Crónicas do Rafu 3 – Mais à vista que o papa

Caso estejam ausentes do mundo e longe de qualquer tipo de meio de comunicação social durante todo o mês, fiquem a saber que o Papa Francisco foi chamado à sala do chefe.

Como tal, grandes figuras de estado se prontificaram a prestar homenagem ao senhor, sendo que no caso do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, foi ao senhor Carlos Moedas, utilizando vivências com o alto pontífice para enaltecer o seu trabalho. O trabalho do Carlos, no caso. Afinal, ele lembra-se bem de como as palavras do Santo Padre o elogiaram.

Agora pondera renomear o Parque Tejo com o nome da figura papal para que toda a gente se lembre do grande homem que o trouxe a Portugal. Ultimamente tem-se falado muito do Carlos Moedas, e isto é porque o Carlos Moedas fala muito do Carlos Moedas.

Seguindo o exemplo, o Estado português não quis ficar atrás e declarou um estado de luto de 3 dias. Acontece que sua santidade morreu dia 21 e o luto nacional foi declarado dia 24. Será que estavam com medo que o papa desse uma de Jesus? Deram os 3 dias por via das dúvidas, não fosse o chefe do homem mandá-lo voltar a trabalhar e terem de cancelar todo o luto. Seria deveres aborrecido o grande trabalho que seria de terem de subir novamente uma bandeira num mastro.

Tal pudor faz sentido, ou não fossem as pessoas assim de repente pensar que estávamos num estado laico.

A Itália, um país muito mais próximo da antiga casa do papa, declarou um luto de 5 dias logo no dia 22. Portugal demora sempre um pouco mais, e prova, mais uma vez, que quando as coisas chegam cá os assuntos já morreram.

Entretanto, devido ao luto nacional o governo adiou as suas próprias comemorações do 25 de Abril, porque até podemos fazer menos que os italianos, mas fazemo-lo com muito mais vontade de não fazer coisas.

O adiamento das celebrações do dia 25 é uma bonita homenagem, porque se há algo pelo qual este papa ficou conhecido é por nem gostar de celebrações de liberdade. A mesma figura conhecida pelo discurso de “todos, todos, todos” claramente seria a favor que “ninguém, ninguém, ninguém” comemorasse os valores de Abril.

As celebrações adiadas passaram então para o dia 1 de Maio. Aparentemente não há nada mais demonstrativo do país para este governo do que no Dia do Trabalhador português ainda se estar a fazer trabalhos do mês anterior.

Tal evento contou até com um concerto do Tony Carreira, escolha esta que faz todo o sentido. Afinal, o senhor Tony com certeza terá muito sucesso em deixar cravos nas mãos das pessoas, e tal como o primeiro-ministro Luís Montenegro, deixou toda uma carreira para os seus filhos.

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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