Encontrado na Rede | Um Sócio. Um voto!

Reproduzimos um texto publicado no seu  Facebook por Carlos Pinto .

A propósito das recentes eleições no Benfica, foi muito destacado o facto de terem votado mais de 85 mil sócios (85.710), o que constitui um recorde mundial em votações de clubes de futebol.

No entanto, parece que passou despercebido o facto de a essa participação eleitoral terem correspondido mais de um milhão e setecentos mil votos (1.767.676).

Ou seja, o princípio básico do sufrágio universal “um Homem, um voto” não tem aplicação no Benfica, onde os sócios têm direito a 50 votos ou 30 ou 20 ou 1 voto, consoante a sua antiguidade.

O mesmo, aliás, se passa no Sporting (declaração de interesses: sou ex-sócio e adepto do SCP), onde além do sistema eleitoral baseado na antiguidade, ainda existe um “período de carência” de um ano após o ato de inscrição, em que o novo sócio não tem direito a votar.

Já no FCPorto e em outros clubes da primeira Liga, vigora o sistema um sócio, um voto, tratando e respeitando com plena igualdade de direitos todos os associados.

Certamente todos ficaríamos chocados se eu nas eleições para os órgãos representativos nacionais tivesse direito a 50 votos e a minha filha que acabou agora de fazer 18 anos só tivesse direito a um voto (ou no extremo nem pudesse votar nessas eleições, se vigorasse aquela regra leonina).

A democracia (ou um dos seus princípios básicos) parece ainda não ter chegado a estes clubes, vivendo o mundo do futebol português num regime de exceção que as autoridades competentes na área do Desporto toleram ou permitem.

Mas também é verdade que o futebol, como diz um amigo meu, já há muito tempo que deixou de ser um desporto, para passar a ser uma indústria. E uma indústria mal frequentada.

Parece-me que mais relevante do que celebrar recordes mundiais, seria celebrar a plena democracia interna nestes clubes de futebol, fosse por revisão voluntária dos seus próprios regulamentos eleitorais, fosse por imposição das entidades reguladoras competentes.

Esta também seria, pois, uma das “reformas do Estado “(desportivo) que este país mereceria.

Em tempo: alguém me alertou, entretanto, para uma outra perversão que este sistema eleitoral idadista pode promover: um determinado candidato ter mais sócios a votar nele, mas não ganhar as eleições porque os sócios (em menor número) de um outro candidato terem mais votos (porque são sócios mais antigos).

Em tese, pode, pois, ganhar as eleições alguém que tem menos apoiantes a votar nele.

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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