Diário de Bordo | Rhodes – Dias 1 e 2

Rhodes dia 1

Saímos cedo de Santorini para Atenas, aeroporto de escala para o nosso destino, a Ilha de Rhodes. Aterragem por volta da hora de almoço. Chegada com chuva, com alguma intensidade. Levantar o Fiat Panda, e seguimos para o check-in no Stay Rhodes Hotel, Stay Rhodes, alojamento bem localizado, perto da praia e do Porto de Mandraki. A chuva continuava a não dar muitas tréguas e descobrimos um pequeno restaurante, perto do hotel, com staff bem simpático, e comida grega deliciosa Mr.Gs.Gyro Street Food.

A chuva decidiu fazer um intervalo, e aproveitámos para dar um passeio exploratório pela cidade. Começámos pelo Porto de Mandraki, onde, há muitos anos e à sua entrada, existiu a famosa estátua do Colosso de Rhodes, erguido por volta do ano 280 a.C., em homenagem ao deus Helios, no seguimento de uma vitória dos habitantes da ilha a um cerco militar. A estátua tinha aproximadamente 33 metros de altura, e foi construída em bronze e ferro. Foi considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Acabou sendo destruída por um terramoto, em 226 a.C. e os seus restos acabaram por ser vendidos como sucata ao longo dos tempos.

Esta ilha, com uma localização muito estratégica no Mediterrâneo, teve várias ocupações. Os primeiros terão sido os minoicos, na Idade do Bronze, vindo a seguir os gregos dóricos, que tornaram a ilha num grande centro comercial e marítimo deste mar. Mais tarde, em 164 a.C. chegaram os romanos, que incluíram a ilha no seu vasto império, passando a ser muito conhecida pelas suas escolas de filosofia e retórica. Com a divisão do império romano, a ilha ficou do lado bizantino. No século XIV chegaram os Cavaleiros de São João, os Knights Hospitaller, ordem militar surgida em Jerusalém, na época das cruzadas. Conquistaram a ilha em 1309, transformando a cidade numa poderosa fortaleza, que ainda hoje faz parte da cidade, e está classificada como Património Mundial da UNESCO. Por aqui os cavaleiros ficaram 200 anos, até terem sido expulsos pelos otomanos. Após um gigantesco cerco militar, que durou 6 meses, e em reconhecimento pela sua resistência, os otomanos permitiram a sua saída, com armas, bandeiras e navios. A estes cavaleiros, uns anos mais tarde, foi-lhes dada a Ilha de Malta, dando origem à conhecida Ordem de Malta. Os italianos também por aqui passaram, e só depois da Segunda Guerra Mundial a ilha passou finalmente a integrar a Grécia.

Aproveitámos a trégua da chuva, que apenas intermitentemente deixava cair alguma água, para dar uma primeira volta pelo interior da fortaleza medieval, que está muito bem preservada. Uma das suas mais imponentes ruas, está ligada aos cavaleiros e chama-se mesmo a Rua dos Cavaleiros. Era aqui que eles viviam e estavam organizados por línguas, sendo que cada origem ocupava uma casa. Cada uma dessas comunidades, tinha a sua própria “auberge”, uma espécie de palácio ou casa oficial, ao longo desta rua. Desde o século XV, que a rua está praticamente inalterada. Chão de pedra, fachadas com brasões esculpidos, edifícios muito austeros. Mesmo ao cimo da rua, o imponente Grande Palácio, residência do chefe da Ordem.

Pelas ruas e pelos fossos da fortaleza, várias bolas de pedra, são visíveis, e ali estarão, seguramente, há vários séculos. São antigas balas de canhão e de catapultas, utilizadas pelos Cavaleiros, na defesa da cidade.

No regresso ao hotel, passámos pelo Casino, e fica a promessa de vir gastar 10 € uma noite destas. O jantar foi no mesmo local do almoço, e mais uma vez, estava delicioso.

À noite voltámos de novo ao porto, onde uma banda local tocava, e até que não era má. Faziam parte de um festival de novo ano, e amanhã há mais, até porque será dia 31 de dezembro. Nas zonas de bares, despejavam-se freneticamente garrafas de raki.

Rhodes dia 2

Último dia do ano, passado inteiramente na cidade de Rhodes, com um clima mais apetecível do que o do dia anterior.

Começamos pela visita ao Museu Arqueológico da cidade, o antigo Hospital medieval dos Cavaleiros, construído no século XV, no estilo arquitetónico gótico. A visita é imperdível, pela rica e diversificada coleção de achados arqueológicos, incluindo os recuperados de antigas cidades como Lalyssos, Kamiros e Lindos. São muitas as exposições a visitar, nomeadamente de esculturas, cerâmica, joias, moedas, entre muitos outros objetos, que explicam a longa história dos povos que ocuparam a ilha.

Fomo-nos perdendo pelas ruelas da fortaleza, em caminhos de pedra, já muito gastas pelo passar dos séculos, e que certamente guardam histórias sensacionais. Poucas pessoas vagueavam pelo local, pelo que nalgumas zonas, quase que esperávamos ver, a sair de pequenas portas de madeira, um cavaleiro ou um guerreiro otomano.  Ainda se percebe pela arquitetura das casas, como seriam os pequenos negócios, que durante séculos deram vida a estas ruas. As fontes, pontos de abastecimento de água em tempos recuados, são lindas, e verdadeiros trabalhos artísticos, de experientes artesãos.

No antigo bairro judeu, a fonte dos cavalos-marinhos, um memorial às vítimas dos judeus de Rhodes, que foram deportados para campos de concentração, durante a ocupação alemã, na Segunda Guerra Mundial.

Perto deste bairro, as ruínas da imponente igreja gótica, do século XIV, a Igreja da Virgem do Burgo, destruída possivelmente durante o cerco da cidade, o que levou à saída dos Cavaleiros.

No porto, a azáfama de tempos idos desapareceu. Agora é local de descanso de navios de cruzeiros em “férias” e grandes ferrys que ligam a ilha ao continente. Os moinhos que ainda se podem ver no Porto de Mandraki, são marcos medievais do século XIV. Os grãos que chegavam em grandes navios mercantes, seriam ali moídos, para posterior comercialização.

E o fim do dia aproximou-se a passos largos, e estava na hora de voltar à praia junto ao hotel, um dos melhores locais para o pôr do sol, com as montanhas da Turquia em fundo.

Mantivemo-nos fiéis ao primeiro restaurante, e a simpatia do staff continua a ser impecável, assim como a qualidade dos pratos que nos servem. No porto, a banda de hoje é péssima, e nem conseguimos aguentar até à meia-noite. Amanhã, novo ano!

 

  • Diário de Odivelas - Redação

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