Diário de Bordo | Azerbaijão – Dia 1







A viagem deste verão de 2026 foi uma “road trip” pelo Azerbaijão e pela Arménia.

Só que desta vez, a “estrada” começou num troço cheio de muitos buracos. Alguma vez tinha de ser a primeira, e a nós nunca nos tinha “tocado”. O primeiro voo foi cancelado! Estranhámos não ter conseguido fazer o check-in eletrónico, mas nada fazia prever o que se iria passar nas próximas horas. O plano de voo para este primeiro dia, seria Lisboa-Istanbul-Baku, em voos Turkish Airlines, com saída de Lisboa às 06H00. Na nossa ida para o aeroporto e quase a chegar a Lisboa, uma mensagem é recebida no nosso telemóvel: “voo cancelado para Istanbul”! Meia hora depois nova mensagem: “o vosso voo para Istanbul sai às 18H55”, ou seja, mais de 12 horas do que a hora inicialmente prevista. Uns minutos depois nova mensagem, desta vez a informar da nova hora de saída do voo para Baku. Só que esse voo sairia, antes da nossa chegada a Istanbul. Decidimos então ir ao aeroporto para resolver esta questão.

Entretanto, percebemos que a Turkish deixou de ter balcão próprio em Lisboa e passou a ser representada pela Portway, que pouco ou nada conseguiu fazer, apesar da extrema boa vontade do funcionário que estava presente. A confusão junto ao balcão estava generalizada. A maioria dos passageiros teria voos de ligação, que estavam perdidos. Um grupo de 31 “tugas”, que ia para a Mongólia, desesperava!

O funcionário da Portway informa que às 4 da manhã, um representante da Turkish virá falar connosco. Não aconteceu… passou para as 08H00. Não aconteceu… Entretanto decidimos ligar para a linha de apoio, onde conseguimos resolver o problema e passar o voo para Baku para um horário compatível com o que iria sair de Lisboa. A simpática senhora do call center explicou-nos, que nós conseguimos resolver este problema, porque os bilhetes foram adquiridos diretamente por nós. Todos os que tivessem sido adquiridos por agências, teriam de ser essas entidades a resolver esta questão e não os portadores dos bilhetes. Informámos os restantes passageiros desta situação, e o desespero ficou maior. Contactar agências de viagens sábado de madrugada…não seria tarefa fácil…

Quanto à Turkish Airlines, com quem já voámos dezenas de vezes, ficou muito mal neste “filme”. Não entregou, como lhe competia, vouchers de refeição, só muito tarde conseguiu apenas 5 quartos em Oeiras (para um avião que leva mais de 200 passageiros…), e deixou o funcionário da Portway à beira de um esgotamento nervoso. Seguir-se-á o pedido de indemnização previsto nos voos que operam na UE. Apesar de o motivo apresentado ter sido questões meteorológicas, o avião da Turkish foi o único voo, que não aterrou em Lisboa, na noite anterior, com a situação de haver ventos cruzados, tendo divergido para Málaga.

Entretanto, voltámos para a cidade, fomos tomar o pequeno-almoço, comprar uma mala nova, almoçar, e assim se passou o tempo e regressamos ao aeroporto. O pessoal da Mongólia ainda “andava aos papéis”. Já no aeroporto fomos informados que o voo afinal só sairia às 20H00. Mas o nosso voo de ligação ainda estava assegurado. Nova mensagem e passa para as 21H30. Para nós continuava tranquilo. Para outros já nem tanto… o grupo da Mongólia finalmente tem solução para o caso deles. O grupo foi dividido, tendo uns voado para a China, outros para o Qatar e outros para Frankfurt. Só iam chegar dois dias depois do que a data prevista.

Finalmente conseguimos ver no Flightradar24, que o avião finalmente tinha saído de Málaga, e que se dirigia para Lisboa. Aleluia!

Embarque para Istanbul, malas a bordo, que confirmámos com as “airtags”, agora com versão Android disponível, e aproveitar para dormir um pouco. O voo para Baku saiu à hora prevista e, uma hora depois, chegámos à capital do Azerbaijão, onde começaríamos a “road-trip” pelo Cáucaso. E assim, tudo tranquilo para esse início, tendo nós perdido apenas uma manhã. A chegada prevista para as 01H00 aconteceu às 13H00 do mesmo dia, não tendo sido um grande problema para nós, e não dependíamos de nenhum grupo.

Troca de dinheiro no aeroporto, Holafly a funcionar, BOLT para o hotel – um transporte aqui muito barato – e o desejo de um belo duche antes de começarmos a descobrir a cidade. Tivemos o cuidado de avisar o hotel, que, tendo uma reserva de duas noites, não iriamos comparecer na primeira, pelos motivos que já sabem. A resposta foi sempre “Ok! Ok!”. Chegados ao hotel para fazer o check-in e segunda surpresa da viagem: “A vossa reserva está cancelada e não temos quartos”! Como???? Avisámos esta situação. O rececionista diz-nos que sim, “foi comigo que trocaram mensagens no WhatsApp”. E então? “O sistema da Booking cancela tudo quando há um no show”. Tudo ok e afinal nada estava ok… felizmente conseguiu arranjar-nos um quarto num hotel mesmo ao lado, e que seria do mesmo grupo. Até acho que ganhámos com a troca. Ficámos num alojamento novinho em folha, e ganhámos uma rececionista super simpática. Haveria mais alguma surpresa? Felizmente que não, e o resto do dia correu lindamente.

Depois de um belo duche, que nada serviu, porque 10 minutos depois, já nos desfazíamos em água, a primeira paragem, na zona antiga da cidade, onde ficámos hospedados, foi numa apetecível esplanada, onde nos deliciámos com uma bela tábua que queijos e pão locais, para ganharmos energia para a quente tarde. A cidade antiga é Património Mundial da UNESCO, e a sua descoberta é muito interessante.

Nesta parte da cidade a azáfama é grande! Já decorrem as montagens para o Grande Prémio de Fórmula 1, que aqui decorrerá em setembro, em circuito citadino. Percorri várias zonas da pista, em troços já encerrados ao trânsito, e quase que consegui imaginar o rugido dos motores e a adrenalina das corridas. Quase que se sente o cheiro a gasolina! Ou então seria dos velhos Ladas que circulam pela cidade… A nossa imaginação prega-nos partidas!

Fomos visitar o Centro Heydar Aliyev, da arquiteta Zaha Hadid, um dos mais famosos edifícios da cidade, pela sua arquitetura e pelo seu recheio. Tem exposições de arte contemporânea, muito, mas muito interessantes, e é um dos locais a não perder.

Passagem também pela rua Nizami, uma importante rua pedonal na cidade, conhecida pelos edifícios e pela arquitetura do final do século XIX, muito ligada ao crescimento da cidade com o boom petrolífero.

Depois, o resto da tarde foi passado no Boulevard, ao longo do mar Cáspio, um dos agradáveis espaços da cidade, mas sempre muito ventoso. Aliás Baku é conhecida pela cidade dos ventos. O Boulevard é um longo passeio marítimo, muito cuidado, com grandes jardins e muitos cafés e quiosques, onde a modernidade encontra o mar. Mas como voltaremos a esta cidade com mais tempo, deixaremos para mais tarde algumas particularidades interessantes e locais a visitar.

O jantar teria de ser “plov”, um dos pratos mais emblemáticos do Azerbaijão. O arroz, solto, muito aromático e envolto numa fina camada de massa, dourada e estaladiça, é acompanhado por tenra carne, frutos secos e castanhas, criando um contraste surpreendente entre doce e salgado. É um “pacote” que vos vai deixar maravilhados. Deixamos a dica sobre este restaurante, o “Kurban Said”, na cidade velha. Peçam para ficarem na varanda e têm uma refeição deliciosa, com uma vista magnífica para as Flame Towers. Não se esqueçam que viajar é também sentar-se à mesa e descobrir as iguarias que cada local nos proporciona.

Para terminar esta crónica, algumas informações sobre o país e a sua capital, Baku.

– O país esteve ligado à antiga Rota da Seda.

– O islamismo, a religião predominante, foi fortemente reprimida pelos russos, durante a época da URSS.

– O país foi independente entre 1918 e 1920. Foi incorporado na União Soviética e recuperou a sua independência em 1991, com o colapso soviético.

– A partir de 1991, o petróleo e o gás natural, voltaram a ter um papel central na economia do país, transformando Baku numa cidade moderna.

– Baku tem um circuito citadino de Fórmula 1, com 6 quilómetros e 20 curvas, desde 2016.

– As ruas mais largas da cidade, só podem ser atravessadas por passagens subterrâneas, lindamente decoradas com mármore, parecendo autênticos corredores de museus.

– O PIB do país depende em 40% do petróleo e do gás natural.

– As exportações de petróleo e gás, representam 90% das exportações do país.

– O Mar Cáspio é na realidade um gigante lago de água salgada, o maior corpo de água interior do mundo. Tem vindo a baixar o nível de água, e há zonas da cidade onde se consegue perceber isso.

– Baku está 28 metros abaixo do nível médio do mar.

– Uma parte importante da fortuna da Família Nobel (sim, esses dos prémios) foi feita no país, com o petróleo.




  • Diário de Odivelas - Redação

    Related Posts

    Diário de Bordo – Dia 9 Arménia

    Esperava-nos um longo dia, com muitos quilómetros a percorrer em muita estrada de montanha. As formalidades do rent-a-car foram muito rápidas e a simpatia do funcionário, que já o tinha…

    Crónicas do RAFU | Há Quem Em Tenda

      Nas últimas semanas tivemos partidos políticos a invadir e interromper emissões de rádios e polícias a dar pancada a manifestantes. Esta democracia está com um cheiro esquisito. Vários jovens…

    Publicidade

    Estão abertas as inscrições para a Corrida D. Dinis

    Estão abertas as inscrições para a Corrida D. Dinis

    Diário de Bordo – Dia 9 Arménia

    Diário de Bordo – Dia 9 Arménia

    Finanças Pessoais e Literacia Financeira em sessão na BMDD

    Finanças Pessoais e Literacia Financeira em sessão na BMDD

    21 de outubro – Dia Mundial da Poupança de Energia

    21 de outubro – Dia Mundial da Poupança de Energia

    Jovem de 19 anos detido por tráfico de estupefacientes em Odivelas

    Jovem de 19 anos detido por tráfico de estupefacientes em Odivelas

    Seleção feminina de Basquetebol Joga com a Alemanha no Multiusos de Odivelas

    Seleção feminina de Basquetebol Joga com a Alemanha no Multiusos de Odivelas