publicidade

Crónica sobre uma viagem acabadinha de fazer, neste verão de 2025, à Coreia do Sul. Duas semanas a explorar alguns dos belos lugares do país. António Cruz e Ana Fialho, dois apaixonados por conhecer o Mundo e os seus recantos ainda pouco visitados. António, economista e Ana, professora, aproveitam todas as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.
Crónica 1 – Lisboa -Helsínquia – Seoul
Esta viagem começou bem. O motorista TVDE que nos levou até ao aeroporto de Lisboa, muito simpático e interativo, de origem egípcia, fez-nos alegrar o dia, com a sua boa disposição.

Desta vez a escolha de companhia aérea recaiu sobre a Finnair. Com escalas largas em Helsínquia, 18 horas na ida e 7 horas no regresso, conseguimos bilhetes a metade do preço do que em voo direto via Korean Air. Acreditem que foi uma poupança significativa.
Voo com atraso de 1 hora, à saída de Lisboa, médio curso, 04H30, sem televisores a bordo. Poderiam melhorar este aspeto. De oferta, apenas água e sumo de mirtilos. Mas é assim a aviação moderna. Chegada ao destino por volta da meia-noite, e ainda se vislumbrava no horizonte, o laranja do pôr-do-sol, que muito em breve iria voltar a nascer. Com 17 horas de escala, barras energéticas, e uma soneca retemperadora num canto do aeroporto, praticamente vazio aquela hora, e dali a umas horas estávamos prontos para visitar Helsínquia.

Sete da manhã e comboio para a cidade, local onde tomaríamos o pequeno-almoço, porque no aeroporto, as lojas ainda dormiam. Logo à saída para a estação, uma surpresa: um enorme ecrã gigante, passava uma ópera. Perto da Estação Central, onde termina a linha que vem do aeroporto, a melhor opção para a primeira refeição do dia, é o Smart 24, com um bom equilíbrio entre qualidade e preço. Primeiro contratempo: os cacifos para deixar malas, estavam numa zona em obras, sem acesso, pelo que tivemos de carregar as mochilas com toda a nossa bagagem para esta viagem (felizmente com peso de bagagem de mão – 8 kg), na visita que fizemos à cidade. Pelo cedo da hora, não estavam ainda abertas algumas Igrejas que queríamos visitar, fazendo a visita apenas pelo exterior. Igreja de São João, Igreja Ortodoxa e Catedral, sendo que esta última está em obras e sem nenhum tipo de acesso. A manhã foi passada no porto, no mercado antigo e por algumas ruas de Helsínquia, que contêm edifícios com uma variedade arquitetónica de relevo, entre Romantismo Nacional, Art Nouveau, Neoclassicismo e Funcionalismo. O mercado antigo, em funcionamento desde 1889, foi o que mais nos despertou a atenção. Pequenas bancas, vendem produtos típicos do país, onde reina o salmão, a rena e o alce. No exterior, pequenas tendas vendiam artesanato, legumes e frutas. Deram-nos a provar, acabadinhos de chegar da floresta, morangos silvestres. Dos melhores que comemos até hoje.

Mês de férias, pouco trânsito automóvel, mas sempre muitas bicicletas. Muito civismo na condução, uma vez que nem uma buzina se ouviu, nas nossas voltas pela urbe. A cidade é algo escura, cortada por algumas praças com espaços verdes, com destaque para o grandioso Esplanadi, onde a arte se encontra com o município e os habitantes.

Para almoço, voltámos ao Smart 24, que tem um buffet de saladas, digno de um estrela Michelin. Fica económico e a qualidade é absolutamente fantástica. Coloquem salmão fumado sem cerimónias, porque é dos melhores que vão comer. Paga-se ao peso. Cada salada ficou por 7 €, um preço manifestamente bom, para a capital da Finlândia. As escadas laterais da Estação Central serviram de ótima esplanada, para desfrutar este pitéu.

Regresso ao aeroporto, novamente de comboio. Tirem os bilhetes na máquina mesmo junto à plataforma do comboio. Se adquirirem no Kiosk, dentro da estação, pagam uma taxa de um euro por cada um. Aproveitem para visitar a estação, com uma arquitetura Art Nouveau muito interessante.

E mais um voo nos esperava, desta vez de 12 horas, até Seoul. Desta feita, o avião já com televisores e catering para os passageiros. Mas o melhor mesmo era tentar dormir, para chegar fresquinho ao destino na manhã seguinte.
A Coreia do Sul, resulta da unificação de 3 reinos, no século VII. No final do século XIX, e com as crescentes expansões imperialistas do Japão, Rússia e China, passou a ser, a partir de 1910, uma colónia japonesa. Durante 35 anos a população sofreu grandes violações de direitos humanos, tendo recuperado a sua independência, com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Contudo, o país acabou sendo dividido em duas zonas de ocupação, sendo que a norte, ficaram tropas russas e a sul, tropas americanas, divididas entre o paralelo 38. Em 1950, e durante 3 anos, desencadeou-se a Guerra da Coreia, com o Norte a invadir o Sul. A guerra terminou com um armistício, mas nunca houve um tratado de paz formal, pelo que a península ainda hoje se encontra dividida, entre Coreia do Norte e Coreia do Sul. A fronteira é conhecida por DMZ, zona desmilitarizada, e tem uma extensão de 250 km por 4 km de largura, 2 km para cada país. É uma zona tampão entre as duas Coreias, fortemente militarizada e vigiada, por ambos os lados, sempre com uma grande tensão, pois as provocações continuam. Do Sul lançam-se balões com panfletos anti-regime, pen drives com música e até dinheiro. Do Norte vêm balões com lixo e fezes. Pelo menos 4 túneis, vindos da Coreia do Norte, já foram descobertos no Sul, para uma possível infiltração de tropas em caso de nova guerra.
Após o fim do conflito, a Coreia do Sul iniciou o seu programa de reconstrução, e depois de alguns governos autoritários, iniciou uma transição para a democracia a partir dos anos 80. Hoje é uma das maiores economias do mundo, reconhecida pelas suas marcas tecnológicas de topo como a Samsung e a LG, e pelas suas marcas automóveis, a Hyundai e a Kia. De destacar também a cultura vibrante do K-pop e as famosas séries coreanas, com destaque para o Squid Game. A educação é outro ponto levado muito a sério no país. Só para se ter uma noção da importância que se dá a esse tema, em novembro há o principal exame nacional do país, que é o de acesso à faculdade, o Suneung. Este exame é que vai ditar a que universidades o estudante pode ter acesso, mediante a sua nota. Nesse dia, o espaço aéreo do país é encerrado por 30 minutos, para que o ruído não interfira no exame e o dia de trabalho em todas as empresas e organismos públicos começa mais tarde, para evitar congestionamentos que possam stressar os estudantes
Na próxima crónica vamos então começar a explorar Seoul.
Abaixo mais algumas fotos de Helsínquia
@we.have.been.at
















