
Mais um regresso a esta cidade que nos encanta, e nos faz regressar vezes sem conta. Desta vez temos um objetivo muito específico, sendo o de explorar a fundo o lado asiático da cidade, onde já fizemos algumas incursões em anos anteriores, mas que pretendemos conhecer com mais detalhe e profundidade, fugindo da zona altamente turística da parte ocidental de Istanbul.

O dia começou bem cedo, com voo a sair de Lisboa às 05H55, uma novidade recente neste horário. Primeiro contratempo, logo à chegada a Lisboa, com a cancela do parque, onde costumamos deixar a viatura gratuitamente (na empresa onde trabalho e que gentilmente me deixa parquear o carro nos dias que estou a viajar), pura e simplesmente não abriu, por avaria. Não havia mais nada a fazer do que apenas pensar rápido, ou mesmo muito rápido, e seguimos para Cabo Ruivo, onde ainda existem algumas ruas sem parquímetros. Com muita sorte, conseguimos um lugar mesmo à porta do metro de Cabo Ruivo, o que vai facilitar o nosso regresso a casa, que já vai ser noite dentro.
Para ajudar neste imprevisto, Uber e Bolt sem darem grandes sinais de vida na aceitação do nosso pedido, e já se buscava contactos da Rádio Táxis, quando, finalmente, um motorista aceita a viagem.
Com tudo isto, conseguimos chegar a horas e, sem necessidade de ir ao balcão de check-in, ainda conseguimos passar relativamente rápido na segurança e nas formalidades de fronteira. Estranhamente, não me tocou fazer esfregaço de drogas ou a mochila passar para a revisão de conteúdo, o que me acontece com bastante frequência.

Já na porta de embarque, ainda completamente deserta, uma mochila preta jazia no chão, junto às baias de entrada, e num dos bancos, um grande saco cor de laranja, também dava sinais de abandono. Mais passageiros foram chegando e, principalmente a mochila, provocava sinais de alguma agitação entre as pessoas, que rapidamente informaram os funcionários, que a passo apressado, chegaram para fazer o embarque. Diligentemente ligaram para a polícia, polícia essa que já deveria estar a ver aquela mochila há horas, nas câmaras de segurança, desde o último embarque em Lisboa, que costuma ser por volta da meia-noite. Funcionários de limpeza, também devem ter passado. Mas os dois objetos perdidos continuaram ali, ignorados, sem grande preocupação de alguém.
Voo tranquilo, e aterragem em Istanbul às 12h24. Após 20 minutos a taxiar até à manga, porque o aeroporto é gigante, as formalidades de saída foram muito rápidas, e temos o primeiro carimbo no novo passaporte. Menos sorte tiveram alguns cidadãos indostânicos, cujos passaportes eram minuciosamente analisados com lupa de joalheiro…

Adquirimos o bilhete de autocarro, que seria o nosso transporte até Kadikoy, na parte asiática da cidade, numa viagem que demorou sensivelmente uma hora e meia.
Ainda no aeroporto, na paragem do autocarro, uma simpática senhora perguntou-nos de onde éramos. Ela era do Uzbequistão, e chegava para mais uma temporada de 40 dias de trabalho, o máximo de permanência que lhe é permitido ficar com visto de turista. Parece que faz isto várias vezes por ano, bem como todos os que a acompanhavam.
Alojamento no https://www.lokasuites.com/, simples, mas uma muito acolhedora Guest House, mesmo no centro do bairro de Kadikoy. Mas antes, matar saudades de um simit, até porque a hora de almoço já passou há muito tempo…
O simit é um pão em forma de anel, muito popular na Turquia e em vários países dos Balcãs e do Médio Oriente. Tem um formato semelhante a um bagel, mas é mais fino e crocante e é abundantemente coberto de sementes de sésamo torradas. É um dos alimentos de rua mais emblemáticos da Turquia.

À tarde, muito nebulosa, mas sem chuva, levou-nos a percorrer as ruas deste bairro, em busca de detalhes fotográficos, de recantos pouco visitados ou apenas ignorados, e também numa missão especial: onde está o gato Portakal, que conhecemos do Instagram? Portakal tem origem no nome Portugal, e aqui significa laranja. Durante a Idade Média e o início da era moderna, os portugueses foram responsáveis por levar a laranja doce para várias partes do mundo, incluindo o Império Otomano. Por isso, em muitas línguas, a fruta acabou sendo associada a Portugal. Portakal literalmente significa algo como “fruta de Portugal”! Voltando ao nosso amigo gato, lá o encontrámos num dos seus spots preferidos, junto a supermercado. Um lindo gato laranja, mas muito senhor do seu nariz. Não passa muito cartão a desconhecidos.

Bem colado a Kadikoy, fica o Bairro de Moda. Enquanto o primeiro é conhecido pelo seu ambiente antigo, mas ao mesmo tempo, jovem, alternativo e descontraído, sempre muito movimentado e muito popular entre estudantes, artistas e pessoas que gostam de cultura urbana, o Bairro de Moda é uma das áreas mais charmosas e agradáveis de Istambul, e costuma ser visto como o “lado mais tranquilo e elegante” de Kadıkoy. Moda tem um clima muito mais relaxado, áreas residenciais novas e sofisticadas. Um dos maiores destaques é a orla de Moda, com parques e uma vista linda do Mar de Mármara. O local ideal para se fazer um piquenique, relaxar ou apreciar o pôr do sol. Este bairro é cheio de cafés aconchegantes, padarias e restaurantes modernos. Zona de teatros independentes e galerias de arte. E muitos gatos, a constante desta cidade!

Nesta descoberta da cidade, encontrámos um novo local, muito interessante. A antiga estação de barcos de Moda, a Moda Iskelesi, foi convertida num agradável e acolhedor espaço cultural, com biblioteca e cafetaria de apoio. O local estava repleto de estudantes, que ali encontram condições excelentes para estudar, num ambiente muito acolhedor, porque na rua já fazia algum frio. As vistas também ajudam a relaxar a mente.
Aqui perto, encontrámos outra estrela do Instagram gatil, desta feita o estrábico. Lá estava ele no seu spot favorito, as pedras do pontão.

No regresso para Kadikoy, uma simpática adolescente abordou-me, para saber se eu gostaria de fazer de modelo para ela, para um trabalho fotográfico que realizava para a escola. Claro que sim! Que final de tarde super interessante! Deve ter sido por ter também uma máquina fotográfica ao pescoço, que lhe despertou a atenção e colocou o foco em mim.
Nesta zona já nos deparámos com duas casas que vendem… pastéis de nata! Pelos vistos um sucesso por aqui, porque os cafés estavam cheios, e os clientes, para além do chá, deliciavam-se com uma das nossas iguarias que mais viaja pelo mundo. E eram feitos no local, nada de cenas congeladas. Parabéns a estes empresários!

Uns pingos de chuva mais grossos, precipitaram o regresso ao hotel, desta vez com a companhia de um dos gigantes e dóceis cães, que existem nas ruas da cidade. Uma festa e já não nos largam.
Para o jantar, algo que ainda não tínhamos experimentado, kibbeh, pasteis em forma oval, com uma crosta de trigo bulgur, recheados com carne picada, cebola, pinhões e várias especiarias. Só vos digo que é simplesmente delicioso!

A noite terminou na esplanada de um pequeno café, a tomar um merecido chá quente.







