Diário de Bordo – Istanbul| Crónica 6

Sexta crónica sobre um dos nossos destinos de eleição, Istanbul. Três viagens em 4 anos, realizadas por António Cruz e Ana Fialho, dois apaixonados por conhecer o Mundo e os seus recantos ainda pouco visitados. António, economista e Ana, professora, aproveitam todas as suas férias nesta exploração. Culturas diferentes, interação com os locais, gastronomia e fotografia são as suas preferências nestas descobertas.

Crónica 6 – Besiktas, Ortakoy

Besiktas é um dos bairros mais antigos da cidade, e talvez um dos mais ricos culturalmente. Ainda na margem europeia do Bósforo, é um importante Centro Universitário, o que dá ao bairro um ar moderno, sendo ponto de encontro de estudantes, artistas e intelectuais, que enchem os cafés, bares, livrarias e espaços culturais, que existem nas movimentadas ruas.

Uma das várias faculdades que por aqui existem, é das mais antigas do mundo, no ensino da engenharia, lecionando desde 1773.

Bairro sempre muito movimentado, pois é a passagem mais rápida, via barco, entre as margens europeia e asiática, com vários terminais de ligação a outros transportes públicos.

Os pequenos cafés, mesmo à beira do Bósforo, são pequenas pérolas que merece a pena aproveitar, para relaxar e apreciar todo o rebuliço humano que por ali passa.

É aqui que podemos visitar o Palácio Dolmabahçe, sede do governo imperial até à queda do Império Otomano. Foi aqui que faleceu Atatürk, em novembro de 1938, que era também a sua residência oficial. Uma “pequena casa” com 285 quartos, 46 salões, e mais de 70 casas de banho. Tem o maior lustre de cristal do mundo com 4,5 toneladas, presente da Rainha Vitória de Inglaterra. Na decoração de tetos e outros ornamentos decorativos, foram usadas 14 toneladas de ouro.

É neste bairro que está o Museu Naval, o maior museu marítimo da Turquia. Interessante para quem aprecie o tema.

Por último, é o bairro que alberga um dos maiores clubes de futebol da Turquia, o Beşiktaş JK, que começou por ser apenas um clube de ginástica, fundado em 1903, como o nome ainda indica – o JK significa Jimnastik Kulübü – e é um dos três grandes de Istanbul, com o Fenerbahçe e o Galatasaray. Um clube onde muitos portugueses já brilharam e outros ainda brilham. Ricardo Quaresma, um ainda símbolo do clube e ainda com camisolas à venda com o seu nome, Pepe, Manuel Fernandes, Simão Sabrosa e Hugo Almeida, foram históricos nomes do futebol português que por aqui passaram. Atualmente o clube é treinado por Fernando Santos, e são jogadores Rafa e João Mário. A paixão pelo futebol é algo que marca a cidade, sendo que a claque deste clube é uma das mais apaixonadas e mais barulhentas, constando do Guiness Book, como a mais barulhenta. É o clube “do povo”, com fortes ligações à classe trabalhadora e estudantil.

O bairro vizinho de Besiktas, e que praticamente se misturam, é Ortaköy, um dos mais charmosos, com todo o ambiente da orla do Bósforo, e vistas magníficas.

Tem uma das mesquitas que consideramos das mais bonitas da cidade, a Mesquita de Büyük Mecidiye, ou Mesquita de Ortaköy. De arquitetura barroca otomana, com uma localização fantástica, mesmo na orla do Bósforo, é o local perfeito para se visitar ao por do sol, onde a luz que entra pelas suas grandes janelas, cria uma atmosfera mágica e absorvente, de um encanto difícil de explicar e que só sentindo se entende. À noite, fotografá-la com a Ponte do Bósforo, em cenário também, dá uns “bonecos” incríveis. Tem uma rua, pertinho da paragem dos barcos, com artesanato bem interessante.

Apesar de haver noutras zonas da cidade, Ortaköy é o bairro do kumpir, uma refeição local, das mais apreciadas, de preparação simples, mas deliciosa. O nome tem origem na palavra alemã kumpir, que significa simplesmente batata assada. De origem europeia, tornou-se muito popular nos anos 80.

Basicamente o prato consiste numa batata gigante, assada até ficar macia por dentro e com a casca exterior crocante. É depois aberta ao meio, e o interior amassado num puré, misturado com manteiga e queijo local kaşar, bem ralado. Depois de tudo bem misturado, é recheada com vários ingredientes que podemos escolher, como salsicha, azeitonas, milho, cogumelos, maionese, pickles, molhos, entre muitas outras coisas. Pode-se comprar na rua, nas muitas barraquinhas que as vendem, ou comer em restaurantes de vários andares que só vendem isto. Por estranho que pareça, o preço é fixo, quer na rua, quer nos restaurantes – 300 TL.

Estando nesta zona da cidade, um local interessante de se visitar é o bairro de Arnavutköy, um dos mais encantadores e pitorescos de Istanbul. É conhecido pelas suas casas de madeira coloridas, pelas ruas estreitas, que se conjugam com vistas muito bonitas para o Bósforo. Um local excelente para caminhadas na linha costeira do Estreito. Arnavutköy significa literalmente “aldeia dos albaneses”, que no século XV emigraram bastante para aqui, particularmente para esta zona da cidade.

E termina a zona europeia de Istanbul. A próxima crónica, e última sobre esta cidade, será inteiramente dedicada à parte asiática. Deixamos hoje uma seleção, que consideramos muito interessante, de fotos aleatórias da cidade.

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  • Diário de Odivelas - Redação

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