Campanha da ACAPO “Tira(me) isso da cabeça”







A ACAPO – Associação de Cegos e Ambliopes de Portugal lançou, no início de 2026, nas suas redes sociais, uma rubrica semanal denominada “Tira(me) isso da cabeça”, uma iniciativa de consciencialização que visa desmistificar mitos sobre a deficiência visual, promover os direitos das pessoas com deficiência à luz da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (CDPD) e relacionar estes temas com datas comemorativas ao longo do ano.

Todas as segundas-feiras, no Facebook, Instagram e LinkedIn, entra um novo texto. O objetivo das 52 publicações agendadas é contribuir para uma sociedade mais informada, inclusiva e consciente, valorizando a diversidade das experiências das pessoas cegas e com baixa visão.

A ACAPO conta com a participação de todos na divulgação destes conteúdos. Apesar de apenas hoje termos tido conhecimento desta iniciativa, através do Facebook, também iremos participar nessa divulgação, deixando, para já a publicação desta semana.

Tira(me) Isso da Cabeça:

Olá, sabe quem eu sou?

Realidade:

É, provavelmente, uma das perguntas que as pessoas com deficiência visual mais ouvem:

“Olá, sabe quem eu sou?”

A resposta podia muito bem ser:

“Cristiano Ronaldo? Ah, já sei… é o Professor Marcelo. Podemos tirar uma selfie?”

Adivinhar não é reconhecer. No entanto, ainda existe a ideia de que as pessoas cegas reconhecem toda a gente pela voz, pelos passos, pelo perfume ou por qualquer outro detalhe. Como se a deficiência visual viesse com um sistema de reconhecimento biométrico instalado de fábrica… com atualizações automáticas e acesso ilimitado à base de dados da população.

A realidade é bem menos futurista.

É verdade que há vozes inconfundíveis. Outras são tão genéricas que, se fecharmos os olhos, podiam pertencer ao vizinho, ao colega de trabalho ou ao senhor que acabou de pedir um café na mesa ao lado.

Esperar que uma pessoa cega reconheça toda a gente pela voz é como pedir a uma pessoa que vê para identificar alguém olhando apenas para uma fotografia da orelha. Às vezes acerta. Na maioria das vezes, nem por isso.

E, convenhamos, é sempre desconfortável colocar alguém na posição de ter de adivinhar quem está à sua frente. Fazer do início de uma conversa um jogo de “Cluedo” pode ser divertido entre amigos. Na vida real, só cria constrangimentos desnecessários.

A solução é muito mais simples: dizer quem somos.

São apenas dois segundos que evitam constrangimentos e fazem com que a conversa comece em pé de igualdade.

Não é apenas uma questão de cortesia. É uma forma simples de combater estereótipos e tornar a comunicação mais acessível.

O artigo 8.º da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência apela à sensibilização da sociedade para combater preconceitos, estereótipos e ideias preconcebidas sobre as pessoas com deficiência. A ideia de que uma pessoa cega reconhece automaticamente toda a gente pela voz é um desses estereótipos que importa desconstruir.

Porque, às vezes, a forma mais acessível de começar uma conversa resume-se a quatro palavras:

“Olá. Sou o João.”

As rede sociais da ACAPO:

Facebook 

Instagram

LinkedIn

 

  • Diário de Odivelas - Redação

    Related Posts

    Encontrado na rede | 𝐀 𝐩𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐚𝐜𝐚𝐛𝐚. 𝐎 𝐦𝐞𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐜𝐚

    Há onze anos que não durmo uma noite inteira. Onze anos! Durmo com um ouvido no silêncio e outro na respiração do Gustavo, se aquilo é dormir, se se pode…

    Concerto da ACO homenageou os “Queen” e celebrou os dez anos da associação

    Cerca de 2.000 pessoas assistiram ao concerto de homenagem à banda Londrina “Queen” que aconteceu a 22 de julho no Pavilhão Multiusos de Odivelas integrado nas comemorações dos dez anos…

    Publicidade

    Campanha da ACAPO “Tira(me) isso da cabeça”

    Campanha da ACAPO “Tira(me) isso da cabeça”

    Encontrado na rede | 𝐀 𝐩𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐚𝐜𝐚𝐛𝐚. 𝐎 𝐦𝐞𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐜𝐚

    Encontrado na rede | 𝐀 𝐩𝐢𝐚𝐝𝐚 𝐚𝐜𝐚𝐛𝐚. 𝐎 𝐦𝐞𝐝𝐨 𝐟𝐢𝐜𝐚

    Amanhã há reunião pública da Câmara de Odivelas

    Amanhã há reunião pública da Câmara de Odivelas

    Opinião | O que diferencia Portugal de Espanha e de França na resposta aos incêndios florestais?

    Opinião | O que diferencia Portugal de Espanha e de França na resposta aos  incêndios florestais?

    Câmara de Odivelas assinala Dia Mundial da Juventude

    Câmara de Odivelas assinala Dia Mundial da Juventude

    Diário de Bordo | Chipre dia – 1

    Diário de Bordo | Chipre dia – 1