
Saída de Nicósia com destino às montanhas Troodos.
A estrada segue, durante uns bons quilómetros, paralela à linha de divisão, a chamada linha verde, onde, com frequência, se vai encontrando, de cada um dos lados da linha, postos militares de observação, com soldados fortemente armados, e que se vão vigiando mutuamente. Pelo meio, na zona tampão, vão circulando jipes brancos da UN, das forças de manutenção da paz.

Do lado turco, as montanhas, que já estão muito perto desta linha, têm muitas rochas pintadas com gigantes bandeiras da Turquia, criando cenários fotográficos muito interessantes, mais ainda pela luz que estava nessa manhã, e que dava um brilho intenso a essas bandeiras.

Viramos então para o interior, deixando para trás essa linha divisória, que teima em existir, em direção às montanhas.

As montanhas de Troodos revelam um Chipre muito diferente daquele que encontramos junto à costa. As sinuosas estradas levam-nos a um clima mais ameno, a um perfume intenso dos pinheiros, a pequenas aldeias de pedra, mosteiros perdidos na floresta e a um silêncio que tem algo de belo. Por estranho que pareça, a condução do lado esquerdo da estrada, numa estrada bastante sinuosa, dá muito mais prazer do que conduzir do lado direito. Para além deste cenário natural, as montanhas escondem as chamadas igrejas pintadas, muitas delas Património Mundial da UNESCO.

A primeira paragem foi na Igreja Panagia Phorviotissa, também conhecida como Panagia tis Asinou, uma das mais importantes igrejas bizantinas de Chipre, e que integra esse conjunto de Igrejas Património Mundial da UNESCO. Foi construída entre 1099 e 1105, e está a 3 quilómetros da aldeia de Nikitari. O seu interior guarda um autêntico tesouro, com frescos da época de construção e pinturas murais, sendo as mais antigas do século XII. A visita é gratuita, o que começa a ser algo raro nos dias que correm.

Mais uns quilómetros de estrada e a segunda paragem foi no Mosteiro de Kykkos, o mais rico, famoso e um dos mais importantes mosteiros ortodoxos do Chipre. Bem no alto da montanha, a mais de 1 300 metros de altitude, foi fundado no final do século XI, ainda durante o Império Bizantino. A construção original era de madeira, mas vários incêndios ao longo dos séculos, deram-lhe a configuração atual. O maior tesouro do mosteiro é o famoso ícone da Virgem Maria, Panagia Kykkotissa, supostamente pintado por São Lucas, enquanto Maria ainda era viva. O mosteiro está também ligado a Makarios III, que aqui começou a sua vida religiosa, chegando a Arcebispo da Igreja Ortodoxa do Chipre e mais tarde, o primeiro Presidente da República do país. Daí, o seu túmulo estar apenas a 3 quilómetros acima do mosteiro, onde fomos de seguida. Fotografias não são permitidas na maior parte do mosteiro.

Chegamos então a Throni, um pequeno promontório nas montanhas, a 1 500 metros de altitude, e onde repousa Makarios III, num túmulo bastante simples, tal como foi sua vontade, e vigiado por uma guarda de honra de militares cipriotas.

Uma grande estátua de bronze do Presidente, voltada para o mosteiro, simboliza a sua ligação ao local onde iniciou a sua vida monástica. As vistas deste ponto são absolutamente magníficas, sendo um dos melhores locais para se observar com atenção a beleza das montanhas do país.

De regresso às estradas de montanha, bastante sinuosas, de condução muito interessante para entusiastas de estradas assim.

O destino final do dia seria Pedoulas. Já com a aldeia no nosso horizonte, uma gigante cruz branca destacou-se na montanha, e como estamos sempre em modo de descoberta, de imediato tentámos perceber como chegar lá.

Fomos ter à Capela de Timios Stravos, infelizmente encerrada, sendo o grande destaque a grande cruz branca de 25 de altura. E regressamos ao caminho original, que nos levaria até Pedoulas, onde iríamos ficar esta noite.

Check-in no simples, mas muito acolhedor e familiar, Hotel Christhys Palace, Hotel Christhys Palace. Os quartos têm vistas panorâmicas para a vila e montanha.

Hora de visitar Pedoulas, uma das aldeias mais bonitas e autênticas de Chipre, muito conhecida pelo seu património religioso, arquitetura tradicional e cerejas, que sendo agosto, já não conseguimos provar. Mas fomos provando deliciosos bagos dos cachos de uva que pendem dos quintais para as ruelas da aldeia. As casas de pedra com telhados inclinados e as varandas de madeira, transformam o passeio numa agradável e autêntica viagem no tempo.

A igreja Património Mundial da Unesco, a de Archangelos Michael, construída em 1474, ainda estava aberta, e conseguimos visitar.

Por fim, a visita à Igreja de Santa Cruz, um importante centro de peregrinação, uma vez que conserva uma relíquia da Verdadeira Cruz, um pequeno fragmento trazido de Constantinopla.








