Até um milhão de portugueses podem ser afetados por doenças da tiroide e cerca de 600 mil não têm diagnóstico







O Dia Mundial da Tiroide lembra-nos a importância de uma glândula pequena, mas essencial para o equilíbrio do corpo. Responsável por regular o metabolismo, a energia, o crescimento e o bem‑estar, a tiroide influencia silenciosamente quase todas as funções vitais.

A data reforça a necessidade de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado das doenças tiroideias, que afetam milhões de pessoas em todo o mundo — muitas vezes sem sintomas evidentes. Cansaço persistente, alterações de peso, sensibilidade ao frio ou ao calor, ansiedade ou alterações do ritmo cardíaco podem ser sinais de alerta que não devem ser ignorados.

Promover a literacia em saúde, incentivar a vigilância clínica e apoiar quem vive com doenças da tiroide são passos fundamentais para garantir qualidade de vida. Cuidar da tiroide é cuidar do equilíbrio do corpo e da serenidade da mente.

Semana Internacional da Tiroide | 25 a 31 de maio

Até um milhão de portugueses podem ser afetados por doenças da tiroide e cerca de 600 mil não têm diagnóstico

 Associação de Doentes da Tiroide (ADTI) e Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) alertam para sintomas como cansaço, alterações de peso e falta de energia que continuam a ser desvalorizados e podem atrasar o reconhecimento da doença

As doenças da tiroide constituem uma das disfunções endócrinas mais frequentes a nível mundial, estimando-se que afetem cerca de 200 milhões de pessoas. Em Portugal, este impacto é igualmente expressivo, podendo afetar até um milhão de portugueses, o equivalente a cerca de 10% da população. Apesar desta elevada incidência, estimativas indicam que cerca de 60% das pessoas com doença tiroideia não têm diagnóstico, o que poderá corresponder a cerca de 600 mil pessoas em território nacional.

A elevada prevalência destas condições contrasta com o baixo nível de reconhecimento dos seus sinais. Um dos principais desafios continua a ser a natureza inespecífica dos sintomas, frequentemente confundidos com situações do dia a dia, como stress, alterações hormonais ou envelhecimento, o que contribui para atrasos no diagnóstico.

Cansaço persistente, alterações de peso sem causa aparente, falta de energia, alterações de humor, queda de cabelo ou intolerância ao frio são alguns dos sinais que podem estar associados a disfunções da tiroide, mas que continuam a ser frequentemente desvalorizados ou atribuídos a outros fatores.

“Os sintomas das doenças da tiroide são comuns e, por isso, muitas vezes ignorados. O problema é que, quando persistem, podem ter significado clínico e devem ser avaliados”, alerta Paula Freitas, presidente da SPEDM.

As mulheres são particularmente afetadas, apresentando um risco significativamente superior de desenvolver disfunções da tiroide, o que reforça a importância de sensibilização ao longo das diferentes fases da vida, incluindo fertilidade, gravidez, pós-parto e menopausa.

No âmbito da Semana Internacional da Tiróide 2026, que este ano destaca o tema “Tiroide & Nutrição”, a Associação Portuguesa de Doenças da Tiroide (ADTI) reforça a importância da alimentação como parte do bem-estar global e da perceção de energia e metabolismo. A nutrição surge como um ponto de entrada relevante para a sensibilização, na medida em que muitas alterações associadas à tiroide são frequentemente interpretadas apenas à luz de hábitos alimentares ou estilo de vida, atrasando a identificação de possíveis causas clínicas subjacentes.

Neste contexto, a ADTI realizou uma ação de sensibilização com componente de triagem no UBBO Amadora, com a participação de médicos endocrinologistas e o apoio da Merck. A iniciativa incluiu a realização de avaliações clínicas breves e testes sanguíneos (doseamento de TSH), com o objetivo de identificar situações suspeitas de disfunção tiroideia. Os participantes com resultados indicativos de alteração foram encaminhados para o seu médico de família para avaliação clínica completa e eventual confirmação diagnóstica.

“A triagem permite identificar pessoas que podem beneficiar de avaliação médica. Não substitui o diagnóstico, mas pode ser um primeiro passo importante para quem apresenta sintomas persistentes”, afirma Paula Freitas,  presidente da SPEDM.

“A sensibilização é essencial porque muitas pessoas vivem durante muito tempo com sintomas sem perceber que estes podem estar associados à tiroide. Reconhecer sinais persistentes é o primeiro passo para um diagnóstico adequado”, acrescenta Celeste Campinho, presidente da ADTI.

Imagem gerada pela IA Copilot da Microsoft




  • Diário de Odivelas - Redação

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