
Férias no Sudeste Asiático? Voluntariado em África? Visita à família no Brasil? Seja qual for o destino, há um passo simples que pode fazer toda a diferença – e que a maioria dos viajantes ignora: a consulta do viajante.
O que é, afinal, a consulta do viajante?
Muitas pessoas planeiam voos, hotéis e roteiros ao detalhe, mas esquecem-se de preparar algo igualmente importante: a sua proteção contra doenças e riscos associados ao destino. E é precisamente para isso que serve esta consulta.
Não é uma consulta de rotina. É uma consulta feita para si, para o seu destino e para a sua viagem. O profissional de saúde analisa o país de destino, a duração e o roteiro da viagem e as atividades previstas, bem como o historial clínico e o estado vacinal de cada pessoa, cruzando tudo isso com os riscos específicos do país para onde vai. O resultado? Um plano de proteção à sua medida, ainda antes de fazer as malas.
O que pode resolver nesta consulta?
- Atualização e aconselhamento sobre vacinas obrigatórias e/ou recomendadas;
- Avaliação do risco de malária no destino e prescrição de quimioprofilaxia quando indicada;
- Proteção contra picada de insetos que podem transmitir doenças como malária, dengue, chikungunya, zika, entre outros;
- Recomendações sobre alimentação, água e higiene;
- Informação sobre riscos específicos do destino, incluindo eventuais surtos de doenças, e sobre as formas de prevenção recomendadas;
- Preparação de uma farmácia de viagem adequada ao destino;
- Sintomas a que deve estar atento e como proceder perante sinais de alarme, nomeadamente referente à diarreia do viajante;
- Orientação específica para grávidas, crianças, idosos e pessoas com doenças crónicas.
Quem deve procurar a consulta do viajante?
Qualquer pessoa que viaje para fora da Europa, especialmente para África, Ásia, América Central e do Sul ou Oceânia. Mas, mesmo dentro da Europa, viagens em contextos específicos (campismo rural, trabalho humanitário, zonas isoladas) podem justificar esta avaliação.
Quando deve marcar a consulta?
Idealmente 4 a 8 semanas antes de partir. Algumas vacinas exigem mais do que uma dose, com intervalos entre elas, assim como a medicação para a profilaxia da malária tem de ser iniciada antes de entrar na zona de risco.
Está com menos tempo? Não desista, marque assim que puder – ainda haverá muito a fazer. O que não deve mesmo é partir sem qualquer preparação.
Viajar é abrir horizontes, conhecer novas culturas e criar memórias inesquecíveis. Mas a melhor forma de aproveitar cada experiência é partir preparado e regressar em segurança.
Beatriz Osório
Interna de Formação Específica de Medicina Geral e Familiar
USF Ramada







