Diário de Bordo – Istanbul | Crónica 3

Terceira crónica sobre um dos nossos destinos de eleição, Istanbul. Três viagens em 4 anos, realizadas por António Cruz e Ana Fialho, dois apaixonados por conhecer o Mundo e os seus recantos ainda pouco visitados. António, economista e Ana, professora, aproveitam todos as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.

Crónica 3 – Eminönü

Na última crónica ficámos a atravessar a Ponte Gálata de Karaköy para Eminönü. Chegamos então ao terminal fluvial de Eminönü, sempre muito movimentado, pelos diversos pontos de embarque de várias carreiras de barcos, pelos muitos vendedores ambulantes de petiscos locais, pela travessia para os bazares do outro lado da rua, na Praça de Eminönü. Já que falámos dos vendedores ambulantes, aqui, e um pouco por toda a cidade, encontramos pequenos carrinhos vermelhos, que vendem a preços muito económicos, iguarias locais tais como:

  • Castanhas grelhadas, que ficam muito semelhantes às nossas assadas; (Kestane)Milho cozido ou grelhado; (Mizir)
  • Sandes de cavala Um filete de cavala, servido num pão crocante, com alface, cebola, pickles e limão. Muito típico da zona de Karaköy e Eminönü, sendo que no terminal fluvial, barcos encostados à ponte, vendem centenas de sandes por dia. (Balik)

 

 

 

 

Lokma, um doce tradicional. Bolinhas de massa fritas, crocantes por fora e macias por dentro, mergulhadas num xarope açucarado. Da primeira vez que as provámos, eram feitas pelo vencedor do Masterchef turco e a serem oferecidas, perto de um local religioso. Muito simpático, com quem estivemos à conversa, o que rendeu mais uma dose extra de Lokmas. Há uma tradição local, chamada de Hayir Lokmasi, de distribuir gratuitamente este doce em eventos religiosos. Se acompanhar com um chá turco, a combinação fica perfeita.

Simit. Ícone da cultura de comida de rua, e um dos melhores snacks do mundo. Feito com farinha, água, fermento, sal e açúcar, moldado em argolas, passadas por sementes de sésamo e melaço, antes de irem ao forno. Fica crocante por fora e macio por dentro. O registo mais antigo do seu consumo remonta a 1525. Atualmente há variações, em que se recheiam os simit com queijo creme, mas a versão original, ainda morna, é algo delicioso e a não perder.

 

Na Praça de Eminönü, parte-se para um percurso bastante variado. Assim que sai do túnel de passagem do terminal para a praça, à esquerda fica a Mesquita Yeni, uma mesquita otomana, uma das mais antigas da cidade. Começou a ser construída em 1597 e concluída apenas em 1665. Tem a particularidade de ter sido uma das primeiras mesquitas imperiais construídas por uma mulher. À noite tem uma linda iluminação para ser fotografada, e ao final do dia o seu pátio adquire uma cor dourada. Visita gratuita, assim como todas as mesquitas. Fazendo parte do complexo da mesquita, mas num edifício separado, temos o mausoléu dedicado a Turhan Hatice Sultan, uma poderosa e influente figura do Império Otomano, e mãe do sultão Mehmed IV. Era uma escrava russa, que chegou ao harém imperial e tornou-se esposa do sultão Ibrahim I.

Estando de novo na Praça Eminönü, temos o Bazar das Especiarias, ou o Bazar Egípcio, como é chamado localmente, um vibrante local de comércio, em funcionamento desde 1660. Mercado coberto, tem bancas cheias e coloridas, com aromas intensos. Os vendedores são sempre atenciosos, e é um bom local para ir degustando as ofertas de doces e frutos secos. Negociar o preço faz parte da cultura local. Nas ruas adjacentes, temos o bazar de rua, o Tahtakale Pazarı. Milhares de lojas, em estreitas ruelas, vendem de tudo um pouco, numa organização perfeita, apesar de parecer à primeira vista muito desorganizado. Quer no Bazar das Especiarias, quer no bazar de rua, aconselha-se prudência com bens pessoais “à mão de semear”, como costumamos dizer. As ruas são estreitas e sempre com multidões impressionantes, pelo que é fácil alguém nos subtrair algo. Para compras, este bazar tem preços muito mais económicos, até porque é onde os locais se abastecem. Quase obrigatório parar num dos pequenos estabelecimentos de venda de chá turco, sentar num pequeno banco e com sorte passar um pedaço do dia a falar com turcos idosos, normalmente os grandes clientes destes espaços. É delicioso! Nas lojas de chás, vendedores oferecem pequenos copos com chás de pétalas de rosa, que é delicioso. Aproveitem para provar. É também local para se comer os melhores wraps, feitos com pão lavash ou pão yufka. Os wraps são recheados com frango, salada e batatas fritas, e são imperdíveis. Para os apreciadores de azeitonas, como eu, passamos por lojas que nos parecem o paraíso na terra. A variedade de azeitonas é tanta e com aspeto tão delicioso, que é difícil escolher. Verdes, pretas, amarelas, redondas, bicudas, pequenas, grandes, gigantes e até grelhadas! Local também bom para comprar tâmaras, frutos secos e chás.

É aqui que também se encontra, uma das melhores comidas de rua, que muitos recusam, mas para quem prova, fica viciado. O famoso Kokoreç. É feito de intestinos de cordeiro, enrolados num espeto grande, e assado lentamente sobre brasas. No interior leva miúdos picados, com uma mistura de ervas e especiarias. Após assado, é fatiado, picado, e salteado com pimentos vermelhos e especiarias, e servido num pão levemente tostado, para ficar crocante. Acreditem que apesar do ingrediente principal é delicioso!

 

Com esta refeição, ganhámos força para a subida que nos aguarda até ao Grande Bazar, um dos maiores e mais antigos mercados cobertos do mundo, a funcionar desde 1461. É um espaço labiríntico, onde os sons e os aromas, tornam o ambiente quase mágico. Tem mais de 60 ruas e 4.000 lojas, e várias entradas. Dizem que tem mais de 300.000 visitantes por dia. Demora tempo a visitar e é aconselhável levar GPS, porque perder-se aqui é a coisa mais fácil do mundo. Facilmente reconhecido no filme do 007 Skyfall, na cena em que o Daniel Craig anda de mota pelos telhados do bazar.

O GPS é importante para se sair na saída que dá para a Mesquita Süleymaniye. É uma das mais imponentes da cidade e tem uma vista linda para grande parte da cidade, do Bósforo, do Corno de Ouro e também da parte asiática. Dizem ser a obra-prima de um dos arquitetos mais célebres do Império Otomano, o Mimar Sinan. Construída entre 1550 e 1557. O seu interior tem uma acústica perfeita, mediante jarros cerâmicos embutidos nas paredes, e tem ao seu redor todo um complexo que inclui hospital, escola islâmica ou madrassa, cozinhas públicas, banhos turcos, os famosos Hammam, e caravançarai, ou seja, alojamento para viajantes de caravanas. Um spot fotográfico interessante ao pôr do sol. Falando dos banhos turcos, ainda nos falta descobrir um local, que não cobre um preço para turista, por norma altíssimo, para podermos experimentar este costume turco.

O dia pode terminar com o regresso a Eminönü, para um reconfortante passeio de barco no Bósforo. Tem um preço muito acessível, cerca de 250 TL, e percorre as duas margens do Estreito, passando por todos os edifícios ribeirinhos, de importância histórica, como o Palácio Dolmabahçe ou o palácio Beylerbeyi, palácio de verão dos sultões e as Yali, mansões de madeira à beira-mar. Com sorte, apanha-se um pôr do sol lindíssimo a bordo. Um delicioso “çay” vendido a bordo, torna a experiência bem mais interessante.

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  • Diário de Odivelas - Redação

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