Associação ZERO quer Metro de Lisboa a abrir às cinco e meia da manhã, especialmente na linha amarela







Em comunicado publicado no seu sítio da Internet, a  ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável apresenta três recomendações prioritárias para melhorar o funcionamento do Metropolitano de Lisboa: antecipar o horário de abertura da rede para as 05:30h, corrigir o subdimensionamento da oferta, em especial no troço da Linha Amarela entre o Campo Grande e Odivelas nos dias de semana, e melhorar significativamente a fiabilidade das escadas rolantes e elevadores que apoiam a mobilidade reduzida, para além de outras melhorias nas estações, nomeadamente não havendo encerramento antecipado de acessos.

Estas recomendações surgem da escalada do preço dos combustíveis que reforça urgência de um metro melhor: abertura mais cedo, reforço da oferta, em especial, na linha amarela, e melhorias nos interfaces e estações. “Num contexto internacional marcado pela escalada do conflito no Irão e pela consequente subida dos preços dos combustíveis, a necessidade de um sistema de transporte público fiável, acessível e atrativo torna-se ainda mais evidente. Para a ZERO, os momentos de instabilidade energética reforçam a necessidade de as cidades disporem de redes de transporte público capazes de oferecer uma alternativa real ao automóvel”.

A ZERO considera que “o atual horário de abertura às 06:30h do Metro de Lisboa não responde adequadamente às necessidades de muitos trabalhadores que iniciam a sua jornada laboral antes dessa hora, em sectores essenciais como o da saúde, da limpeza, da logística ou da hotelaria”.

A associação defende que “o metro deve passar a iniciar a operação pelo menos às 05h30 ou até mesmo às 05h00, permitindo garantir uma alternativa de transporte público fiável para milhares de trabalhadores que hoje enfrentam deslocações particularmente difíceis nas primeiras horas da manhã ou são obrigados a recorrer ao automóvel ou a demorar muito mais tempo na deslocação por utilização de outros meios de transporte público”.

A ZERO sublinha, ainda, que “a generalidade dos serviços de metropolitano nas grandes cidades europeias abre mais cedo do que em Lisboa. Por exemplo, aos dias úteis, o de Londres começa a operar às 05h00 na maioria das linhas, o de Berlim às 04h30, o de Paris às 05h30 e o de Madrid às 06h00.

Subdimensionamento na oferta da Linha Amarela penaliza 200 mil habitantes

A ZERO denuncia também “o grave subdimensionamento da oferta do Metro de Lisboa, em especial no troço da Linha Amarela entre o Campo Grande e Odivelas, que compromete o acesso ao transporte público numa área urbana densamente povoada e estrutural para a mobilidade metropolitana”

Nos dias úteis, entre as 10h00h e as 16h45, “registam-se, em média, intervalos entre comboios de cerca de onze minutos neste troço, um valor claramente desajustado para um serviço de metro urbano neste horário. Esta situação, que se observa com especial gravidade na linha Amarela, resulta do modelo operacional em vigor, no qual os comboios provenientes do Rato terminam alternadamente no Campo Grande, seguindo apenas de forma intercalada para Odivelas. Na prática, isto significa que apenas metade dos comboios serve continuamente o troço até Odivelas”, refere o comunicado

Para a ZERO, “este modelo de operação é inaceitável, pois todos os comboios da Linha Amarela deveriam prosseguir até Odivelas, garantindo níveis de serviço condignos numa área que, entre a freguesia do Lumiar, a mais populosa de Lisboa e o concelho de Odivelas, congrega cerca de 200 mil habitantes, e que segundo um estudo da ZERO se encontra entre aquelas que necessitam de mais oferta para manter e reforçar a atratividade do transporte público, em termos de tempo de viagem, numa das cinco maiores freguesias da Área Metropolitana de Lisboa (AML)”.      

A associação reforça que “os sinais de subdimensionamento são claros e observáveis – um deles é o elevado número de passageiros que sai no Campo Grande para aguardar pelo metro seguinte com destino às estações entre o Campo Grande e Odivelas, acumulando-se nos cais e agravando tempos de espera e desconforto; outro é a sistemática sobrelotação dos comboios nesse troço a meio do dia, período que não corresponde às antigas horas de ponta, mas que apresenta hoje uma procura significativa, estável e previsível”.

Por isso, a ZERO defende que “o subdimensionamento da oferta no troço Campo Grande-Odivelas deve ser corrigido tão rapidamente quanto possível, assegurando que todos os comboios da Linha Amarela servem Odivelas ao longo do dia, e que, de forma mais geral, as frequências sejam dimensionadas para que o tempo médio de espera não ultrapasse 25% do tempo de viagem, garantindo um metro verdadeiramente urbano, acessível e sustentável”.

Defende, ainda “interfaces, estações melhoradas, escadas rolantes mais fiáveis e elevadores para assegurar utentes com mobilidade reduzida são essenciais para a acessibilidade” e chama a atenção “para o estado de funcionamento das escadas rolantes e dos elevadores em várias estações do Metro de Lisboa, frequentemente avariadas durante longos períodos” considerando que “estas falhas têm impacto direto na acessibilidade do sistema, penalizando especialmente pessoas com mobilidade reduzida, idosos, passageiros com carrinhos de bebé ou bagagem, e comprometendo a qualidade global do serviço prestado”.

A ZERO considera que “devem ser adotadas medidas operacionais claras, como a fixação de prazos máximos de reparação nas estações e o reforço da manutenção preventiva para reduzir o número de avarias. A ZERO entende igualmente que “deve haver uma publicação regular de indicadores de funcionamento dos equipamentos, e que os passageiros devem poder saber antecipadamente quando uma escada rolante está fora de serviço, através de informação disponibilizada nos painéis das estações, no site e em aplicações digitais do metro, permitindo planear melhor os seus percursos”.

O fim das limitações horarias de entradas/acesso a certos átrios das estações, a melhoria das redes pedonais e cicláveis conectadas com a rede de Metro e a necessidade imperiosa de planear a expansão da rede do Metropolitano de Lisboa em articulação com a atual e futura rede ferroviária na Área Metropolitana de Lisboa são aspetos críticos para melhorar a atratividade global do transporte público para o conjunto dos mais de três milhões de habitantes da Região, defende também esta associação que considera que a nova administração do Metropolitano de Lisboa tem uma oportunidade para corrigir as falhas, assegurando mais financiamento e recursos humano.

Imagem: ZERO




  • Diário de Odivelas - Redação

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