Municipal de Odivelas celebrou o Dia Internacional da Mulher, como tem há mais de uma década, com a entrega do Prémio Municipal Beatriz Ângelo.
A cerimónia de entrega do prémio abriu com um apontamento musical com Inês Pedro de Campos na voz e Ângela Cunha no violino, seguindo-se as intervenções dos presidentes dos dois órgãos municipais, Miguel Cabrita (AMO) e Hugo Martins (CMO).
Após as intervenções foram entregues os prémios, antecedidos por um vídeo sobre a respetiva homenageada:
As homenageadas nesta edição foram:
Interdomicilio Amadora Odivelas

Nasceu de uma experiência de vida e transformou-se num projeto com forte impacto social, colocando o cuidado às pessoas, a conciliação entre a vida profissional e familiar e a promoção da igualdade no centro da sua missão.
Fundada em 2016, com o apoio da Câmara Municipal de Odivelas através do programa STARTIN, a empresa desenvolve serviços de apoio domiciliário a pessoas idosas e serviços domésticos, contribuindo diariamente para a qualidade de vida das famílias e para o bem-estar da comunidade.
A sua origem está diretamente ligada à experiência de maternidade da sócia-gerente, que, durante a sua licença parental, identificou as dificuldades de conciliar responsabilidades familiares com a vida profissional.
Atualmente, promove aos mais de 40 colaboradores um ambiente de trabalho baseado na igualdade de oportunidades, no respeito pela diversidade e na valorização das pessoas. Exemplo disso são os horários flexíveis, a organização equilibrada das cargas de trabalho, igualdade salarial para funções equivalentes e a criação de redes de apoio para colaboradores que enfrentam desafios familiares ou pessoais.
A promoção da igualdade constitui-se como um dos seus eixos estratégicos, garantindo o mesmo tratamento independentemente do género, religião, origem ou qualquer outra característica, e contribuindo para a eliminação de barreiras e para a construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e equitativo.
Foi já por diversas vezes reconhecida por entidades oficiais, incluindo a Câmara Municipal de Odivelas, através do Prémio Distinção Empresarial, por garantir o cumprimento de requisitos legais e a qualidade dos serviços prestados, bem como pelas boas práticas.
Laboratório de Prótese Dentária Unipessoal, Lda.

É um exemplo de empresa que alia a excelência técnica à responsabilidade social, colocando a qualidade, a sustentabilidade e a valorização das pessoas no centro da sua atividade.
Pelos elevados níveis de solidez, sustentabilidade e credibilidade na gestão, foi distinguida nos últimos quatro anos como TOP 5% das PME, um reconhecimento atribuído às Pequenas e Médias Empresas com melhor desempenho económico-financeiro. Em 2002, recebeu o Prémio Distinção Empresarial, entregue pela Câmara Municipal de Odivelas, na categoria de empreendedorismo e inovação.
Sustentada por esta base de estabilidade e crescimento, a empresa tem vindo a reforçar a sua atuação na área da responsabilidade social, assumindo de forma clara o compromisso com a promoção da igualdade e da valorização das pessoas.
A empresa implementou um plano para a igualdade que assegura oportunidades justas de recrutamento, progressão e desenvolvimento profissional, baseadas exclusivamente nas competências e no mérito, contribuindo para a eliminação de desigualdades e para a construção de um ambiente de trabalho mais inclusivo e equitativo. Neste sentido, promove a presença equilibrada de mulheres e homens nas diferentes funções, combatendo estereótipos profissionais.
No domínio da conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal, adota práticas como horários flexíveis, gestão equilibrada das cargas de trabalho, respeitando os tempos de descanso e bem-estar dos colaboradores. Assegura ainda uma política salarial transparente e baseada em critérios objetivos, corrigindo eventuais disparidades.
Pela organização economicamente sólida, socialmente responsável e comprometida com a construção de um ambiente de trabalho mais justo, inclusivo e sustentável.
Hortênsia Mendes

É natural de Seia, e tem uma vida marcada por mais de quatro décadas de dedicação à educação, ao serviço público e à comunidade.
Iniciou a sua atividade de docente em 1975, no Ensino Básico, construindo ao longo dos anos um percurso pautado pelo compromisso com a escola pública, a igualdade de oportunidades e o sucesso de todas as crianças.
Desenvolveu grande parte da sua carreira no concelho de Odivelas, onde deixou uma marca profunda na comunidade educativa. Foi neste município que assumiu diversas funções de coordenação e liderança, destacando-se como presidente do Conselho Executivo da Escola Básica Maria Máxima Vaz. Promoveu uma escola aberta à comunidade, dinamizando projetos de educação intercultural, cidadania, inclusão, promoção do sucesso educativo e valorização da diversidade cultural e social.
Impulsionou iniciativas que envolveram ativamente alunos, famílias, associações e instituições locais, reforçando a ligação entre a escola e o território.
O impacto do seu trabalho foi sendo reconhecido em vários momentos com manifestações de reconhecimento por parte da comunidade educativa e de diferentes entidades locais.
Após a sua carreira de docente, continuou ligada ao serviço público, desempenhando durante vários anos o cargo de Conselheira Municipal para a Igualdade na Câmara Municipal de Odivelas, contribuído ativamente para a promoção da igualdade de oportunidades, da cidadania e da participação cívica.
O seu trajeto distingue-se pela consistência, pela dedicação e por uma visão da educação como instrumento de inclusão, de justiça social e de transformação das comunidades.
Mais do que um percurso profissional, a sua trajetória representa uma vida inteira dedicada às pessoas, à educação e à construção de uma comunidade mais justa, inclusiva e solidária.
Simone de Oliveira

Nasceu em Lisboa a 11 de fevereiro de 1938. Com 88 anos de idade, é mãe de dois filhos e avó de quatro netos.
Com 19 anos, casou, mas esta experiência durou pouco, visto ter sido vítima de violência doméstica. Um episódio que a levou a uma depressão, mas que a encaminhou até ao seu verdadeiro propósito, a música.
A estreia da cantora em público ocorreu no início de 1958, no Festival da Canção Portuguesa.
Em 62 estreia-se no teatro de revista e no ano seguinte recebe o Prémio de Imprensa. Em 1964, grava um EP com muitos temas conhecidos.
Ganha reconhecimento internacional, em 65 e 69, ao representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção, com os seus grandes êxitos “Sol de Inverno” e “Desfolhada Portuguesa”, respetivamente.
O seu valor corria o mundo, tendo sido convidada para participar no espetáculo do Jubileu de Isabel II do Reino Unido.
Comemorou os 25 anos de carreira com o programa televisivo “Meu Nome é Simone”.
A 7 de março de 1997 foi condecorada com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, tendo sido elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem, a 6 de outubro de 2015.
Na sequência de um problema de saúde, em 2003, lança o livro “Nunca Ninguém Sabe”.
No Festival da Canção de 2010 subiu ao palco do Campo Pequeno para interpretar a Desfolhada, envergando o mesmo vestido com o qual venceu o Festival em 1969. No ano seguinte, recebeu o Globo de Ouro Mérito e Excelência, na 16.ª edição dos Globos.
A 29 de março de 2022, despediu-se dos palcos com um concerto no Coliseu dos Recreios. Nesse dia foi agraciada com o Grau de Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Em 2023, escolheu ir viver para a Casa do Artista, em Carnide.
“A mulher é uma construção de resistência”

Hugo Martins, Presidente da Câmara Municipal de Odivelas, abriu a sua intervenção, após os cumprimentos, com a citação de Teresa Hora que utilizámos como subtítulo, referindo, “E, de facto, a sua elasticidade, o seu inconformismo e a forma como cuida, como trabalha e como se reinventa todos os dias, constituem uma inspiração permanente para todos nós”.
O edil considero que “de facto, é inegável que a discriminação em função do género continua muito presente na nossa sociedade e no mundo, constituindo ainda um fator inibidor de desenvolvimento e da plena valorização profissional das mulheres», citando um estudo recente do Observatório de Género, Trabalho e Poder, do ISEG, que concluiu que as mulheres auferem, em média, menos 14,5% de salário-base do que os homens, o que «em termos concretos, isto significa que uma mulher portuguesa trabalha, simbolicamente, 53 dias por ano sem receber. Quase dois meses de trabalho invisível por ano”, problema que se intensifica ao longo da carreira. “Nos cargos mais qualificados, a diferença média pode atingir os 835€ mensais, sendo particularmente expressiva nos quadros superiores e funções de direção ou coordenação», acrescentou. O mesmo estudo refere que a diferença salarial tem vindo a diminuir desde 2010 e que, mesmo num cenário otimista a paridade plena apenas poderá ser alcançada por volta de 2051.
É certo que se registaram progressos. Segundo o Boletim Estatístico 2025 da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (a CIG), o diferencial salarial tem vindo a diminuir, desde 2010. Mas, mesmo num cenário otimista, as projeções indicam que a paridade plena apenas poderá ser alcançada por volta do ano de 2051.
O orador lembrou que “é importante ter presente que a desigualdade não se limita ao salário” e que as mulheres “continuam a assumir uma maior carga de trabalho doméstico. Dedicam, em média, 20% do seu tempo a essas tarefas, face a 13% no caso dos homens, o que, inevitavelmente, reduz o tempo disponível para o lazer, a participação cívica ou o desenvolvimento pessoal.”
Para além disso, “somos ainda confrontados diariamente, em pleno séc. XXI, com notícias e relatos alarmantes de violência extrema exercida sobre as mulheres. Todos os dias, milhares de mulheres por todo o mundo, de diferentes estratos sociais e culturas, são vítimas de maus-tratos, de abusos e mesmo de agressões bárbaras, comportamentos infligidos no namoro, em pleno seio familiar, sob a forma de assédio no local de trabalho, através de tortura física e psicológica traduzida, muitas vezes, nas formas de violação, de exploração e agressão sexual e até mesmo por mutilação genital”, sublinhou o orador.
Os artistas

Inês Pedro de Campos na voz
e Ângela Cunha no violino









