Espólio do túmulo do rei D. Dinis classificado como tesouro nacional

O decreto n.º 6/2026, publicado a 16 de fevereiro em Diário da República, classificou o espólio do túmulo do rei D. Dinis como tesouro nacional. A abertura da sepultura em 2020, no Mosteiro de Odivelas, conduziu à descoberta da espada régia, uma fivela em prata e as vestes reais, entre outras peças únicas atualmente em processo de conservação e restauro, sob rigorosa investigação científica.

Na fundamentação apresentada constata-se o elevado interesse patrimonial do espólio, tratando-se de “um conjunto sem precedentes histórico-artísticos, que demonstra valores de memória, de antiguidade, de autenticidade, de originalidade, de criatividade, de raridade e de singularidade“.

O processo de designação dos bens encontrados foi iniciado em 2023 pela então Direção-Geral do Património Cultural em parceria com a Câmara Municipal de Odivelas, com o objetivo de estudar a vida e a morte de um dos principais monarcas portugueses.

«Futuramente, a autarquia projeta devolver este património, de valor inestimável, à população odivelense no museu arquitetado para o Mosteiro de Odivelas, lugar que o Rei D. Dinis escolheu para a sua morada eterna» lê-se num, a publicação da autarquia no seu Facebook oficial.

Publicado o anexo 3 do referido decreto com pormenores sobre esse espólio.

1 – Do túmulo do rei D. Dinis:

  1. a) Espada (98,5 cm × 15,7 cm) em ferro forjado, com pomo, punho e guarda executados em prata, com decoração cinzelada e puncionada com douramento e aplicação de esmaltes, bainha de madeira com vestígios de pele e uma placa em esmalte com a inscrição «+ BENEDICTUS. DNS. DEUS. MEUS. CUI. DOCET. MANUS: MEAS. ADPLI, U. 2. DIGITOS. MEOS, AD. BELLUM» e cinto com duas faixas tecidas e aplicações de prata e esmaltes;
  2. b) Vestes e acessórios retirados do interior do túmulo de D Dinis:
  3. i) Manto semicircular, em lampasso (tecido lavrado), com listras vermelhas e verdes, composto por fios de seda e lâmina dourada, com motivos zoomórficos (ave) e fitomórficos;
  4. ii) Túnica com mangas, em lampasso (tecido lavrado), com listras vermelhas e verdes, composto por fios de seda e lâmina dourada, com motivos zoomórficos (ave) e fitomórficos;

iii) Capuz em lampasso (tecido lavrado), com listras vermelhas e verdes, composto por fios de seda e lâmina dourada, com motivos zoomórficos (ave) e fitomórficos;

  1. iv) Cobertura de cabeça em lampasso (tecido lavrado), com listras vermelhas e verdes, composto por fios de seda e lâmina dourada, com motivos zoomórficos (ave) e fitomórficos;
  2. v) Almofada, onde assentava a cabeça, em tafetá, de cor verde, composto por fios de seda; tem enchimento;
  3. vi) Almofada bordada, posicionada sob a almofada anterior, em tafetá, de cor bege, bordada com fios de seda policromos; tem enchimento;

vii) Conjunto de fragmentos têxteis: tafetá de cor crua (com camadas de preparação) pertencentes às mortalhas: tafetá de cor vermelha, com aspeto cardado, pertencente a uma túnica; tafetá de cor crua, pertencente a uma veste interior; tafetá de cor crua, pertencente a outra veste interior; tafetá de cor verde, pertencente a uma almofada (localizada aos pés), com enchimento; tecido lavrado em azul e bege, com cordão a rematar, sem identificação atribuída; bordados, sem identificação atribuída, provavelmente compostos por fios de seda policromos; tafetá de cor crua (com camada de preparação) que revestia o interior de algumas tábuas do ataúde; tafetá de cor vermelha, com aspeto cardado, que revestia algumas tábuas do ataúde; galões associados às madeiras do ataúde;

  1. c) Tábuas do ataúde de D. Dinis (nove tábuas de madeira incompletas) e respetivos elementos metálicos, liga de ferro e liga de cobre.

2 – Do túmulo do Infante:

  1. a) Vestes e acessórios retirados do interior do túmulo do Infante:
  2. i) Túnica preta, vermelha e bege, com mangas, em tecido lavrado, composto por fios de seda e lâminas douradas, com listras e motivos fitomórficos estilizados (96 cm de altura);
  3. ii) Túnica verde, com mangas, em tecido lavrado composto por fios de seda e fios laminados dourados, com motivos zoomórficos e fitomórficos; forrada com tecido verde (ca. de 75 cm de altura);

iii) Quatro botões metálicos com vestígios de esmalte;

  1. iv) Cobertura de ataúde (?) formada por listras de tafetá de seda alternadamente amarelas e avermelhadas, com decoração bordada obtida por pesponto (ca. 216 cm × 230 cm);
  2. v) Conjuntos de fragmentos têxteis, designadamente fragmentos de bordado, de passamanaria (de tons vermelhos e azuis) e fragmentos de cordas e outros fios;
  3. b) Cinco tábuas do ataúde do Infante, em madeira de nogueira perfumada e respetivos elementos metálicos.

3 – Excecionam-se da classificação todos os outros depósitos arqueológicos que constituem a reserva científica».

 Imagem: CMO

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