Diário de Bordo | Chipre – dia 3







O nosso dia começou cedo e não podia ter começado da melhor forma, com um pequeno-almoço, digno de um hotel de 5 estrelas.

Hoje iríamos deixar as montanhas e seguir em direção ao mar. Saímos então de Pedoulas, com destino a Kato Pyrgos.

Voltamos a estar muito perto da linha divisória dos dois “países”, e de novo regressaram os postos militares, e nesta zona de montanha, muitos antigos e pequenos bunkers de defesa e observação.

A paisagem continua imperdível e a estrada de curvas também! A floresta, ao contrário da nossa, está impecavelmente cuidada, sem nenhum tipo de mato. As árvores foram plantadas espaçadas, e, sendo agosto, nunca vimos nenhum incêndio ou vestígios disso, quer recentes quer antigos. Verificámos também que os quartéis de bombeiros estão colocados nas montanhas, mesmo no meio da floresta, certamente para um rápido ataque em caso de surgir algum foco de incêndio. Chama-se a isto planeamento, que infelizmente no nosso país parece não existir.

E chegamos a Kato Pyrgos, uma aldeia costeira, onde as montanhas encontram o Mediterrâneo. O seu isolamento ajudou a preservar a natureza, as tradições e um ritmo de vida tranquilo. É conhecida pelas praias cristalinas, pelo peixe fresco, pelos pomares de citrinos e pêssegos e pela histórica Capela de Panagia tis Galoktistis, que visitámos.

Esta Capela é também conhecida pela Nossa Senhora do Leite. Reza a lenda que a capela foi construída com uma mistura de leite em vez de água na argamassa, para agradecer à Virgem a abundância de leite que os rebanhos produziam. A todos os 15 de agosto, uma grande festa atrai milhares de peregrinos ao local.

Continuamos caminho para o destino do dia, Pafos, seguindo a estrada que acompanha a linha de costa. A certa altura, encontramos uma zona fortemente militarizada. É o enclave cipriota turco de Enrekoy. Foi um importante ponto de entrada de homens e abastecimentos provenientes da Turquia, nos confrontos de 1963-64. Permanece com um dos símbolos mais marcantes da divisão do Chipre.

Mais adiante, paragem para admirar as Falésias Brancas, as White Cliffs, uma das paisagens costeiras mais impressionantes do noroeste de Chipre. Situam-se entre Kato Pyrgos e Pomos, ao longo da costa da região de Tylliria. São falésias de calcário branco, moldadas durante milhões de anos pela ação do mar, do vento e da erosão. O contraste entre a rocha clara e o azul intenso do Mediterrâneo cria uma das paisagens mais fotogénicas da ilha.

A 15 quilómetros de Pafos, encontrámos um dos locais mais fotografados de Chipre, sabe-se lá porquê. O EDRO III, um navio cargueiro que encalhou junto às Grutas Marinhas de Peyia, e que, desde então, se tornou um ícone da costa ocidental da ilha. O EDRO III foi construído em 1966, na Noruega. Tem cerca de 80 metros de comprimento e navegava sob bandeira da Serra Leoa. Em 8 de outubro de 2011, fazia a viagem entre Limassol e Rodes, quando foi apanhado por uma forte tempestade e encalhou nos rochedos junto a Peyia. Com uma remoção demasiado complexa, foi retirado o combustível e todos os materiais poluentes e ali permanece no mesmo local.

Chegada a Pafos e check-in no Kings Hotel. A tarde seria longa e totalmente dedicada à história.

Começámos pela visita ao Túmulos dos Reis, Património Mundial da UNESCO e um dos mais importantes locais arqueológicos da ilha. Apesar do nome, nenhum rei foi ali sepultado. O nome deve-se à imponência e monumentalidade dos túmulos, que lembram palácios subterrâneos. A necrópole foi construída entre os séculos IV a.C. e III d.C., durante os períodos helenístico e romano. Era o local de sepultura da elite da época. Todos os túmulos foram escavados diretamente na rocha calcária, alguns com grandes pátios subterrâneos rodeados por colunas dóricas. Essencialmente os túmulos imitavam as casas dos vivos, refletindo a crença de que os mortos continuavam uma existência após a morte.  Ao longo dos séculos, alguns túmulos foram reutilizados pelos primeiros cristãos como refúgio ou local de culto. A entrada tem um custo de 2,50 € por pessoa. Estranhamente não tem nenhuma indicação sobre o melhor percurso para se fazer a visita.

E continuámos na tarde dedicada à história, em mais uma visita a Património Mundial da Unesco. Desta vez o Parque Arqueológico de Kato Pafos, que reúne mais de 2 000 anos de história, desde o período helenístico até à época bizantina. Este parque é mundialmente famoso pelos magníficos mosaicos romanos dos séculos II e III d.C., considerados dos mais bem preservados do Mediterrâneo. Visitar as várias casas, o teatro, a praça pública, as ruínas do Castelo de Saranta Kolones, fortaleza bizantina, levam-nos a uma verdadeira viagem pela antiguidade. A entrada custa 4,5 €.

Depois de muito calor, muito pó e terra, o dia terminou num relaxante e refrescante banho na piscina do hotel.

A opção para jantar foi mesmo no restaurante em frente ao hotel, o Coco’s. Comida local e deliciosa. O dono, originário do Bangladesh, ficou muito contente e algo comovido quando lhe dissemos sermos de Portugal. O seu melhor amigo, falecido recentemente era português. Muito simpático, serviu-nos uma mezze de carne e uma moussaca que estavam mesmo divinais.

  • Diário de Odivelas - Redação

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