A pediculose da cabeça, infestação por piolhos, é uma das parasitoses mais frequente em idade escolar. Os piolhos não saltam, não voam, mas causam um verdadeiro alvoroço sempre que aparecem. Esses pequenos parasitas adoram cabeças quentinhas e próximas — o que faz das escolas o seu parque de diversões preferido. Se a sua família já enfrentou (ou está a enfrentar) esta batalha capilar, respire fundo: há estratégias eficazes para sair vitorioso.
Como saber se a criança tem piolhos?
O primeiro passo é ficar atento aos sinais. Comichão (prurido) intenso na nuca ou atrás das orelhas costuma ser o alerta vermelho. No entanto nem todas as crianças com piolhos tem prurido, por isso as inspeções regulares são fundamentais especialmente durante surtos na escola. O aparecimento de crostas e de pequenas feridas, na cabeça e atrás das orelhas, e a presença de resíduos acastanhados nos lençóis e almofadas podem também ser sinais de alerta.
Como tratar?
Na hora de tratar, é importante lembrar que não basta apenas lavar o cabelo. Champôs antiparasitários ou loções são aliados valiosos, mas exigem uso correto. Aplique conforme as instruções de utilização, respeite o tempo de atuação, enxague com água morna e seque com uma toalha limpa. Depois, use um pente fino para remover piolhos mortos e lêndeas (ovos dos piolhos). O processo deve ser repetido entre sete e dez dias depois para eliminar qualquer sobrevivente.
O pente fino é um verdadeiro herói! O seu uso diário, por no mínimo duas semanas, mesmo após o tratamento químico, é essencial para garantir a eliminação completa.
Os Tecidos e objetos pessoais também devem ser higienizados. Lençóis, fronhas, chapéus, escovas e acessórios do cabelo necessitam de ser lavados com água quente (a 60°C) ou isolados por pelo menos 48 horas em sacos bem fechados. Sem oxigénio, os piolhos não sobrevivem.
Aspire o chão e os locais onde as pessoas com piolhos se sentaram ou deitaram.
Não se esqueça de: se alguém em casa está com piolhos deverá observar a cabeça de todos os membros da família e contactos próximos e tratar todos os casos em que identificar infestação.
E quanto à prevenção?
Na prevenção, algumas atitudes simples fazem diferença:
- Evitar o uso partilhado de chapéus, escovas, acessórios do cabelo e phones de ouvido.
- Manter cabelos longos presos ou cortar no comprimento por forma a facilitar a remoção mecânica dos piolhos e das lêndeas, embora não seja de todo recomendado rapar o cabelo!!
- A utilização de repelentes apropriados pode ser útil em casos de recorrência, embora sem evidência científica comprovada. Manter vigilância constante do couro cabeludo.
Desvendando os mitos!
Por fim, é importante desmistificar alguns mitos. Piolhos não são sinal de falta de higiene — pelo contrário, preferem cabelos limpos, que facilitam a sua locomoção. E não, eles não voam nem saltam. O contágio acontece pelo contacto direto entre cabeças.
A pediculose não é uma doença de evicção escolar obrigatória! As crianças podem regressar à escola após o 1º tratamento com champô ou loção antiparasitário.
A comunicação também é peça-chave. Ao identificar um caso em casa, informe a escola e pais de colegas próximos. Não há motivo para constrangimento — falar sobre o assunto é um ato de responsabilidade que ajuda a controlar surtos.
Conclusão:
Ter piolhos não é motivo de pânico, mas ignorar o problema pode torná-lo mais difícil de resolver. Com calma, método e paciência — e, claro, um bom pente fino — é possível sair vitorioso dessa batalha e devolver a paz ao couro cabeludo da família.
Referências:
Cummings, C., Finlay, J. C., & MacDonald, N. E. (2018). Head lice infestations: A clinical update. Paediatrics & child health, 23(1), e18–e24. https://doi.org/10.1093/pch/pxx165
Grupo Português de Dermatologia Pediátrica. Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia “Pediculose do Couro Cabeludo” (2017). Consultado a 02.05.2020. Disponível em: https://www.spdv.pt/op/document/?co=191&h=e56e4&in=1
Piolhos, Serviço Nacional de Saúde (2024). Disponível em:
https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas/doencas-da-pele/piolhos/
Autor: Dra. Susana de Oliveira Branco
Revisão: Dra. Catarina Monteiro Pires








