Diário de Bordo | Santorini -Dias 1 e 2




 

 

Santorini dia 1

Como sempre, os nossos dias começam bem cedo. A Ilha de Santorini, apesar de pequena, tem bastantes pontos de interesse que pretendemos visitar.

Iniciámos por visitar Oia, talvez um dos locais mais fotografados da Grécia, e sempre apinhado de muitos e muitos visitantes, que freneticamente, procuram os melhores ângulos, para as Insta fotos. Mas, de inverno, espantem-se, e fiquem com inveja, Oia estava deserta e absorvida de uma luz fantástica! Livremente e sem qualquer tipo de confusão, pudemos visitar calmamente a vila, apreciando devidamente a sua bela arquitetura e as suas belas vistas para o Mar Egeu.

Oia tem uma arquitetura característica, de casas-caverna, escavadas na rocha da caldeira do vulcão, sobre o qual já falaremos mais adiante. As fachadas das habitações, são maioritariamente brancas, para refletir o mais possível, os quentes raios do sol de verão. Portas e janelas azuis, que parecem repetir a beleza do mar, cúpulas redondas e escadarias que sobem e descem sem lógica aparente, compõem todo este cenário idílico, quase parecendo que as casas falam com a paisagem, e que nos dão uma sensação de suspensão, parecendo estarmos sempre à beira do abismo. De antigas e humildes casas de pescadores pobres, passaram a turismo de luxo, com deliciosos e apetecíveis jacuzzis na varanda, com vistas incríveis.

Os gatos são uma constante sempre agradável, e se possível, levem uns snacks que eles agradecem.

Com o avançar da manhã, alguns turistas, poucos, essencialmente asiáticos e indianos, foram surgindo na paisagem. Ainda falámos com um jovem casal, sul coreano, possivelmente em lua de mel, que nos pediram para lhes tirarmos fotos. As lojas, sem turismo, encerradas quase na totalidade. O vento, que até então, era apenas uma brisa, começou a subir de intensidade, e decidimos ir almoçar.

Voltámos à padaria, bem perto do nosso hotel, que mesmo de inverno está aberta 24 horas, para uma refeição rápida. Os pastéis folhados são uma perdição! Estávamos na fila para pagar, e um senhor agarra as nossas bebidas, que tínhamos colocado no balcão, e informa a senhora da caixa que é para colocar na conta dele. Deseja-nos Feliz Natal, nós pagamos o resto, e começa alguma agitação entre ele e a funcionária, mas, em grego, não entendemos nada. Uns segundos depois percebemos que ele tinha dito à empregada para colocar toda a nossa conta para ele e não apenas as bebidas. Mas esta irritação ligeira, rapidamente foi ultrapassada pelos dois e tivemos um almoço bem interessante com o senhor, de nome que nunca conseguimos entender. Albanês, a viver e a trabalhar há muitos anos na Grécia, como cozinheiro. Muito orgulhoso da sua filha, falante de 5 línguas, e também a viver e a trabalhar em Santorini. Fez até questão de falámos com ela por vídeo chamada.

A parte da tarde foi dedicada a visitar a antiga cidade de Akrotiri, soterrada por uma grande erupção vulcânica por volta do ano 1600 a.C. A Ilha de Santorini foi formada por atividade vulcânica durante milhares e milhares de anos, sendo que o vulcão que a formou ainda está ativo, com uma erupção algo recente, em 1950.

Voltando à grande erupção, que soterrou a cidade de Akrotiri, as cinzas vulcânicas provenientes desse evento, soterraram e preservaram a cidade durante mais de três mil anos. Muitas vezes esta cidade é considerada a Pompeia do Egeu. A explosão desta grande erupção foi tão violenta, que o centro da ilha colapsou, formando a enorme cratera circular, a que se chama Caldeira. É nessa caldeira inundada, que se encontram nas suas falésias as vilas de Oia e Fira. Antes da erupção a ilha tinha uma forma circular e depois da erupção passou a ter uma forma de lua crescente.

Ao contrário de Pompeia, nesta cidade não foram encontrados corpos, pelo que os seus habitantes tiveram tempo de fugir, de uma forma apressada, pelo que deixaram muitas coisas para trás, mas com a intenção de conseguirem regressar. Uma enorme pedra, encontrada à entrada da cidade, julga-se ter sido colocada para “fechar” a cidade, até ao regresso dos seus habitantes.

O local está preservado por uma cobertura, e a visita é feita por passadiços superiores, que percorrem uma grande parte da cidade, e de onde podemos imaginar como seria a vida nesses tempos recuados.

Fomos visitar a Red Beach, que fica perto de Akrotiri. O seu nome tem origem no vermelho ferrugem das escarpas que a ladeiam. Todo o conjunto desta praia, tem algo de uma bela pintura, com o vermelho, o negro da pedra vulcânica e o lindo azul do mar Egeu. Aqui percebe-se perfeitamente a brutalidade do nascimento desta ilha, de todo o fogo que a envolveu, parecendo ainda que a erupção foi ontem, num cenário algo marciano.

Fomos terminar a dia a Fira, uma vila muito semelhante a Oia. O sol ainda não se pôs, mas muitos visitantes já aguardam por ele. Igualmente suspensa sobre o abismo da cratera, as suas casas brancas descem pela encosta, procurando o mar, em baixo. Há varandas que parecem flutuar, e algumas cúpulas azuis interrompem o imaculado branco das casas.

O Museu Arqueológico encerrado, pelo período do ano, não permitiu a visita, que parece ser bastante interessante, uma vez que guarda os lindos frescos encontrados em Akrotiri. O branco foi passando lentamente a um dourado cada vez mais intenso, e chegou o tão aguardado pôr-do-sol, que sem nuvens no horizonte, não foi tão espetacular como seria de esperar, não deixando de ser lindo.

Santorini dia 2

Último dia na ilha, e mais uma vez começamos cedo o nosso percurso. Na padaria onde costumamos ir, provámos hoje umas filhoses natalícias, bem-parecidas com as que temos em Portugal, quer em formato quer em paladar.

Visitámos algumas pequenas vilas que fomos atravessando, tentando descobrir algumas particularidades que pudessem ser pormenores ainda desconhecidos. Acabámos por descobrir belos recantos, em locais muito pouco visitados por turistas certamente.

Tentámos visitar, no ponto mais alto da ilha, a 567 metros de altitude, o Mosteiro de Prophet Elias. Infelizmente, as visitas são às 05H30. Começamos o dia cedo, mas não tão cedo! Mas as vistas são fabulosas, com uma visão quase a 360º da ilha: a caldeira, as vilas e aldeias onde o branco predomina, as vinhas geometricamente plantadas. Sim, sim, vinhas! Apesar da aridez do solo, é essa pobreza que dá um carácter muito particular às uvas. A vinha aprende a sobreviver com pouca água e com vento constante. Diferentes das nossas vinhas, aqui as videiras são podadas de modo que fiquem enroladas em forma de ninho, junto ao chão. Esta técnica, já muito antiga, protege as uvas do vento forte e do sol intenso, além de aproveitar assim toda a humidade noturna, que se deposita no solo.

A casta mais cultivada é a Assyrtiko, que produz vinhos brancos, secos e minerais como a paisagem da ilha. Muitas das vinhas têm mais de 100 anos, porque a ilha está imune a pragas, o que permite uma grande longevidade das videiras.

Segunda passagem pela vila de Oia, porque a luz da tarde é muito diferente da luz da manhã. Quem gosta de fotografia, está atento a estes detalhes. E na realidade, apesar do mesmo local, a vila parece totalmente diferente. Hoje também mais povoada, com a chegada pela manhã de um navio de cruzeiro. Até as lojas reabriram, provavelmente apenas por este dia. Os gatos continuam a fazer as delícias desta ilha, quer em Oia quer em Fira. Aliás, em qualquer lugar que se visite, os gatos são uma constante, e quase todos muito simpáticos e afetuosos.

No regresso ao hotel, ao princípio da noite, o prometido era para cumprir, e os donos do hotel tinham um presente de Natal para nós. Uma garrafa de vinho local, na sua versão doce, feito com uvas secas ao sol, antes da fermentação e envelhecido. Mas, impossível de transportar na mochila, com muita pena nossa, pelo que agradecemos imenso a amabilidade, mas não o poderíamos transportar. Foi o presente substituído por uns bolinhos bem deliciosos. Pedem-nos também que façamos uma review na Booking. O negócio baixou muito após a grande atividade sísmica do ano anterior.

Amanhã, dia de mais dois voos, para o nosso próximo destino, a Ilha de Rhodes.

 

  • Diário de Odivelas - Redação

    Related Posts

    Burnout: Quando é que o cansaço se torna doença?

    Vivemos cansados. O cansaço tornou-se quase um traço de personalidade coletiva, mas há um ponto a partir do qual o cansaço deixa de ser apenas consequência de dias cheios e…

    “Os Jugoslavos” no Teatro Paulo Claro

    Fui ver, com uma enorme curiosidade, a nova produção teatral do Artistas Unidos, agora na sua nova sala, no Poço do Bispo, perto do Teatro Meridional. É da autoria do…

    Publicidade

    Câmara de Odivelas celebrou o Dia Internacional da Mulher com entrega do Prémio Municipal Beatriz Ângelo

    Câmara de Odivelas celebrou o Dia Internacional da Mulher com entrega do Prémio Municipal Beatriz Ângelo

    Diário de Bordo | Santorini -Dias 1 e 2

    Diário de Bordo | Santorini -Dias 1 e 2

    Caminhada Contra o Racismo e a Xenofobia

    Caminhada Contra o Racismo e a Xenofobia

    Burnout: Quando é que o cansaço se torna doença?

    Burnout: Quando é que o cansaço se torna doença?

    Polícia Judiciária deteve 15 suspeitos de associação criminosa, branqueamento e burla

    Polícia Judiciária deteve 15 suspeitos de associação criminosa, branqueamento e burla

    Cerca de uma centena de alunos no 4.º Encontro de Cricket nas Escolas

    Cerca de uma centena de alunos no 4.º Encontro de Cricket nas Escolas