
Depois das crónicas sobre Arábia Saudita, hoje voamos para África. São Tomé será o destino que nos irá acompanhar nas próximas semanas. António Cruz e Ana Fialho, dois apaixonados por conhecer o Mundo e os seus recantos ainda pouco visitados. António, economista e Ana, professora, aproveitam todos as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.
INTRODUÇÃO
Viagem realizada em 2014/2015, de 22 dezembro a 1 de janeiro. Voo e alojamento tratados pela Aventouras, Agência de Coimbra, que também organiza programas à medida para 2 pessoas, com as composições que pretendamos.
A República Democrática de São Tomé e Príncipe, é constituída por duas ilhas principais, a de São Tomé e a do Príncipe, ambas localizadas no Golfo da Guiné, na costa equatorial ocidental da África Central. É o país mais pequeno de língua oficial portuguesa e é atravessado pela Linha do Equador, no Ilhéu das Rolas, bem perto da ilha maior, São Tomé. Este ilhéu tem apenas como atividade económica o turismo, devido à construção do hotel. O acesso faz-se por barco, a partir de Porto Alegre. Outras línguas faladas são o forro, o angolar, o principense e o crioulo cabo-verdiano.
Até à sua descoberta pelos portugueses João de Santarém e Pedro Escobar, estiveram desabitadas, tendo sido gradualmente colonizadas ao longo do século XVI. Infelizmente serviram como entreposto de escravos, e toda a sua economia foi baseada em trabalho escravo, para as culturas da cana do açúcar, café e cacau. Teve uma independência pacífica em 1975, e tem desde aí uma democracia estável.
O nome de São Tomé advém da sua descoberta em 21 dezembro de 1470, dia de São Tomé. Já o Príncipe teve origem nos impostos pagos ao Príncipe de Portugal, sobre a produção de açúcar na ilha.
A Ilha de São Tomé tem 50 km de comprimento e 30 km de largura, com zonas de montanha, que no seu ponto mais alto atingem 2.024 metros, o Pico de São Tomé.
O clima é equatorial, quente e húmido. Nos meses de março e setembro, é quando chove mais. De maio a agosto há muito vento. Já o período mais seco e de maior calor é entre dezembro e fevereiro.
Atualmente a economia das ilhas é baseada no turismo, pesca, cacau e mais recentemente petróleo, descoberto nas suas águas.
Nos séculos XIX e XX foram edificadas as Roças, que se encontram dispersas um pouco por todo o território. Tinham cariz agrícola e dispunham de áreas habitacionais, indústria, saúde e educação. No presente estão bastante degradadas, apesar de uma parte ser ainda habitada.
A moeda local é a Dobra, com uma cotação de 1 € = 24.500 Dobras
Dias 1 e 2 – São Tomé
Voo noturno Lisboa – São Tomé via TAP, no dia 22 dezembro, com saída às 23H40 e chegada às 07H20. Escala técnica de uma hora em Acra, Gana, para reabastecimento.
Nos voos para África, pode-se levar no porão duas malas de 23 kg cada, para além da habitual bagagem de mão. Recomenda-se a entrada cedo no avião, uma vez que poucas pessoas cumprem a indicação de levar apenas um volume, e a arrumação das malas nas bagageiras superiores, torna-se uma verdadeira aventura, na descoberta de um espaço.
A bagagem de porão extra foi uma surpresa fantástica, uma vez que nos permitiu levar quase 60 kg cada um. Sendo um dos objetivos da viagem, o de levarmos o Natal às Roças, e que permitiu transportarmos o dobro dos presentes, que se distribuíram por roupa, material escolar, brinquedos, e bolas de futebol “à séria”, que fizeram as delícias de muitos grupos de miúdos. Ainda me recordo do ar surpreso do funcionário da Decathlon em Alfragide, quando lhe pedi para me esvaziar 20 bolas, pois pelo volume seria impossível transportá-las cheias. A compra de uma pequena bomba manual, resolveu o problema localmente. Bomba essa que acabou por ficar com um dos rececionistas do hotel, que a medo, nos veio pedir uma bola para a sua equipa de futebol, perguntando-nos ainda se no fim lhe podíamos dar a bomba. O ar de alegria foi indescritível. Ficámos com um amigo para a vida!
Chegada à ilha, e assim que se sai do avião, sente-se um bafo quente a que não estamos minimamente habituados. A t-shirt cola-se de imediato ao corpo, e o cheiro é algo que não se consegue escrever nem descrever. Entra-nos pelas narinas e prende-nos de imediato ao local, provocando uma sensação que noutros continentes não conseguimos sentir. É algo de mágico e isso leva-nos a regressar vezes sem conta a este continente.
Depois desta magia, entramos na realidade africana, e na sua desorganização organizada. Assim que se sai do aeroporto, somos “atacados” por taxistas, vendedores de tudo, guias, entre muitos outros, e tem-se assim o primeiro contacto com a informal, mas real, “economia” africana.
Acabámos por falar com um tal de Mike, para nos servir de guia, uma vez que o interior da ilha não é fácil de explorar, para quem não conhece. Discutimos o preço e quando chegámos ao hotel Pestana Miramar já ele nos esperava. Inicialmente era apenas guia, mas a meio alterou a conversa e propôs irmos no carro dele, prometendo um preço mais acessível. Explicámos que o carro já estava previamente alugado à agência do Wagner. Ligou de imediato ao Wagner e no fim disse-nos que estava “tudo ok”, mas de seguida apresenta-nos um contrato de aluguer de carro, e como a “história” já ia longa, ligámos ao Wagner, que em 5 minutos apareceu e tal como já era expectável era tudo treta, para roubar o cliente. África no seu melhor! Despachámos o “Sr. Mike”, e fomos à agência do Wagner tratar de tudo. Acabou por nos arranjar um guia local, por 12 € por dia, o Wilson, um puto que se mostrou sempre impecável. Por curiosidade, o vencimento médio mensal em São Tomé situa-se nos 40 €.
Depois de um refrescante mergulho na piscina, o almoço foi no Passante, bem perto do Hotel. Havia barriga de peixe Andala e banana frita. Saem duas doses! Após uma longa espera, veio uma dose de barriga e outra de Bonito. Não havia Andala para duas doses… “Leve Leve” de São Tomé e o seu espírito descontraído. De qualquer das formas os peixes estavam deliciosos e deu para partilhar. Os preços no restaurante são bastante acessíveis pagando-se entre 3 € a 6 € por pessoa.
Da parte da tarde visita ao mercado municipal, o reino da confusão colorida. Centenas de comerciantes dentro e fora do mercado, vendem de tudo um pouco. O trânsito, ao contrário do resto da cidade é caótico. As roupas tradicionais, enchem o espaço de cor, e começa o paraíso dos fotógrafos.
Passeio pela marginal da cidade, e o céu negro ameaçava desabar. Os edifícios de estilo colonial vão-se sucedendo, e os miúdos brincam com o que vão encontrando.
As lojas copiam o que se encontra em Portugal, país de destino da muita emigração da população. Miniplêço e Pingo Doxi, fazem sucesso por aqui.
Mais um mergulhinho antes do jantar, que acabou por ser um polvo delicioso, e para final da noite, entre várias quebras de energia, lá conseguimos separar os presentes para o dia seguinte e ainda encher algumas bolas.
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